Estudantes universitários do Rio Grande do Sul desenvolveram um aplicativo para traduzir a linguagem de libras para o português, utilizando a câmera e internet do celular. O app se chama Charles tradutor e tem como objetivo a inclusão da comunidade surda ás atividades simples do cotidiano das pessoas, como pedir informações e se comunicar sem que haja barreiras.

A plataforma começou a ser desenvolvida em Janeiro deste ano pelos estudantes Luisa Scaletsky, Anderson Maia e Virgilius Santos quando notaram esse gap mesmo o Brasil contendo  9,7 milhões de deficientes auditivos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Existem diversos softwares que fazem a tradução de português para Libras, porém, não existem programas que façam o contrário. Com o Charles Tradutor, basta executar os sinais em frente à câmera que a tradução aparece por escrito na tela”, explica Luísa Scaletsky, estudante de design na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O app ainda não conta com uma base de dados, mas estão trabalhando  no desenvolvimento do modelo com Redes Neurais Convolucionais, que durante o uso do app envia vídeos para nossos servidores, colocando-os em uma fila de moderação e geração de bounding boxes. Tanto a gravação quanto a tradução são feitas em tempo real, através de conexão com a internet, possibilitando agilidade na comunicação.

Em fase de testes, a plataforma ainda não está disponível para download, somente para usuários Betas de iOS que realizam os testes. Para Luísa, o aplicativo vem auxiliar a comunidade surda em um dos problemas que considera mais sensível e dar independência á essas pessoas. “Mesmo sendo libras uma língua oficial brasileira, ainda existem poucos ouvintes que têm conhecimento sobre ela. Por isso, queremos proporcionar mais independência para os surdos em momentos que necessitem escrever textos ou se comunicar com outros ouvintes, promovendo a inclusão dessa comunidade” comenta.

O aplicativo dos estudantes concorre com outros dois projetos na categoria Diversidade do Campus Mobile. Os vencedores do concurso serão premiados pelo Instituto NET Claro Embratel com uma viagem ao Vale do Silício, na Califórnia, para uma imersão nas principais empresas de tecnologia do mundo e até mesmo a Universidade de Stanford, para finalizarem os projetos.