* Por Exame.com

Em meio a escândalos recentes envolvendo a privacidade de seus 2,2 bilhões de usuários, o Facebook vem perdendo prestígio. Diante de um quadro complexo que inclui venda de dados, discurso de ódio e até o governo russo, o presidente da empresa, Mark Zuckerberg, passou a ser visto como um mau gestor e a ter seu posto ameaçado. Ele ocupa as posições de CEO e de presidente do conselho da rede social.

Segundo o site CNET, alguns investidores da empresa não estão mais satisfeitos com a permanência de Zuckerberg no posto e sugerem sua saída. O movimento veio após a revelação feita em setembro de que hackers roubaram informações pessoais de 25 milhões de usuários, afetando quase 50 milhões de contas no total. Mesmo assim, o fundador da maior rede social não pretende largar a presidência. “Esse não é o plano”, disse Zuckerberg em entrevista exclusiva feita à CNN nesta quarta (21).

Questionado se algo poderia mudar sua posição, Zuckerberg disse que “eventualmente, com o tempo”. “Eu não farei isso para sempre, mas com certeza acho que atualmente isso não faz sentido” explicou.

Presidente consolida posicionamento do Facebook

As declarações de Zuckerberg à CNN serviram para firmar o posicionamento da empresa quanto às questões recentes nas quais a rede social esteve envolvida. Os últimos dias foram marcados pela repercussão de uma longa reportagem do The New York Times sobre a omissão da equipe de coordenação da empresa sobre a ação da Rússia na eleição americana de 2016.

Investidores também pedem que Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações do Facebook deixe o cargo, segundo reportagem do site Business Insider. Na entrevista, Zuckerberg defendeu a colega. “Sandberg é uma parte importante dessa empresa e tem sido uma parceira importante para mim nos últimos dez anos. Estou muito orgulhoso do trabalho que fizemos, e espero que trabalhemos juntos pelas próximas décadas que virão”, afirmou.

O dono do Facebook defendeu ainda a visão de que sua empresa não deve ser responsabilizada exclusivamente sobre ações tão abrangentes. “As questões com as quais estamos lidando ultimamente, como prevenir a interferência de outros países nas eleições e encontrar o equilíbrio entre dar voz às pessoas e mantê-las seguras não são questões que uma única empresa pode resolver”, disse Zuckerberg.

Questionado sobre a decisão de manter um post de 2015 do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrário à migração de muçulmanos para o país e considerado por muitos críticos como discurso de ódio, Zuckerberg se defendeu dizendo: “nós fizemos a coisa certa”. “Eu acho que é muito importante que as pessoas tenham a oportunidade de ouvir o que os líderes políticos estão dizendo”, explicou.

* Por Ariane Alves para Exame.com