Fabricio Bloisi, CEO da Movile, anunciou esta tarde que a holding, em conjunto com a Naspers e a Innova Capital, estão realizando um aporte de meio bilhão de dólares no iFood, principal aplicativo de delivery de alimentação da América Latina.

“5 anos em 1 é a nossa meta”, diz Fabricio, em referência ao aporte recebido anteriormente pelo aplicativo, em 2016, que seria investido ao longo de anos. Estes US$500 milhões serão injetados na empresa até 2019, afirma Fabricio.

Embora confirme que desde 2017 a Movile já vale mais de US$1 bilhão, o CEO não abre o valuation de nenhuma das empresas, tanto da Movile quanto do iFood, recém investido. “Na China tem centenas de empresas de US$300 bilhões, nos EUA de US$1 trilhão. No Brasil a gente sonha ter apenas US$1 bilhão. Dá pra fazer muito mais no nosso mercado”, afirma.

Para Fabricio, “é possível ser local e ter uma oferta que é líder global, é possível ter uma empresa de US$10 bilhões”. Carlos Moyses, CEO do iFood, diz que o aplicativo está mudando a forma como as pessoas se alimentam. “A alimentação vai ser cada vez mais disruptiva. Queremos chegar a 100 milhões de entregas por mês daqui algum tempo. A gente achava que o iFood ia ser uma empresa grande, e estávamos errados. É muito maior do que a gente imaginava”, afirma.

O valor de US$500 milhões é o mínimo a ser investido no iFood nos próximos meses. Para os CEOs, este valor tende a aumentar conforme outras investidoras entrem no pool para investir na plataforma. “Este é, provavelmente, o maior aporte privado já feito em empresa de tecnologia no Brasil. O iFood é comparável aos players americanos e maior que quase todos os europeus, também é uma das empresas do segmento que mais crescem no mundo, depois dos chineses”, diz.

Os números do iFood são globais: em média, a empresa cresce 140% ao ano. “Estamos trazendo novos usuários, novos consumidores. As pessoas estão deixando de cozinhar para comprar comida online”, diz Carlos. No último mês, o iFood entregou mais de 10,8 milhões de pedidos, e a previsão para este mês é que chegue a mais de 12 milhões. Diariamente, há uma média de 390 mil deliverys. “Mas há picos de 600 mil entregas por dia”, diz Fabricio.

Em comparação com um dos maiores players do mundo, o GrubHub, os números do iFood despontam. O concorrente norte-americano tem a média de 416 mil ordens por dia, e cresce 40% ao ano. Na plataforma do iFood, são mais de 50 mil restaurantes hoje e, de acordo com Fabricio, o objetivo é triplicar este número nos próximos 18 meses. “Somos 16 vezes maior que o 2º aplicativo de delivery no Brasil, e 20 vezes maior que o 3º. Crescemos uma média de 1,2 milhão de pedidos ao mês, e nossos concorrentes, juntos, não atingem esta marca mensalmente”, explica.

O aporte será utilizado para melhoramento de tecnologias, logística, promoções para atração de uma base maior de clientes, contratação de pessoas e, principalmente, novas fusões e aquisições. Nos últimos anos, o iFood realizou aportes, fusões e aquisições de 30 empresas. “O Ifood vai ser, de longe, algo pra gente se orgulhar de ter feito no Brasil”, completa Carlos.