* Por Ana Flávia Carrilo

Esse ano, a Abstartups completa oito anos de vida. Sim! Parece que foi ontem que um grupo de empreendedores decidiu atuar e contribuir para a evolução do ecossistema de startups, mas isso tudo começou lá em 2011. Desde então, muitos players, empresas e instituições passaram a colaborar com esse propósito, e o ecossistema evoluiu muito ao longo do tempo.

Mas antes de falarmos dessa evolução, você precisa entender um pouco sobre a trajetória que nos trouxe até aqui. Quando a Abstartups surgiu, o ecossistema era simplesmente um conjunto de poucas startups, e poucos investidores, com pouca atenção na mídia tentando fazer coisas muito específicas. Éramos um pequeno nicho tentando sobreviver.

Então, para tentar mudar esse cenário, começamos um trabalho nos últimos anos que persiste até hoje, que visa construir uma infraestrutura básica de fomento ao empreendedorismo, incluindo fatores como: educação empreendedora por meio de informação de confiança e em tempo real das startups em todo Brasil (StartupBase), representatividade junto ao governo (marco legal das startups) e um senso coletivo no mercado, fortalecendo comunidades de startups pelo país.

Com o apoio de mantenedores, associados e outros parceiros, conseguimos conquistar muitas dessas coisas nos últimos oito anos. E quem saiu ganhando com cada pequeno passo dado foi o nosso ecossistema. Afinal, juntos somos mais fortes!

Oito anos de evolução

Hoje, podemos dizer que o Brasil possui um ecossistema de startups maduro. O mercado de startups brasileiras mais que dobrou nos último seis anos: em 2012, tínhamos 2519 startups mapeadas na associação. Em 2017, esse número alcançou 5147 empresas. E atualmente estamos mais um passo à frente: 10.800 startups registradas em nosso banco de dados.

Consulte dados atualizados em tempo real no StartupBase

Mas a evolução não parou por aí. O ambiente em torno das comunidades evoluiu muito! Quando falamos de conexões entre startups, vivemos uma fase de muitas oportunidades. São inúmeros coworkings, hubs de inovação, parques tecnológicos e uma agenda com diversos eventos envolvidos para dar suporte e oferecer o ambiente ideal para o desenvolvimento de novas startups e amadurecimento de modelos de negócios já existentes. Coisa que não existia alguns anos atrás.

Bancos como Itaú e Bradesco ampliaram seus espaços de inovação – a exemplo do novo prédio do CUBO, onde grandes corporações lideram andares temáticos como educação (Kroton), varejo (BR Malls), saúde (DASA), indústria (Schneider) ou fintech (Itaú e Rede) e a inauguração do inovaBra Habitat. Considerando os dois espaços, são mais de 400 lugares para hospedar startups.

Desde 2016 o Google está em São Paulo com seu 6º Campus, o primeiro na América Latina. O espaço voltado para profissionais criativos e empreendedores, conta com espaço de coworking aberto, eventos e programas de capacitação para residentes e não residentes e conexão com os outros campus da rede.

Os parques tecnológicos que tradicionalmente atuam conectando três atores: governo, academia e mercado são outros dos players que conquistaram um papel importante como instrumento de formação empreendedora. O Tecnopuc em Porto Alegre/RS, Porto Digital em Recife/PE e o Tecnosinos em São Leopoldo/RS, por exemplo, estão entre os principais parques tecnológicos do Brasil. Juntos reúnem mais de 200 empresas e são responsáveis pela geração de mais de 10 mil empregos.

Isso tudo, sem contar nossos unicórnios! Em 2018, finalmente nosso ecossistema alcançou outro patamar de mercado em relação aos outros países: conquistamos nosso primeiro (de muitos que vieram em seguida) unicórnios.

 

A 99 se tornou o 1º unicórnio brasileiro em janeiro de 2018, após ser comprada pela chinesa Didi Chuxing numa transação envolvendo R$ 960 milhões, Nubank e PagSeguro também conquistaram seu lugar no pódio dos unicórnios. A PagSeguro, que nasceu do UOL abriu seu IPO no mercado de capitais e captou US$ 2,6 bilhões na Nasdaq, a bolsa de Nova York.

Unicórnio é como são conhecidas as startups avaliadas em US$1 bilhão de dólares. Mas  além  disso, você sabe o que torna essas empresas tão diferentes das outras startups? Entenda aqui mais sobre as características dos unicórnios.

E como serão os próximos oito anos?

Em menos de uma década, já avançamos muito. Mas, seguindo o espírito empreendedor, não existe montanha alta o suficiente. Estamos sempre em busca de novos desafios, somos movidos por novos problemas em busca de soluções. Então apesar de todas as conquistas que devem ser comemoradas, ainda há muito a se fazer!

Pensando nisso, queremos propor um debate sobre esses próximos oito anos de evolução do ecossistema. Ao estilo startup, vamos parar para reavaliar o que já foi feito até aqui e quais os aprendizados devemos seguir para ir adiante.  E você é nosso convidado!

Vamos reunir grandes nomes do ecossistema para nos ajudar nesse give back! Para participar do debate, você poderá acompanhar ao vivo a transmissão do 360º, o evento da Abstartups que discutirá o futuro do ecossistema brasileiro. Para saber mais, acesse o site e reserve 2 de maio na sua agenda.


Ana Flávia Carrilo é comunicadora por essência, formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Acredita no acesso a informação como forma de transformação social. Atualmente, faz parte da equipe de comunicação da Associação Brasileira de Startups, ajudando no desenvolvimento do ecossistema empreendedor brasileiro.