*Por Roberto Colletta

Startups que começaram pequenas, mas com propostas de negócios inovadoras a ponto de se tornarem grandes sucessos mundiais. Adicione a isso o feito de ultrapassarem o valor de US$1 bilhão na avaliação de mercado, antes mesmo de abrirem seu capital em bolsas de valores. Não é por acaso, portanto, que essas empresas ganharam a denominação de “unicórnio”, por terem conseguido algo tão extraordinário quanto encontrar a figura do ser mítico.

Em 2013, quando a investidora americana Aileen Lee apresentou o termo em seu artigo Welcome To The Unicorn Club: Learning From Billion-Dollar Startups, existiam apenas 39 empresas consideradas unicórnio. Agora, 275 startups alcançaram o tão almejado  status no mundo, e entre elas, três são brasileiras: o aplicativo de transporte 99, o serviço financeiro Nubank e a plataforma de pagamento PagSeguro. Já os maiores unicórnios incluem a americana Uber e a Airbnb, que oferece serviço online de hospedagem comunitária.

Entre as 275  unicórnios globais, 14 são do segmento de Healthcare, tendo como principais representante as startups:

Intarcia Therapeutics:  biofarmacêutica que desenvolve terapias para garantir o melhor resultado do tratamento, otimizando a conveniência e a adesão do paciente.

Outcome Health: empresa de inovação em saúde que facilita os resultados para pacientes, cuidadores e profissionais de saúde a partir do ponto de atendimento.

United Imaging Healthcare:  desenvolve e produz equipamentos médicos de imagem e radioterapia de alto desempenho, além de fornecer soluções de TI inteligentes para o setor de saúde.

No Brasil, existem cerca de 10 mil startups, sendo 263 dessas voltadas para a área da saúde, segundo a Liga Ventures. Ainda que nenhuma startup HealthTech brasileira tenha adquirido o status unicórnio, esse segmento é um dos mais promissores do país. Isso porque grandes corporações investem em soluções tecnológicas com o objetivo de inovar o atendimento médico, um movimento que se ampliou depois que foi aberta a possibilidade de o  capital estrangeiro participar do setor de saúde em 2015.

Com a grande capacidade demonstrada por muitas dessas startups, é bem provável que nos próximos dois anos teremos um cenário mais claro sobre as empresas do segmento que estarão no caminho de se tornarem unicórnios. A Health Angels auxilia as startups no estágio realmente inicial do empreendimento, o estágio de anjo, mas o capital humano presente no time de mentores e consultores, certamente contribui para que as promessas com potencial de atingir o tão sonhado status tenham sucesso.

Com um serviço ousado e empreendedor, é possível alcançar a marca de unicórnio. São iniciativas como as que priorizam a acessibilidade ao sistema de saúde brasileiro,  melhorias de processos e atendimento médico, assim como prevenção e diagnóstico, que ganham espaço no mercado e possibilitam a expansão tecnológica para além dos dispositivos móveis, apresentando soluções estratégicas para redes de centros médicos e seus consumidores. E esse é um processo que vem ocorrendo no exterior e também no Brasil.

* Roberto Colletta é diretor da Health Angels, aceleradora de startups atuantes no setor de saúde.