* Por João Kepler

No Brasil temos histórico de investimento-anjo desde o início da década de 90, efetivados de forma passiva e sem muita organização. Naquela época os Fundos de Venture Capital já haviam sido regulados pela Instrução CVM 209 em 1994 que possibilitou a criação dos Fundos Mútuos de Investimentos em Empresas Emergentes (FMIEEs), nasceram as primeiras Venture Capital como a Confrapar, embora esse tipo de investimento exista no Brasil desde antes da década de 80.

Apesar de terem acontecido várias movimentações de capital de risco nos anos 90 como, por exemplo, a venda do o mecanismo de buscas Zeek! criado em 1997 e vendido a StartMedia por R$ 1,8 milhão e em 1999 o Buscapé recebe seu primeiro investimento da e-plataform e já no ano 2000 após o estouro da bolha, o site recebeu um investimento de US$ 3 milhões do Merrill Lynch e do Unibanco. A iniciativa em Grupos de investidores-anjo privados só começou nos anos 2000 com o Gávea Angel no Rio em 2003, com o Floripa Angels em Florianópolis e em São Paulo com a São Paulo Anjos. Assim como mais empresas de Venture Capital foram fundadas após a Instrução CVM 391 em 2003, o que possibilitou a abertura de Fundos de Investimentos em Participações (FIPs).

Um dos pioneiros desse movimento, especificamente em Investimento Anjo no Brasil, foi Yuri Gitahy que começou em 2007 de forma independente e logo depois em 2008, montou a Aceleradora que veio a ser a primeira aceleradora de Startups no Brasil inspirado na aceleradora Y Combinator dos Estados Unidos. Em seguida veio o Felipe Matos da Startup Farm como segunda aceleradora e logo depois, o Marcelo Sales com a 21212 no Rio de Janeiro. Apesar de pioneiras, as aceleradoras do Yuri e do Marcelo, parecem não operar mais hoje. No entanto, muitas outras aceleradoras foram fundadas nos anos seguintes, como a Aceleratech (ACE hoje) por exemplo. Na mesma época nascia o Portal Startupi pelo investidor Michael Nicklas. Eu comecei a fazer investimento-anjo em 2008 após a minha tentativa fracassada de captar investimento para um e-commerce de ingressos chamado de Show de Ingressos que eu empreendia na época. Tentei no fundo Accel no Silicon Valley e também no Criatec, que era um fundo específico recém lançado na época pelo BNDES destinado a empresas emergentes do setor de tecnologia. Só para ter uma noção de movimentação, em 2009, a Sambatech tinha recebido um investimento de 5 milhões de reais da FIR Capital.

Em 2011, Cassio Spina fundou a entidade Anjos do Brasil que difundiu a ideia e conhecimento sobre o Investimento Anjo para todo o país. Em junho de 2012 surgia a Startup 99Taxis e quase seis anos depois, a 99 tornou-se oficialmente o primeiro unicórnio brasileiro. Em 2013 aconteceu o 1° Congresso de Investimento Anjo na sede da BMF&Bovespa, em São Paulo. Na pesquisa realizada para este evento, já somávamos 6.300 Investidores Anjo no país. Os principais desafios da época já eram a falta de estímulos fiscais, as dificuldades de sair do negócio, insegurança jurídica (riscos trabalhistas e tributários) e a falta de bons projetos para investir. Ou seja, já estávamos 10 anos atrasados em relação ao resto do mundo nesta atividade.

Mas porque estou contando isso? Simplesmente porque temos memória curta, para resgatar a história, para enaltecer os pioneiros, registrar aos iniciantes e evitar que oportunistas contem vantagem sobre o que não fizeram. Além disso, serve também de estudo, para entender a base, a evolução e projetar os próximos anos.

Ano passado, por exemplo, apesar da Anjos do Brasil ter registrado somente 7.616 investidores Pessoas Físicas, o volume de investimentos vem crescendo ano após ano e já chegamos ao patamar de R$ 1 bilhão investidos. Isso porque aumentou a segurança jurídica, divulgação de Exits e unicórnios Brasileiros como 99, PagSeguro e Nubank acontecendo, queda da taxa de juros e o aumento dos investidores anjo de forma Proativa.

Hoje quando olhamos para o retrovisor percebemos que valeu muito a pena apostar no Investimento Anjo, no Capital de Risco e no intangível e já podemos começar a colher os frutos hoje e daqui por diante. Quando olho também para “dentro de casa”, vejo diversos casos de boas Startups fundadas em 2013 no meu portfólio, startups de sucessos e os fracassos que já passaram por mim, percebo claramente que serviram como referência para chegar onde chegamos hoje e me ensinaram a ser mais assertivo e a enxergar o que preciso fazer daqui pra frente.

Todo esse ensinamento e com alguns prêmios recebidos pela comunidade Empreendedora de [Melhor Investidor Anjo do Brasil], e pelo fato de ter sido empreendedor de diversos negócios antes de me tornar Investidor Anjo, me credenciou a ser um Empreendedor que investe. E quando você conhece na prática como funciona a jornada de uma Startup, desde a ideia, modelagem, desenvolvimento, validação, operação, passando pela fase Struggle, é mais fácil entender como pensa e se comporta um empreendedor. Esse é meu caso!

Hoje ando bem acompanhado de outro pioneiro na internet brasileira, o Pierre Shurmann, que tem uma história bem parecida com a minha de desafios e realizações, de assertividade, de pioneirismo e visão além do óbvio. Enfim, juntos desde 2015 com todo esse aprendizado embarcados na Bossa Nova, que é uma empresa de investimentos em estágio Anjo e Pré-Seed, só que totalmente Pró-Empreendedor.

O que em 2013 começou a despontar como uma oportunidade, hoje 5 anos depois, temos a confirmação e consolidação, e a certeza de que mais e mais investimentos chegarão para esse estágio e tipo de negócio no Brasil.

Eu conto os bastidores do Investimento Anjo, inclusive relaciono os nomes dos principais investidores no Brasil, no meu novo Livro [SMART MONEY — A ARTE de ATRAIR Investidores e Dinheiro inteligente para meu Negócio] que já está disponível na Amazon.