Frequentemente, a variação nos preços de passagens aéreas confunde o usuário sobre o melhor momento de comprá-las. Teoricamente, com antecedência sai mais barato, mas também é possível encontrar promoções atraentes próximas à data de embarque.

Para que o usuário não precise checar sites de companhias o tempo todo, a startup Trafega criou um sistema de inteligência artificial, apelidado de Olívia, para encontrar os melhores preços com base no que o consumidor deseja ou pode pagar e, enquanto calcula as chances de ele viajar com esse valor, auxilia o viajante a fazer o melhor negócio.

Eduardo Ibrahim, engenheiro de software e fundador da startup, conta que a empresa foi criada oficialmente nos EUA, em agosto de 2017, mas os fundadores levaram um pouco mais de um ano para desenvolver o produto e legalizar tudo para, então, começar a operar no Brasil no início deste ano. “A Trafega foi fundada por mim e por Leonardo Grossi, um executivo brasileiro que já mora, há algum tempo, na Califórnia e tem muita experiência com grandes empresas de lá”, explica.

A ideia veio de quando Eduardo namorava uma garota de Ribeirão Preto e precisava voar com frequência. Cansado de arcar com valores absurdos, ele decidiu estudar o modelo das companhias e entender por que, mesmo com todos os esforços promocionais, os aviões continuam decolando com espaços vazios. “Acabei me deparando com estratégias de proteção de preços utilizadas há mais de 50 anos, que não consideram a dinâmica do usuário atual. Isso gera prejuízos para as companhias e menos viagens para o consumidor”, afirma o empreendedor.

Desde que a ideia surgiu, os sócios já receberam aporte de investimento-anjo e participaram de um curso da YCombinator, uma das maiores aceleradoras do mundo. Agora, buscam financiamento Series A. O time da startup varia de acordo com a quantidade de pessoas alocadas por projeto. Em média, são 10 pessoas trabalhando para que a plataforma esteja no ar atualmente, buscando ofertas de voos em todos os cantos do mundo.

Como funciona

Ao acessar o site da Trafega, o usuário insere os dados da viagem (origem, destino e datas de ida e volta) e informa o valor que deseja pagar pelas passagens. A partir disso, o sistema calcula as chances de ele viajar de acordo com o limite estipulado e também sugere as oportunidades para compra imediata. Caso o viajante não encontre o que precisa, a inteligência artificial pode auxiliar o usuário a encontrar um valor que atenda às expectativas.

A startup promete ainda garantir ao comprador um preço igual ou menor que o do site da companhia aérea. “Nós acreditamos que no mercado on-line não faz sentido cobrar a mais do consumidor para cobrir os custos com propagandas chatas na tela dele. Nosso público-alvo é inteligente e não cai mais nessas armadilhas, ele compara antes de fechar o negócio e, por isso, temos que garantir sempre o mesmo preço da companhia ou menor. Com o uso do nosso modelo, as companhias podem preencher os voos de acordo com a percepção de valor do consumidor, ou seja, ajudamos no sistema de gerenciamento de receitas e é nesse momento que monetizados”, explica Eduardo.

“Acho que o sonho de qualquer empresa é poder vender seu produto pelo valor percebido e não somente pelo preço. Resolvemos atuar no mercado aéreo devido a sua natureza de comoditização e dificuldade de mostrar valor diferenciado ao consumidor, o que gera ociosidade e uma série de desequilíbrios que prejudicam tanto a companhia quanto o viajante”, diz o fundador.

Economia comportamental

De acordo com a startup, o sistema de inteligência artificial Olívia foi criado com base na economia comportamental – teoria desenvolvida pelo vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman -, onde são consideradas variáveis como percepção de valor, para ajudar as companhias aéreas a preencherem os espaços vazios em aviões. “A próxima fronteira (da tecnologia) é utilizar a inteligência artificial para melhorar os modelos econômicos, como os modelos de precificação de passagens aéreas. A economia comportamental coloca o agente humano no centro do modelo.  Se antes você considerava somente variáveis frias como margens e custos, e informações agregadas como oferta e demanda para formar o preço, agora você pode verificar a percepção de valor em tempo real antes mesmo de indicar o preço final. Isso muda a lógica dos sistemas de precificação e, em última análise, reequilibra os preços de mercado de uma forma mais justa.”

Os fundadores da Trafega decidiram utilizar a solução desenvolvida por eles no setor aéreo, mas Eduardo garante que este modelo de inteligência artificial pode ser utilizada em diversos outros segmentos. “Qualquer mercado com características de comoditização e custos com ociosidade é candidato a utilizar essa solução desse tipo. Mas é muito importante entender em detalhes cada mercado porque nos bastidores técnicos essa é uma solução complexa, e ao mesmo tempo, ela precisa chegar simples para o consumidor final. Gostaríamos de poder ajudar outros empreendedores a implementar soluções parecidas porque acreditamos que otimizar o uso dos recursos pode ajudar a sociedade em outras áreas também”, afirma o fundador.

Tendências para o mercado de traveltechs, as startups do mercado de turismo, são o que não faltará durante 2019. “Tem uma infinidade de oportunidades porque é um setor antigo que precisa de inovação em todos os níveis. Além disso, é um setor muito gostoso de atuar. Afinal, quem não gosta de viajar ou de falar sobre viagens?”, finaliza Eduardo.

A partir deste mês, a plataforma também disponibilizará um aplicativo gratuito para Android e iOS, que já está em fase de testes e trará toda a praticidade do negócio para a palma da mão.

E você, quando for viajar, quer pagar quanto?