No início de fevereiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso da telemedicina. A partir de agora, os médicos brasileiros poderão realizar consultas online, assim como telecirurgias e telediagnósticos, entre outras formas de atendimento médico à distância.

De acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, o impacto da tecnologia na área de saúde será de otimização, principalmente, por se tratar de um dos setores mais complexos da economia. Um levantamento feito pelo CFM aponta que o Ministério da Saúde deixou de aplicar R$ 174 bilhões na área do que havia sido previsto de 2003 a 2017.

“São muitos gargalos, especialmente na administração pública. Manter uma estrutura de saúde, já que ela é responsabilidade do município, muitas vezes é inviável. A telemedicina fará toda a diferença, já que para atendimentos básicos será possível dar ganho de escala e agilidade sem burocracia. Poderemos ter excelentes médicos potencializando os atendimentos. Além do atendimento direto, teremos um aumento do suporte com profissionais mais capacitados. Uma verdadeira revolução na medicina”, explica o professor.

Segundo Igreja, as Health Techs serão as grandes beneficiadas com o uso da telemedicina, direcionando investimentos para ampliar o atendimento médico para além dos consultórios. Dados do setor apontam que, atualmente, existem no Brasil em torno de 250 startups voltadas à inovação no campo da saúde, o que coloca o país na lista mundial de maiores mercados na área. Aqui, cerca de US$ 42 bilhões são gastos todos os anos com consultas e procedimentos clínicos particulares, incluindo os planos de saúde privados. 

Um ponto negativo, conforme o especialista, é que a relação perde em proximidade, os profissionais da saúde terão que levar isso em conta e se capacitar ainda mais. “Não vai ser simplesmente colocar o médico atrás da câmera e dar o mesmo tipo de consulta que ele fazia até então. Agora ele vai ter que estar ciente de que a preocupação do paciente é ainda maior, porque existe um afastamento físico. O médico terá que ser mais compreensivo e usar termos médicos menos complexos. Porém, os ganhos são muito maiores do que as perdas. A telemedicina é um avanço fundamental da tecnologia na medicina brasileira”, completa.