* Por Marcelo Furtado

Empreendedores estão sempre em “modo vendas”, ou seja, sempre tentando convencer a todos (e se auto convencer durante este processo) de que a ideia é boa, revolucionária, de que sua empresa cresce a taxas astronômicas, que ele será o próximo unicórnio e assim por diante. Essa característica dos empreendedores é o que faz deles serem empreendedores. Para mim, a definição de empreendedor deveria conter “àquele que está sempre vendendo”. Porém, há algum tempo que venho refletindo sobre como isso impacta na atração de talentos, especialmente, em startups.

Estar em “modo vendedor” não vai te ajudar a atrair melhores talentos

Isso parece contra intuitivo, mas apenas vender durante o processo de recrutamento e seleção pode gerar impactos negativos no processo. Em um primeiro momento somos levados a acreditar que como durante uma entrevista devemos usar todos os argumentos necessários para convencer o profissional a vir trabalhar conosco. Tendemos a mostrar apenas o lado positivo da história – e muitas vezes elevar este lado positivo de trabalhar em uma startup à décima potência.

Por conta deste modus operandi de atração que se originam os estereótipos de trabalho em startup: pufes, vídeo games, comida ilimitada, escritórios que se parecem com campus, etc. Isso tudo são artefatos de cultura de algumas empresas de tecnologia, mas não refletem exatamente a cultura de se trabalhar em uma startup. Até porque existem diversas startups.

O problema disso é grande: do lado do profissional, há uma decepção grande quando se deparam com a realidade. Do lado das startups, há um custo enorme com contratações erradas.

Transparência: o melhor remédio para atrair talentos

A vida real não é feita de pufes e vídeo games. A vida real em uma startup é repleta de desafios, riscos e decepções. Não estou sendo negativo. É apenas a realidade. A ideia de uma startup é ser inovadora e inovação carrega esses fardos. Ao atrair um talento, é preciso que você deixe claro isso para ele: a jornada será diferente. Sim, por um lado você poderá trabalhar de bermuda. Por outro, daqui 6 meses você pode ser desligado. Sim, você poderá pular 4 etapas em 1 ano. Por outro, você deverá assumir mais riscos (e lidar com a ansiedade que isso traz) do que em toda a sua carreira até agora. Sim, você terá um ambiente mais aberto e horizontal. Por outro lado, você precisará se desenvolver sozinho.

Entendeu o ponto? Muitas vezes, fundadores de startup mentem! Mentem com a melhor das intenções: trazer alguém bom para o time. Mas no final o resultado é catastrófico. Há algum tempo eu venho falando em entrevistas sobre “o porquê você não deveria vir para o Convenia”. No começo fiquei receoso se eu simplesmente mataria todos os bons candidatos. O que ocorreu foi o contrário: as pessoas que se identificaram (e estão em busca) destes desafios, ficam mais motivadas. E com isso, ganham os profissionais e ganham as empresas.

Outro motivador grande para agir desta forma é o respeito pelo lado pessoal dos profissionais. Tomar uma decisão de onde se trabalhar pode definir anos de saúde física e mental do seu colaborador. Ser radicalmente honesto com ele na entrada com certeza evitarão tomadas de decisões erradas que afetarão não apenas o profissional como também a sua família.

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Com mais de cinco anos de experiência no mercado de Recursos Humanos, Marcelo Furtado possui MBA em Engenharia Financeira pela Universidade de São Paulo (USP) e já passou por empresas como Ambev, Cargill, PepsiCo e CarVal Investors. Atualmente é professor de Inbound Marketing na ESPM e CEO da Convenia, primeira plataforma na nuvem de Gestão de Pessoas para PMEs.