*Por Anderson Arcenio

O título deste artigo exige uma generalização do tema, mas é claro que existem boas exceções para tudo que trataremos aqui. O ponto é que gostaríamos que fosse o contrário, que as exceções atuais fossem na verdade o padrão existente no nosso país, por isto o questionamento vem em forma de generalização.

A falta de preparo para o mercado de trabalho

Algumas pesquisas apontam que os jovens não consideram que a faculdade os preparam para o mercado de trabalho. E tais pesquisas só comprovam o que vemos no dia a dia conversando e recrutando universitários ou recém formados.

E essa falta de preparação vem de algumas formas:

  1. Ensinar tecnologias atuais

Falando mais especificamente das áreas de programação e design que tenho mais contato, as matérias que ensinam ferramentas e tecnologias costumam ensinar opções já defasadas e que não são aplicadas no mercado atual.

Quais opções de trabalho um recém formado programador vai ter com o conhecimento de linguagens de programação como Pascal ou C? Acreditem, isto ainda é ensinado, e não apenas como uma base de ensino, mas sim como parte significativa do curso.

Com isso, exige-se do aluno que ele busque tecnologias mais modernas fora da faculdade. Após este investimento de tempo e de recurso financeiro em muitos casos, ele adquire a teoria, mas ainda precisa de oportunidades para a prática. Estágios e projetos como freelancer se tornam opções quase obrigatórias para que o aluno consiga aplicar seus conhecimentos e comece a criar experiência e seu próprio portfólio.

E para atender a essa demanda, existem empresas como a Cocreare que, através de uma rede colaborativa, busca compartilhar conhecimentos e experiências, levando capacitação gratuita, mentorias e projetos para estes novos profissionais.

  1. Ensinar aplicações reais

Um outro cenário comum é a faculdade ensinar algo e não mostrar aplicações reais. Quantas vezes já aprendemos uma matéria na faculdade e pensamos “onde vou aplicar isso?” E pela falta de respostas, acabamos perdendo a oportunidade de nos interessar mais pelo tema.

Dentro do contexto de startup e inovação, temos algumas áreas que evidenciam ainda mais isso. Vou citar 2 delas.

  • Design

A visão e abordagem de um designer nesse ambiente é fundamental! Não à toa que metodologias como Design Thinking e Design Sprint ganharam tanta notoriedade e utilizam no seu nome a palavra “Design”.

  • Relações Públicas

Uma das etapas mais importantes do início de uma startup é sua fase de pesquisa e validação. E sabe quem aprende com profundidade as diferentes maneiras que existem de se aplicar uma pesquisa? Um relações-públicas! Existe portanto grandes oportunidades para este profissional em projetos de inovação.

Um potencial de inovação desperdiçado

É fato que temos muitos bons projetos nas universidades. O grande problema é que são tratados como projetos realmente, ou seja, algo temporário e com um fim determinado. Muitos deles poderiam ter aplicação real no mercado e poderiam servir de solução para um grande número de pessoas e empresas. Só assim a inovação faz sentido, não é?

A universidade de Stanford e a maneira como ela se relaciona com o mercado e o empreendedorismo talvez seja a inspiração máxima para um dia atingirmos uma cultura de inovação tão forte como existe no Vale do Silício.

Despreparo de uns, oportunidade para outros

Todo este contexto de problemas e ineficiência acaba por abrir novas oportunidades. É por isto que vemos cada vez mais Edtechs, as startups de educação, surgindo e ganhando espaço.

Como falamos no artigo sobre inovação aberta, a inovação está passando pelas startups, e não apenas as grandes empresas mas as instituições de ensino também precisam buscar as transformações nos seus serviços e cultura.

Será que com transformações mais profundas na base da nossa educação não conseguimos inverter o padrão e tornar as exceções atuais a regra geral deste jogo?


Anderson Arcenio é cofundador da Digital Labs, venture builder responsável por criar as startups SalusProtarefa e Cocreare. Também é cofundador do Livebuzz e Sócio da Dinamize. Com 14 anos de experiência com projetos digitais, é pós-graduado em Gerenciamento de Projetos e bacharel em Sistemas de Informação, graduado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP.