Aconteceu na última semana, entre os dias 7 e 9 de novembro, em Florianópolis, a sexta edição do RD Summit, considerado o maior evento de marketing e vendas da América Latina, promovido pela Resultados Digitais. O CentroSul, centro de eventos da capital catarinense, recebeu mais de 11 mil participantes de todas as partes do mundo, principalmente da América Latina e países onde a RD inaugurou recentemente escritórios: México e Colômbia.

Os números do evento impressionam: são mais de 150 palestrantes, mais de 100 patrocinadores e uma área de 28 mil metros quadrados. O conteúdo apresentado no evento, com nove palcos simultâneos, direcionou-se às pequenas e médias empresas presentes, muitas clientes da RD, para falar sobre escalabilidade, inovação, mídias digitais, criatividade e experiência do usuário. Um dos assuntos recorrentes durante os três dias de evento foi como nós, atualmente nos relacionamos, seja com o cliente, com o colega ou com a tecnologia. Confira:

Relações Artificiais

A primeira palestra do palco principal do evento foi apresentada por Martha Gabriel, especialista em Inteligência Artificial, considerada um dos principais pensadores digitais no Brasil. Martha falou sobre como a Inteligência Artificial está mudando a humanidade, desde a forma como lidamos com o outro individualmente até a forma como nos organizamos como sociedade.

De acordo com ela, embora pensemos em robôs com características humanas, como nos filmes “O Homem Bicentenário” ou “Eu, Robô”, a realidade da IA não é necessariamente esta. Há estágios de inteligência, como a Artificial Narrow Intelligence, também conhecida como Weak AI. “Este é o tipo de Inteligência Artificial que ganha nos jogos de xadrez, por exemplo. Estes computadores são excelentes nisso, porém só são excelentes em uma função específica”, diz.

Há a chamada General, que é uma Inteligência Artificial semelhante à humana, que é autoconsciente e o nível máximo, o da Superinteligência, que é o caso em que os robôs chegariam a superar a capacidade e complexidade humana da inteligência. Estes dois últimos tipos, entretanto, ainda não são a realidade dos robôs que conhecemos comumente pelo mundo. “Precisaremos aprender a conviver com essas máquinas, não tentando barrar sua evolução, mas desenvolvendo aquilo que elas não possuem: nossa parte humana”, completa.

Relações Humanas

Um dos palestrantes que se apresentaram logo após Martha foi Marcos Piangers, autor do best seller “O Papai é Pop”. “A Martha falou de Inteligência Artificial; eu vou falar de Inteligência Orgânica, humana”. Para ele, os dias atuais fazem com que as pessoas, independente da idade, cultivem cada vez mais relações artificiais e menos relações humanas. “A gente não pode se deixar esquecer que a tecnologia é commodity, o ser humano é que é o diferencial”, afirma.

Embora, para ele, a forma de nos relacionarmos com o outro esteja em uma mudança drástica, a tecnologia existe para ajudar o ser humano a dar o melhor de si a cada dia, transformando-nos em seres mais produtos e eficientes. “Ninguém nasceu para trabalhar das 8h às 18h todos os dias e se relacionar com pessoas que não escolheu”, diz, afirmando que a tecnologia, em algum momento, dará à sociedade total autonomia para que as pessoas façam sempre o que gostam, como gostam, e assim colocar o diferencial humano à frente de qualquer máquina.

“Hoje, diariamente, pessoas estão criando oportunidades de negócio através da tecnologia. Só nos próximos anos, mais de 5 bilhões de pessoas passarão a acessar a internet”. Para ele, é importante que esta ferramenta tão poderosa, capaz da maior mudança já vista na história humana, seja utilizada da forma certa. “Quanto mais ligados às telas estamos, menos exercemos nossa criatividade. Uma pesquisa mostra que os aplicativos mais utilizados hoje são os que deixam os usuários mais infelizes ao final do uso”, diz Piangers. Aplicativos que dão uma sensação de prazer ao final do uso são os que menos são utilizados pelos usuários, de forma global.

Para fomentar o uso das tecnologias da melhor forma possível, o palestrante acredita que o segredo esteja no desenvolvimento da criatividade. “Precisamos utilizar a criatividade como as crianças fazem. Hoje, este é um papel fundamental nas maiores empresas do mundo, algo que a tecnologia não tem: a capacidade de imaginar”, completa.

Relações Estratégicas

Quem também desembarcou em Florianópolis foi o consultor Bill Macaitis, que lotou o palco principal do evento ao falar sobre as estratégias de marketing de grandes companhias que ele ajudou a se tornarem alguns dos mais importantes unicórnios do mundo: Slack, Zendesk e Salesforce.

“Estamos poluindo a experiência do cliente pela forma como fazemos negócio hoje”, afirmou Bill. Para ele, o que estas três empresas têm em comum, assim como a maioria dos unicórnios ao redor do mundo, é a forma como priorizam o cliente. “Os seus clientes podem descrever que você é de uma forma muito melhor que você, por isso é importante minimizar as barreiras para o usuário”, diz, citando formulários e direcionamentos de links como exemplo.

Para desenvolver um modelo de marketing que foque principalmente no cliente, Bill dá algumas dicas. Sobre analytics, ele diz que Net Promoter Score, por exemplo é uma excelente ferramenta para medir quão propensos seus clientes estão de indicar sua empresa para outras pessoas.

Para ele, um time que se dedique ao product marketing pode gerar leads promissores à empresa. Também o squad de crescimento deve dar atenção aos testes para entregar uma experiência cada vez melhor aos usuários, diminuindo os pontos de atrito entre produto e cliente e definindo os caminhos que levam de forma eficiente as ofertas para cada público. “Personalização de produtos e serviços também são bons caminhos”, diz Bill.

Relações Competitivas

“O marketing digital não é marketing. É uma camada da sociedade que envolve negócios, comunicação, relacionamento”. É assim que Estêvão Soares, especialista em marketing digital, descreve esta atividade. Para Estêvão, o segredo do sucesso no negócio é fazer cada vez melhor aquilo que sua empresa faz, não focando no que o concorrente faz. “É necessário muito esforço para ter um negócio que seja igual ao do seu concorrente. E, ainda assim, você irá falhar” afirma.

Para se destacar, apenas excelência no produto. Tão importante quanto oferecer um serviço de qualidade é a percepção do cliente quanto a isso. “O posicionamento da empresa não é apenas um alinhamento interno, é a percepção do público quanto ao seu negócio. Ter diferenciais competitivos não é o suficiente, mais importante que isso é saber comunicá-los ao seu cliente”, explica Estêvão.

Por fim, o palestrante citou alguns pontos que acredita serem essenciais na hora de traçar processos e estratégias para a comunicação e venda da empresa: atue em um nicho; faça up selling e cross selling; seja o primeiro no que se propuser a fazer, assim será sempre lembrado; seja mais rápido que os concorrentes, e sempre busque eficiência operacional.

Relações de Equipe

Um dos destaques do evento foi Fábio Gurgel, um dos maiores lutadores de jiu jitsu do mundo. Fábio foi vencedor de quatro títulos mundiais e a equipe que fundou há 25 anos, a Alliance, é responsável por 11 títulos mundiais na categoria masculina e 10 na feminina.

“Não importa o tamanho do mercado, você acha que é bom o suficiente para se destacar nele?” Foi esta a reflexão que o pai de Fábio propôs a ele quando ele anunciou à família sua decisão de viver da arte marcial, aos 16. Aos 19, em 1989, Fábio conquistou sua faixa preta, e entre 1996 e 2001, conquistou quatro vezes o título de melhor lutador de jiu jitsu do mundo.

“Lá pelos anos 90, 2000,nós percebemos que a exigência do jiu jitsu era uma coisa muito dura. Apenas 3% das pessoas que praticam competem profissionalmente. O que fazemos com os outros 97%?”, pergunta Fábio. Para solucionar este problema, o atleta foi buscar as respostas nos Estados Unidos, em uma arte chamada Wing Tsun. “Por lá, esta arte estava fazendo um enorme sucesso, apesar de não ter me impressionado em nada”, diz.

O que o Wing Tsun tinha que o jiu jitsu praticado por Fábio não tinha? Uma clara metodologia. Para resolver esta questão, o atleta resgatou todos os aprendizados que recebeu desde que começou o esporte, aos 13 anos, e os colocou em uma metodologia que até hoje é praticada em todas as suas academias, que somam mais de 30 mil alunos ao redor do mundo. “Para escalar um negócio, qualquer que seja ele, é importante ter clara a sua metodologia, ou você se perde”, explica.

Relações com Influenciadores

O consultor de marketing Edney Souza, conhecido como “Interney”, foi responsável por uma das maiores palestras sobre influenciadores digitais do evento. Na ocasião, Edney abordou estratégias, riscos e métricas de trabalhar uma marca com influenciadores da internet.

Ele destaca a importância de conhecer a fundo o tipo de conteúdo que os influenciadores da sua área produzem.”Você sempre precisa mapear os influenciadores do seu segmento, quem são as pessoas que fazem a cabeça dos seus consumidores, queria você contratá-los ou não”, afirmou.

Algumas dicas na hora de trabalhar com estes profissionais é traçar uma estratégia para saber qual o tipo de perfil de influenciador tem mais a ver com a sua ação. Se uma marca está lançando um novo produto e precisa atrair a atenção do público, as celebridades podem ser uma boa opção, já que elas têm bastante alcance.

Na fase de consideração, usar especialistas de mercado para testar e demonstrar o produto da marca pode gerar mais resultado, uma vez que o público destes especialistas tendem a confiar mais em seus posts. “É aquela história de colocar a Gisele Bundchen para fazer comercial de shampoo. Eu vou conhecer a marca porque o que a modelo faz me impacta, mas não acredito que ela utilize aquele produto. Mas se eu colocar o cabeleireiro das estrelas para utilizar o shampoo em suas clientes, a tendência é que eu acredite, uma vez que a reputação dele depende da qualidade daquele produto”, explica.

Já os microinfluenciadores são uma estratégia eficiente na fase de vendas do funil, já que eles falam a mesma língua que os clientes. “Se eu vejo ao Gisele Bundchen utilizando o shampoo eu posso achar que não é pra mim, mas se eu vejo uma ‘anônima’ que eu sigo utilizando o produto e falando bem dele, essa ação vai me impactar na hora da decisão de compra de uma forma positiva, porque eu e a microinfluenciadora compartilhamos do mesmo cotidiano”, completa.

Relações que Emocionam

Quem encerrou o último dia de evento foi Gustavo Kuerten, ex-tenista. “Manezinho da ilha”, Guga lotou a plenária do evento, com capacidade para 5 mil pessoas, para contar seu case de sucesso que marcou a história do esporte de forma mundial e dar uma aula sobre inspiração, foco e bom humor.

Interagindo com o público desde o momento em que pisou no palco, Guga contou sua história desde o início até quando se tornou campeão de Roland Garros, torneio máximo de tênis no mundo. Tri-campeão, Guga detém os títulos de 1997, 2000 e 2001.

Quando começou a jogar, o atleta conta que não tinha patrocínio e muito menos quadra para treinar, mas o sonho de viver do esporte que amava não o impediria de chegar ao topo da lista de melhores do mundo no tênis. “Precisamos ser disruptivos se quisermos mexer com a nossa realidade”, diz.

Mesmo após se tornar destaque mundial do esporte, Guga passou por situações difíceis para um atleta, como contusões e perdas de patrocínio, mas todas estas adversidades sempre foram superadas por ele e por todos que estavam ao seu lado: treinador, equipe, família, como membros de um só time. “Se você quer gerar impacto , é preciso também se dedicar às pessoas. São elas que farão a diferença na hora da encruzilhada, do tropeço”, afirma.

Tímido, Guga conta que sempre, inevitavelmente, chegou a duvidar de si mesmo. “Precisamos trabalhar a nossa convicção todos os dias”, diz. “Quando eu desanimava, eu precisava lembrar que tinha que entrar em quadra e dar o melhor que eu poderia ali dentro, porque depois que o jogo acabasse não tinha mais nada que eu pudesse fazer.”

Ao final de sua apresentação, aclamada pelos presentes, o tri-campeão mundial lembrou ao público que, diariamente, é preciso se aperfeiçoar, ninguém se torna o maior atleta do mundo em seu esporte de um dia para o outro. “Eu começo a correr hoje e, de repente, tenho que escalar o Everest? Eu esqueço todas as etapas que eu preciso para crescer, me adaptar e evoluir?”, pergunta. “A gente sempre quer só a recompensa, saber onde aquele caminho vai chegar, queremos tanto a resposta que esquecemos de fazer. As etapas do caminho são fundamentais”, afirma.

“Com a tecnologia, vocês não têm mais fronteiras. A humanidade está cheia de capacidades. Perguntem-se: ‘o que eu quero deixar para o mundo?'”, finalizou.

E você, o que quer deixar para o mundo?