* Por Giovanni Salvador

Squads em tecnologia são times completos, multidisciplinares e autônomos para desenvolvimento de produtos. O termo é amplamente usado por grandes empresas de tecnologia, startups e organizações que utilizam Ágil como filosofia de gestão.

Os Squads são guiados por um ou uma Product Owner (PO), figura responsável pela priorização do trabalho do time. No BossaBox, os Squads são formados por:

  1. POs;
  2. líderes de tecnologia e design;
  3. designers UX/UI;
  4. desenvolvedores e/ou desenvolvedoras front-end;
  5. desenvolvedores e/ou desenvolvedoras back-end.

O tamanho e formação desses Squads remotos dependem de variáveis como complexidade do produto, tecnologias utilizadas e formato do escopo: fechado ou aberto.

E, claro, remotos são relativos ao fato das pessoas envolvidas neste time estarem externas, fisicamente, à empresa.

Por que Squads remotos são uma excelente alternativa para o desenvolvimento do seu produto? Vamos listar alguns motivos:

Força de trabalho vs. localização geográfica

Nem sempre o estado ou cidade em que sua empresa está situada é a melhor opção para achar a força de trabalho necessária para compor seu Squad. Principalmente, se no seu caso, o objetivo for desenvolver um produto do zero, através do qual sua empresa irá conseguir clientes, operar o modelo de negócio, faturar e entregar valor para os stakeholders. Nesse caso será preciso desenvolver um produto profissional, com tecnologias robustas e escaláveis para sua empresa.

Achar as pessoas certas para a composição do time é crucial para o sucesso do desenvolvimento. E probabilisticamente, você tem mais chances de achar a pessoa certa sem ter como premissa a localização geográfica. É simples, há muitas desenvolvedoras, desenvolvedores e designers excelentes espalhados em pequenas cidades do interior, assim como freelancers profissionais ou ainda na faculdade, por exemplo. E se você tiver sua empresa sediada em grandes cidades, como São Paulo, ainda terá que lidar com salários inflacionados pela alta procura de bons profissionais de tecnologia e design. Lidar com força de trabalho remota, bem qualificada e curada, é desviar desse tipo de questão.

Infraestrutura e custo da operação

Contratar Squads completos exigirá que você tenha um escritório que comporte essas pessoas — aqui, a título de exemplo e experiência do BossaBox, tomaremos por base 5 pessoas. Você precisará não só das posições, mas também de “facilities” como café, material de escritório, limpeza e outros benefícios que seu time “core” já tem. Mas expandir esses benefícios custa, podendo essa não ser uma alternativa viável para o seu momento ou não ser tão enxuta quanto poderia para sua estrutura de custos.

Ainda sobre quanto esse custo representa, vamos supor que essas pessoas terão salários CLT de mercado e têm um nível de senioridade equivalente. Esse Squad pode variar entre R$40 mil e R$65 mil, por mês, levando em conta: CLT, senioridade, média salarial por cidade, estado, benefícios, remuneração variável, entre outros aspectos. Em contrapartida, o custo de contratar um Squad remoto ou através do BossaBox, por exemplo, com um time de 4 a 6 pessoas pode variar entre apenas 1 ou 2 salários do time anterior. Como é possível? Veja abaixo.

Tendência de trabalho remoto

Segundo a pesquisa realizada pela Freelancing in America Survey, 50,9% da população americana trabalhará como freelancer até 2027. Acha muito tempo até lá? Em 2017 o número era de 36% nos EUA. Pois é, e a tendência é mais forte do que aparenta no Brasil. O trabalho remoto além de possibilitar uma qualidade de vida melhor às pessoas, ter custo menor para a empresa e ser uma tendência mundial, ainda é capaz de acelerar o processo de desenvolvimento do seu produto por uma questão de foco. Pessoas em diferentes lugares trabalhando pelo mesmo projeto, no mesmo time, tendem a ter contatos pragmáticos, via Zoom, Go To Meeting, Skype etc. O que diminui a quebra de produtividade que existe, muitas vezes, no ambiente físico, isso por conta de barulho, distração, movimento, entre outros pontos.

Você deve estar se perguntando como o trabalho dessas pessoas pode se comparar a funcionários presenciais.

Pois bem, elas são freelancers profissionais ou full-time freelancers, que provavelmente terão outras fontes de renda e o mesmo comprometimento, afinal, é o que fazem para viver. Outro ponto importante é comodidade, essas pessoas não terão custo de locomoção, alimentação fora, horas de trânsito ou transporte, entre outras variáveis que podem ser levadas em consideração. Caso sejam pessoas de estados onde a procura por profissionais de tecnologia é menor, o que leva a salários “baixos”, comparados aos de grandes capitais, trabalhar em squads remotos pode ser excelente, ainda mais se morarem mais afastadas, o que aumentaria os custos citados acima. Isso cria uma situação de aumento de produtividade, diminuição de custos, aumento de agilidade e excelentes consequências para o desenvolvimento de um produto.

Premissas de sucesso para Squads Remotos

Para que seu produto seja bem sucedido, você precisará dar muita atenção a alguns pontos:

1) Metodologia

Sobre esse tema, como dito no início e segundo a filosofia seguida pelo BossaBox e a maior parte do mercado e setor de desenvolvimento de produtos, entendemos como sendo a melhor opção estudar, entender e reproduzir as Metodologias Ágeis. E sobre isso, você pode ler um material completo desenvolvido pelo nosso time de operações para compreensão e aplicação na prática.

PocketBook de Metodologias Ágeis: entenda os papéis, eventos e artefatos para implementar na sua empresa

2) Comunicação e Alinhamento

Já que estão distantes, as pessoas precisam se comunicar constantemente. É necessário fazer o Daily Scrum, mesmo que remoto, via bot, planilha ou call, mas no caso de ser via call há o impedimento sobre todos os membros estarem disponíveis no mesmo horário. Membros de times remotos devem poder produzir no período do dia em que têm disponibilidade e preferem, desde que cumpram seus Story Points e sua função dentro da Sprint.

Utilize Slack para chat e diminua em 48% a troca de e-mails e Zoom para calls gravados, quando necessária a documentação.

3) Qualidade dos Profissionais

Há muitas formas de se resolver esse problema. Contratando plataformas de recrutamento, criando processos efetivos de seleção e contratação, remunerando bem os bons profissionais e fazendo curadorias minuciosas e completas, como fazemos no BossaBox — via produto.

4) Ferramentas de Trabalho

Começamos dizendo que existem muitas! Então, defina o seu “Tool Box” orientado à produtividade, qualidade da ferramenta, custo por mês por usuário e criação de valor para sua operação. Também fizemos um material muito completo sobre nosso ToolBox 1.0: Trello, GitLab, Slack e InVision. No material, há todas as ferramentas e os Hacks de cada uma dentro de um processo de produção de software.  

PocketBook de Ferramentas para Gestão de Squads Remotos.

5) Escopo de Produto

Sugerimos a utilização do framework de trabalho: User Story Mapping. Através desse formato, será possível compreender os usuários e definir um bom escopo para o PO e o time trabalharem em cima, priorizando os objetivos e estratégias do negócio e como isso se reflete no produto. Temos um template (um texto explicando o framework) para você começar o seu!

6) Tecnologias

Definir a Stack do seu produto é igualmente crítico. Um bom Analista de Negócios ou PO poderão ajudar com eficiência e assertividade. Você pode ler sobre as linguagens mais importantes aqui.

7) Planejamento

Ter um planejamento claro e efetivo é essencial para guiar Squads remotos. É necessário para que estejam alinhados e possam ser autônomos dentro das funções e tarefas designadas no planejamento. Os papéis, atividades, entregas, datas e ferramentas devem estar todos dentro do planejamento. Acesse o Trello Template de Gestão de Produtos feito pelo time do BossaBox.


_dsc8401Giovanni fundou sua primeira startup aos 16 anos, um marketplace de cupons para bairros isolados dos centros, investiu R$50 mil e não sucedeu, mas aprendeu muito sobre investimentos, startups, tecnologia e mobile. Depois, implementou uma área de desenvolvimento mobile em uma consultoria de TI, desenvolveu projetos para grandes clientes e faturou R$350 mil em vendas. No final de 2015, fundou a Bossa iNova, uma softwarehouse com foco em startups. Da softwarehouse, nasceu o bossabox.com, um marketplace de desenvolvimento de software.