Entre os dias 29 e 30 de novembro aconteceu a 5ª edição do CASE – Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo, um dos maiores eventos para startups da América Latina. Dentro deste evento, aconteceu também o 2º Fórum de Inovação Startup Indústria, promovido pela ABDI.

Nele, algumas das maiores indústrias do país participaram de um painel para debater de que forma estas gigantes estão inovando e como a atitude mental de todos os envolvidos nesta mudança é fundamental para o sucesso da transformação digital.

Eugênio Lysei Junior, Líder de Inovação em TI para Tecnologias Industriais da Vale, falou sobre como vê os processos de transformação digital nas grandes companhias. “Transformação digital parece sexo entre adolescentes: todo mundo fala sobre isso, acha que está todo mundo fazendo, mas na realidade poucos entendem sobre o assunto”, diz. Para ele, ao começar a trabalhar este conceito, não existe caminho errado, o importante é que seja iniciado em algum ponto. “a transformação digital vem para mudar a cultura da empresa”, afirma.

Ao explicar sobre como estes processos funcionam dentro da Vale, Eugênio diz que a tendência agora é de que colaboradores e executivos de todos os tipos de empresa sejam avaliados por capacidade de inovação e intraempreendedorismo. “Como conjugar todo mundo em uma cultura só? Na Vale, temos algumas iniciativas e processos que nos auxiliam nesta gestão”, explica. Entre elas, estão uma infraestrutura de laboratório de design sprint, design thinking, business canvas model etc., para que todos os colaboradores possam trabalhar em conjunto, de todas as partes do mundo.

Outra iniciativa da empresa é o Mine Hub, um grupo de inovação composto por diversas companhias do segmento de mineração, que abrirá nos próximos dias um edital para convidar startups a solucionarem problemas da mineração que são comuns a todas os concorrentes que compõem o hub. A cada quatro meses, este edital será renovado.

Daniel Randon, vice-presidente de administração da Randon, falou sobre como as empresas de Caxias do Sul estão inovando, principalmente em indústrias tradicionais. “Nós unificamos RH, estratégia e inovação em um único departamento, porque para nós todas estas coisas andam juntas. Estamos em uma jornada de um ano e meio, dois anos para transformar digitalmente a empresa. Entretanto, desde 2014 estamos trabalhando fortemente uma mudança de cultura”, explica.

Ele diz que a companhia está atuando em três frentes para mudar o mindset de todos que dela fazem parte: trabalhando a transformação digital da empresa a partir das periferias das áreas de atuação; atuando diretamente no core business da empresa e, por último, encontrando parcerias com o ecossistema. “Entendemos que a Randon não pode fazer esse movimento (de transformação) sozinha, precisamos de outros atores do ecossistema, como poder público e universidades”, diz.

No início desse ano a companhia realizou sua primeira conexão com uma startup mais madura. “Empresas grandes sempre acreditam que a solução está dentro de casa. Nós fomos buscar soluções dentro do ecossistema de startups. Esse processo de mudança é de dentro para fora. Não há transformação digital sem transformação de cultura”, explica. O Instituto Hercílio Randon de Tecnologia e Inovação, inaugurado em 2015, se conecta com outros polos de inovação para trazer modelos novos de negócios para a empresa. Com a ACE, uma das maiores aceleradoras da América Latina, a Randon já selecionou 12 empresas para rodar 27 POCs.

Leandro Rezende, representante do Brain, centro de inovação da Algar Telecom, falou sobre como esta iniciativa está impactando o ecossistema do grupo Algar. “A ideia é de que rodem 300 associados da Algar Telecom para oxigenar a empresa”, afirma. Cada um dos colaboradores que trabalha no Brain fica de 6 a 8 meses no centro de inovação, desenvolvendo um projeto com um squad. Ao fim deste período, eles voltam para a Telecom, mas em uma nova área, com o objetivo de propagarem os conhecimentos que adquiriram durante o período no Brain.

Para ele, uma companhia gigante como a Algar vai sempre esbarrar em desafios na hora de reestruturar o mindset da equipe para o desenvolvimento de uma transformação digital. “Nossa grande dificuldade foi deixar que os times tivessem autonomia”, diz.

“Queremos mudar o nosso mindset para mudar a experiência do cliente. No princípio, nossos associados submetiam uma ideia e eram remunerados por isso em um programa ‘Shark Tank’ criado pela Algar Telecom. Um ano atrás a empresa do grupo Algar criou o Brain, ICT da empresa”, explica o executivo.

Renato Shiratsu, diretor de inovação da Coca-Cola, finalizou o painel falando sobre as inovações realizadas dentro da marca, uma das maiores companhias alimentícias do mundo. “Para quem trabalha com produto físico, é possível utilizar metodologia Agile? A resposta é sim”.

De acordo com o diretor, há três principais temas ao se falar sobre inovação digital: o conceito daquilo que quer ser desenvolvido, a preparação para executar o projeto e o mindset na hora de colocar tudo em prática. “rabalhar com agile não é ‘pick and choose’, você não pode escolher só as partes que gosta. A liderança da empresa tem que estar envolvida, desde o presidente até os líderes de cada área, se não a mudança de pensamento não acontece”, diz.

Uma das dicas que Renato dá é que as empresas que queiram começar a se transformar, comecem pequeno. “Vão sempre dobando as metas, porque a cada nova tentativa, você vai cometer novos erros. Se você vai com tudo na mudança e comete um erro, ele pode ser responsável por quebrar sua empresa”, afirma.

“Tudo em uma empresa está envolvido na transformação digital: hierarquia, processos, reunião de aprovação, dar mais autonomia aos responsáveis e líderes. É importante ter em mente e estar alinhado sobre quais escopos a empresa quer trabalhar. Com mais autonomia, também é fundamental dar aos líderes segurança de que você está seguindo para a direção certa no caminho para a transformação”, completa Renato.