Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, o Brasil tem um déficit habitacional de 7,757 milhões de moradias. O termo déficit habitacional é utilizado para se referir ao número de famílias que vivem em condições de moradia precárias e está associado às moradias que estão em risco, e que se necessita de uma nova construção.

Para solucionar esse problema, com o conceito “viver, além de morar”, o Grupo Planet, formado por empresas inglesas, italianas e brasileiras, está desenvolvendo em São Gonçalo do Amarante (CE), na Região Metropolitana de Fortaleza, a primeira Cidade Inteligente Social do Mundo: a Smart City Laguna. O empreendimento une inovação, tecnologia, sustentabilidade, planejamento urbano moderno e soluções de mobilidade em um só lugar.

Quem está à frente dessa inciativa é Susanna Marchionni, CEO do grupo no Brasil, que contou detalhes sobre o projeto em conversa com o Startupi. Ela também será responsável pela estruturação de outras cinco smart cities no Brasil nos próximos três anos, e participará da expansão do projeto para a Índia e o México. Confira os detalhes abaixo:

Susanna Marchionni, CEO do grupo Planet no Brasil

Susanna diz que o negócio começou com um projeto de pessoas sonhadoras que queriam mudar a forma de morar no Brasil e no mundo e o resultado foi um grande sucesso. “Chegamos do outro lado do mundo com um projeto super inovador, mas o público entendeu e confiou. Os primeiros compradores foram as pessoas que mais acreditaram no projeto e eu sou muito grata a eles”.

Por que São Gonçalo do Amarante?

Susanna conta que o Grupo priorizava um local com forte desenvolvimento econômico. E em 2011, se depararam com uma reportagem da revista britânica The Economist que citava os 10 melhores locais no mundo para se investir e um deles era a região do Porto do Pecém, município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Foto: Divulgação

Ao visitar a região, acharam o local muito interessante, pois contava com a Companhia Siderúrgica do Pecém e a Zona de Processamento de Exportação. “Encontramos o local certo com fibra óptica, grande desenvolvimento econômico e grande déficit habitacional, tudo isso constatado após a realização de um estudo de quatro meses feito pela Universidade de Milão”, conta.

Cidade Inteligente Social?

O conceito de uma cidade inteligente vai além de áreas urbanas planejadas. É, na verdade, um programa social que visa o desenvolvimento e crescimento da sociedade através da utilização de recursos tecnológicos e sustentáveis.

“Colocar uma iluminação de LED não é construir uma cidade inteligente, a cidade precisa ter serviços, tecnologia e infraestrutura. Cidades inteligentes estão sendo construídas em todos os lugares, mas o público geralmente é o mesmo: os ricos”, destaca Susanna.

Ela conta que a primeira cidade inteligente do mundo foi construída em Masdar City, nos Emirados Árabes. Lá o valor do metro quadrado é US$10 mil. Já no Ceará, um lote de 150 metros quadrados é vendido por R$30 mil. A menor casa, de 55 metros quadrados, custa R$95 mil e a maior pode chegar até R$145 mil.

Casa Modelo Helena com 75m² – Foto: Divulgação

A Smart City Laguna terá uma área total de 330 hectares, sendo aproximadamente 620 mil metros quadrados de área verde distribuídas por toda cidade. Será composta por cerca de 7 mil lotes, entre residenciais, comerciais e empresariais, além disso, toda a cidade inteligente será saneada e pavimentada.

Durante o primeiro semestre de 2018, foi concluída a entrega de 100% da primeira etapa, ou seja, 1.808 lotes, e todo empreendimento encerrou o ano atingindo a marca de aproximadamente 3 mil lotes vendidos.

Com infraestrutura de alto padrão, o modelo conta com um aplicativo gratuito para os moradores que é capaz de integrar as diferentes funções e serviços de uma casa remotamente como ligar e desligar os dispositivos, monitorar seu consumo de energia e muito mais.

Além disso, todos os moradores contam com uma infraestrutura social gratuita que inclui: biblioteca, cinema, curso de inglês, curso de empreendedorismo, curso de computação entre outros.

“Comprar uma casa na cidade inteligente significa ter tudo isso a disposição. No futuro as pessoas não vão mais apenas escolher a casa ou o apartamento onde querem morar, mas sim o que está ao redor”.

A Smart City Laguna conta também com um polo tecnológico e empresarial, o Smart City Ecopark, que possui uma infraestrutura de alta qualidade e foi planejado para receber empresas com propostas sustentáveis e economicamente positivas.

Polo Comercial da Smart City Laguna – Foto: Divulgação

Susanna explica que todo esse conceito, residência mais comércio e empresa foi pensado para que as pessoas não precisem se deslocar horas e horas para, por exemplo, chegar ao trabalho, ter a comodidade de almoçar em casa ou passar mais tempo com seu filho. Além disso, é mais sustentável pensar em uma vida sem carros ou ônibus, não é mesmo?

E quem pensa em tudo isso?

Para que tudo isso rode e funcione corretamente, o Grupo Planet tem uma sede em Londres, onde ficam os headquarters e em Turim, na Itália, sede do
Instituto Politécnico, uma das melhores Universidades de Engenharia do mundo, o grupo conta com um time formado por 50 pessoas entre Engenheiros, Arquitetos, Urbanistas e Psicólogos que procuram as melhores soluções, ideias e materiais inteligentes para realizar os projetos.

Primeiros moradores

Sim, já existem pessoas que estão morando na Smart City Laguna! Em janeiro de 2019, a Cidade Inteligente recebeu os seus primeiros moradores, o casal Marta e Carlos, que morava no Rio de Janeiro.

Confira abaixo o depoimento:

“A quantidade de emoções que um projeto como esse pode gerar é gigantesca”, comenta Susanna ao lembrar que uma moradora de uma comunidade próxima do empreendimento foi ao cinema pela primeira vez no Smart City Laguna.

Cidade sem muros

Susanna considera esse projeto um grande divisor de águas para o futuro do mercado imobiliário. Uma das coisas que ela acha mais bacana é que não se trata de um empreendimento fechado, mas sim uma cidade aberta para todos e sem muros.

“Uma pessoa que mora fora do perímetro da cidade, também tem acesso as instalações. Muitas pessoas não tem dinheiro para comprar uma casa de R$100 mil reais, mas eles tem direito de ir na praça, na biblioteca, eles não são excluídos, e é isso que faz mudar a forma de pensar das pessoas. O que mais gera o problema de segurança é o contrário, é deixar as pessoas do lado de fora do muro, causar a exclusão social”.

Susanna conta que muitas crianças que moram próximo do projeto e costumam frequentar o espaço sempre perguntam quando que as obras vão acabar, pois elas acham que não poderão mais usar o espaço e a biblioteca. “As crianças são as que mais cuidam, nunca tivemos nenhum problema e se por acaso, alguma delas esquece de devolver o livro na data combinada, elas nos ligam para avisar”.

Além disso, eles contam com um projeto que chama “me pega, me planta e me cuida”, onde as crianças recebem uma semente, que é plantada em uma área da cidade junto com seu nome em uma placa para fazer com que as pessoas tenham uma ligação com a área.

“Aqui no Brasil e também na Itália temos o costume de achar e pensar que as áreas públicas não são de ninguém, já na Inglaterra, o pensamento é totalmente contrário, o que é público é meu e eu cuido. E é isso que estamos trabalhando para trazer para o Smart City Laguna”, destaca Susanna.

O público do Smart City Laguna não é a classe A ou B, Susanna brinca que é de A até Z. A infraestrutura é de alto padrão, mas não existe diferencial em quem pode frequentar o espaço. “provavelmente é uma forma europeia de se pensar: a cidade precisa ser igual para todos. Outro ponto fundamental é a segurança, uma cidade inteligente precisa ser segura e a segurança começa com educação e cultura”.

Aumento de capital e expansão

O Conselho de Administração da PLANET Holding fechou um novo aumento de capital em 2018, consistindo em 34 milhões de euros de 193 acionistas, entre novos e antigos. O novo aumento aconteceu após a primeira rodada de investimento de 10 milhões de euros, realizada em 10 de setembro de 2018, com a chegada de novos acionistas, entre eles o novo Presidente do Grupo, o cientista italiano Stefano Buono, endossando um ambicioso plano de expansão para América do Sul, não só no Brasil e também no mercado da Índia que tem o maior deficit habitacional do mundo.

Sem dúvida alguma o projeto está provocando um despertar em todo o mercado imobiliário brasileiro, atingindo positivamente o poder público na forma de desenvolvimento das cidades. Sendo um projeto que já alcança uma certa visibilidade internacional e consequentemente conduzirá o Ceará ao cenário urbano mundial.

E não para por aí! Já existe outro projeto em desenvolvimento aqui no Brasil, a segunda cidade social do mundo será em Natal, no Rio Grande do Norte.

E você, já pensou em morar em uma cidade inteligente?