*Por Maria Rita Spina

O Brasil é uma fábrica de startups. Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) há mais de 6 mil delas buscando um lugar ao sol no mercado. Mas criar uma startup demanda muita dedicação do empreendedor e é preciso passar por várias etapas de desenvolvimento antes de buscar um investidor-anjo, algo que muitos sonham, mas pouquíssimos, de fato, conseguem. Só em 2018, foram apresentados à rede da Anjos do Brasil cerca de 800 projetos de todas as partes do país e nas mais diferentes áreas. Apenas 20 receberam um aporte.

Por isso, em primeiro lugar, é necessário compreender quais são os estágios pelo qual uma empresa nascente passa para depois analisar qual o momento adequado para buscar investimento, sem atropelos. A fase inicial é momento em que a startup deixa de ser apenas uma ideia e se torna realmente um projeto. Nessa etapa, o empreendedor já deve ter o conhecimento básico sobre mercado onde irá atuar. Algumas dessas noções englobam, por exemplo, qual o diferencial do seu produto/serviço no mercado e qual a solução que ele traz.

Em seguida, há a fase intermediária, em que o empreendedor irá modelar o negócio. Ele fará um planejamento de como será o crescimento da empresa, qual o aporte necessário a ser obtido para alcançar determinado objetivo e estabelecimento de uma estratégia de mercado de curto prazo.

Com isso, passamos para a etapa chamada de operação. Esse é o momento da “mão na massa”. Quando os planos já foram colocados em prática, ou seja, quando há um protótipo sendo testado no mercado. Com ele, será possível entender quais mudanças serão necessárias, os desafios que devem ser superados e o que já está dando certo. É também nesse ponto do desenvolvimento que será formado o time da empresa.

É nesse momento que fazemos uma pausa. Isso porque, em grande parte dos casos, esta é a melhor etapa para procurar um investidor-anjo. Mas há um ponto em que o empreendedor precisa prestar atenção: não adianta procurar investimento se a startup precisa de capital imediatamente porque isso leva tempo, podendo chegar a meses para, enfim, fechar o negócio entre o investidor-anjo e o empreendedor.

Isso acontece porque é preciso estabelecer uma relação de confiança entre investidor e empreendedor, há também motivos mais técnicos que demandam tempo, como o processo de Due Diligence (uma avaliação para verificar a situação da startup antes de assinar o contrato). Dessa forma, podemos até considerar a etapa da operação como a mais adequada para procurar o investimento-anjo, desde que fatores específicos de cada empresa sejam considerados e, principalmente, a questão do tempo.

Portanto, empreendedor, nada de atropelos. O ponto chave não é a ideia, é a execução. Investidores não querem implementar uma ideia, mas sim investir em bons empreendedores que realizem seus projetos de negócios. O melhor lugar para buscar investimento anjo é nas redes de investidores anjo organizadas. Elas agregam mais valor e tem boas práticas que fazem com que o processo funcione melhor.

Um alerta importante. O segmento de investidores anjo trabalha com 50% de mortalidade das startups nos primeiros dois anos de operação após investimentos realizados e apenas 10% das empresas realmente atingem um crescimento significativo depois de cinco anos. Aplicar objetivamente o plano de crescimento definido, acompanhando indicadores e resultados, é o grande segredo para sucesso da startup. Agora, mãos à obra!!!


*Maria Rita Spina é diretora executiva da Anjos do Brasil e fundadora do MIA –
Mulheres Investidoras Anjo, atuando com o desenvolvimento de startups e a aproximação
entre empreendedores e investidores anjo como meio de alavancar o potencial do mercado
brasileiro de investimento e empreendedorismo de inovação. Sua atividade profissional
sempre esteve ligada a gestão de empresas e de projetos, com foco em implementar
soluções nas áreas financeira, de recursos humanos e operações. Graduada e Mestre em
filosofia pela FFLCH-USP.