*Por Ane Tavares e Viviane Andrade

Nos últimos dias, empreendedores de perfis e sotaques diversos partiram ao encontro do mesmo objetivo: conhecer as estratégias de negócios, os bastidores e o desenvolvimento tecnológico das maiores empresas de inovação e tecnologia baseadas no país. Essa é a proposta do Startupi Innovation Tour, evento promovido pelo Startupi. Em sua primeira edição em parceria com o Plus Day do CASE 2018, o Tour aconteceu entre os dias 28 e 29 de novembro, em São Paulo, e realizou visitas em organizações como o Mercado Livre, Neon e Bossa Nova Investimentos e DOMO Invest.

A Fintech do millennial

Nós visitamos a Neon Pagamentos, fintech brasileira criada e comandada por Pedro Conrade, de 26 anos. Assim como seu fundador, a empresa é jovem, está há dois anos em atividade, mas já é um case no mercado nacional. Sediada em um moderno escritório da Zona Sul, com vista privilegiada para a ponte estaiada Octávio Frias de Oliveira, a empresa conta hoje com 160 colaboradores que têm, em média, de 20 a 35 anos.  

A Neon é uma fintech especializada na abertura e movimentação de contas-correntes digitais para pessoas físicas e, mais recentemente, jurídicas (PJ). Durante um ano, a empresa desenvolveu testes em uma versão beta, com base de mil usuários, para entender as necessidades e especificidades dos clientes PJ.

No primeiro semestre deste ano, a Neon recebeu um aporte de R$72 milhões, um dos maiores investimentos Série A já realizado em uma Fintech brasileira. Hoje, a empresa atua em parceria com o banco Votorantim, que mantém a custódia das contas da carteira de clientes, e oferece todos os serviços de forma 100% digital.

A ideia de ser uma empresa descomplicada vai de encontro ao público-alvo da empresa: millennials, o grupo formado por jovens entre 18 a 35 anos de idade que já nasceram no universo da internet, que são, em sua maioria, heavy users de mídias sociais e compartilham suas experiências online.  “Quem vive em centros urbanos como São Paulo não tem tempo para ir ao banco até às 16h. E, além disso, é chato”, disse Lara Mengatti, Relações Públicas da Neon, durante o bate-papo com os grupos de empreendedores.

Abrir uma conta no Neon leva, em média, quatro minutos. O pedido da abertura da conta é feito pelo site ou aplicativo. O usuário realiza um cadastro breve e precisa enviar cópia digitalizada de um documento com foto, comprovante de residência e, no caso de PJ, o contrato social atualizado da empresa. Segundo Mengatti, os downloads do app da Fintech ultrapassaram a meta estimada em janeiro pela empresa: em novembro a Neon acumula 1 milhão e meio de usuários.

Com crescimento exponencial, a Fintech segue o ritmo acelerado dos millennials e se prepara para trazer lançamentos de produtos financeiros em 2019.

No vídeo abaixo, Lara Mengatti fala sobre a importância do Tour para fortalecer o ecossistema de startups brasileiro:

“Cidade” Mercado Livre

O roteiro seguiu até a Melicidade, em Osasco. Meli, como é conhecida, é a sede do Mercado Livre, a maior e mais popular plataforma e-commerce da América Latina. O local, antes um galpão abandonado, recebeu R$120 milhões de reais em investimentos para se tornar uma minicidade e abrigar, com conforto e lazer, seus mais de 2.200 funcionários.

O restaurante da Meli foi o espaço escolhido para a pausa do almoço. Os participantes aproveitaram para compartilhar suas impressões sobre os espaços visitados, suas expectativas com a tour e os trabalhos que desenvolvem.

Henrique Leal, supervisor da área de desenvolvimento de negócios, e Rodrigo Prates, gerente de desenvolvimento de software, guiaram o grupo pelos espaços da minicidade, contando a história da construção, serviços oferecidos e divisão dos setores. O e-commerce está presente em mais de 19 países, sendo o gigante da América Latina, e tem no Brasil cerca de 60% de suas transações.

Henrique deu uma verdadeira aula e apresentou um pouco sobre as sete unidades de negócio do Mercado Livre: classificados, marketplace, logística, plataforma de criação de sites de e-commerce, mercadopago, mercadolivre publicidade e mercadolivre pontos.

​Rodrigo fala sobre a iniciativa do Mercado Livre em compartilhar suas APIs (Interface de Programação de Aplicações) com outras empresas que querem construir suas plataformas de e-commerce “Hoje nós temos o papel de estar no mercado identificando essas empresas, potenciais parceiros, com boas propostas para trabalhar e ajudando eles com a implementação e suporte das APIs.”, comenta.

No vídeo a seguir, Henrique Leal Teixeira compartilha sua experiência em receber o Innovation Tour + Plus Day: 

Um dos pontos altos do Tour pelo Mercado Livre, foi a apresentação dos programas de investimentos em startups. Henrique Leal Teixeira contou que esse investimento se dá por conta da comunidade de desenvolvedores.

Há cinco anos o Mercado Livre começou a investir e fazer aquisições de startups. O processo de seleção leva em conta aquelas que mais podem contribuir com o ecossistema da empresa. “Não temos um limite para investir. O foco é achar startups que sejam facilmente agregadas ao nosso ecossistema “, diz o executivo.

DOMO, o anjo do investimento

Com dois anos ativos no mercado, a DOMO Invest é focada em venture capital e tem forte atuação com startups early stage de base tecnológica. A empresa nasceu da junção dos sócios da Koolen & Partners, ex empreendedores do Buscapé; com Rodrigo Borges, Felipe Andrade, fundador da BroadSpan Capital e Gabriel Sidi, gestor de fundos imobiliários.

A DOMO foi representada por Gabriel Sidi, que apresentou um panorama da empresa e compartilhou como financiam e ajudam empreendedores e suas startups a se solidificarem no mercado de tecnologia. “Também atuamos como advisor nas áreas da empresa que exigem crescimento mais acelerado”, contou o executivo.

Recentemente, a DOMO foi escolhida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ser gestora do fundo de investimentos Coinvestimento Anjo. E tem mais: a organização levantou no ano passado um fundo próprio de R$100 milhões para investir em até 20 startups. Entre as já contempladas, estão Turbi, Noverde, Neon e AgendaEdu.

Veja a seguir o depoimento de Gabriel Sidi sobre a troca de experiências que o Innovation Tour + Plus Day proporcionou:

Investimento Bossa Nova

Em meio à movimentada Avenida Angélica, coração de Higienópolis,  a Bossa Nova Investimentos opera para ajudar startups a alavancarem seus passos. Liderada pelos empresários Pierre Schurmann e João Kepler, a empresa tem a meta de investir em até 1 mil startups até 2020.

André Kabbani, Analista da Bossa Nova que recebeu os empreendedores do Startupi Innovation Tour + Plus Day, contou que o foco da empresa é o investimento em negócios inovadores, digitais e que já estejam validados, operando e faturando, ainda que pouco, e no breakeven. “As áreas que mais nos interessam são educação, saúde, fintechs, lawtech, soluções para PME e softwares para varejo”, diz.

A Bossa Nova  é considerada a principal micro venture capital de pré-seed do Brasil e da América Latina. É, ainda, a maior investidora brasileira em número de startups americanas (são 136 startups no portfólio da empresa).  Hoje, a carteira da empresa (em valores) conta com 90% startups brasileiras e 10% americanas.

Confira a seguir o depoimento de André Kabbani sobre a participação da Bossa Nova:

Quer saber em detalhes como foram as outras visitas?

Confira:

Rappi, Oracle Startup Global Ecossystem, Wirecard, Samsung Ocean e Cubo
Movile, Squid e Guia Bolso;
Linkedin, IBM e VTEx;
In Loco, Udacity e Einstein Innovation Lab,
Amaro, Rank My App e Stone.