Depois do surgimento do Airbnb, em 2009, o mercado das proptechs e da economia colaborativa tomou, globalmente, um novo rumo. Hoje há diversas soluções que, graças à tecnologia, impulsionam o setor imobiliário a novos patamares. Somado a isso, 2019 promete ser de grandes oportunidades para estas startups, já que, de acordo com especialistas, este mercado tende a voltar a se aquecer a partir deste ano, recuperando longos semestres de recessão. A consultoria Crushman & Wakerfield prevê que a vacância de estabelecimentos em São Paulo caia para 17,5% neste ano, uma queda de quase 4% em relação aos 21,4% de locais vagos na cidade ao final de 2018.

O empreendedor Yuri Saiovici, de olho neste mercado e nas oportunidades que ele apresenta, lançou, em julho de 2018, a Popspaces, startup que conecta espaços comerciais vazios e empresários, para curtos alugueis.

“Entre 2016 e 2017, eu trabalhei como Project Manager na eCooltra, em Barcelona, na Espanha, e participei de projetos relacionados à Smart Cities. Lá, me apaixonei pelo conceito de economia compartilhada e tive a ideia de implementar no Brasil. Depois de estudar a fundo o mercado, percebi o período delicado em que o mercado imobiliário estava e criei a startup, com o objetivo de facilitar o acesso de marcas e empresas a imóveis comerciais, com espaços para experiências e lojas pop-ups”, explica.

Em menos de seis meses de atuação e com cinco profissionais trabalhando integralmente no time, a startup já recebeu da agência Netza, de Live Marketing, um aporte de R$300 mil. Yuri diz que atualmente estão listados na plataforma da Popspaces 105 imóveis em São Paulo. A previsão é de que no segundo semestre deste ano atendam também as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegrem Barcelona, Madri e Berlim.

Como funciona

A Popspaces oferece uma plataforma em que o locador e o locatário têm seus próprios painéis administrativos para trocar mensagens, gerir solicitações e reservas e negociar. “Contamos também com um pagamento online seguro, com diferentes formas de pagamento”, explica Yuri, CEO da empresa.

O responsável por um imóvel anuncia, sem custos, seu espaço na plataforma para potenciais clientes e tem acesso a diversas marcas do mercado. A startup também oferece uma consultoria para ajudá-lo na melhor forma de promover o espaço.

“A marca e o empreendedor contam com uma curadoria assertiva dos melhores lugares disponíveis para locação de curta duração; recebe indicação de fornecedores especializados e possui um concierge qualificado para a realização do projeto específico”, afirma Yuri.


Yuri Saiovici , fundador e CEO da startup Popspaces

O gestor de um imóvel (proprietário, imobiliária, corretor) entra no site e faz um cadastro simples com informações do espaço, como tamanho, pé direito, fotos, valor da diária etc. Após revisão e aprovação da equipe da startup, o local é aprovado e fica disponível para locação na plataforma. Caso o gestor precise de imagens profissionais do espaço, a Popspaces também oferece um fotógrafo profissional de forma gratuita.

Já o locatário se cadastra no site e escolhe aquele que melhor se encaixa nas suas demandas. Os dois, então, iniciam um diálogo e negociação para tirar eventuais dúvidas e conhecer todas as condições. Hoje, em média, as locações têm um prazo de duração de cinco dias.

Mercado, varejo e economia compartilhada

Yuri afirma que a maioria das empresas que locam espaços com a startup tem como finalizade eventos para ativação de marcas a experiências e lojas pop-ups. O CEO acredita que, por meio dos aluguéis de curta duração, o empresário/marca pode fazer o lançamento de produto ou serviço, testar com melhor eficácia o e-commerce no mercado offline, lançar uma nova ideia ou ativar um público específico. “Além disso, sabemos que localizar o espaço certo para seu negócio pode ser frustrante por conta das negociações, agendamentos, orçamentos e todo o processo burocrático que isso envolve. A startup simplifica esse processo”, diz.

Para o responsável pelo imóvel ocioso, as vantagens estão em ampliar suas formas de rentabilização, movimenta um espaço que estaria ocioso e faz com que ele se torne uma vitrine para marcas, contando com a divulgação gratuita na plataforma da Popspaces.

Sobre a movimentação no mercado varejista que este modelo de economia compartilhada pode movimentar, Yuri explica: “hoje se fala muito em ‘Liquid Retail’, ou Varejo Líquido – conceito em que as marcas estão se apropriando justamente por conta das mudanças de comportamento do consumidor moderno, que hoje é muito mais dinâmico e maleável. A tecnologia e a internet intensificaram esse processo. Os marketplaces e e-commerces trouxeram novos canais de vendas online, mas nem por isso o mercado offline acabou”, afirma.

Para ele, isso acontece porque os varejistas estão percebendo que o online e offline são complementares e que um ponto físico pode funcionar com um canal para levar uma experiência diferente, que vai muito além da venda. E que, portanto, as lojas temporárias e ativações de marcas no mundo offline são estratégias importantes de experimentação e criatividade, ligadas ao branding e à conexão com os seus consumidores.

Sobre o mercado de economia compartilhada no Brasil, ele afirma: “acredito que a ‘geração aluguel’ representa o entendimento de que, diante de problemas sociais e ambientais, o compartilhamento deve necessariamente substituir o acúmulo. E isso se deve também ao novo comportamento desse consumidor moderno, que hoje é muito mais dinâmico e fluído. O foco dessa nova geração não está na posse mas sim nas experiências.”

Ele destaca, ainda, no país, o boom de construtechs e proptechs de gestão de estoques e materiais, contratos e documentos, gestão de carteira, comunicação e gestão de condomínios e smartbuildings dos últimos dois anos.

“A economia colaborativa ainda está em sua infância no Brasil, mas o mercado cresce de forma exponencial graças ao sucesso das iniciativas locais, similares às que existem no âmbito internacional. Porém, não podemos nos esquecer de que a educação é a chave do sucesso do compartilhamento e para mim essa ainda é a maior barreira de entrada no país”, completa.

Durante os próximos meses, o STARTUPI realizará uma série de eventos e Innovation Tours de imersão no ecossistema de startups em São Paulo e de outros polos de inovação pelo Brasil, com foco em Varejo, Saúde, Construtech, Agro, Edtech, Fintech, Indústria e muito mais. Quer saber detalhes destas ações? Acesse aqui e garanta sua participação!