* Por Anderson Arcenio

Nos incomoda saber a quantidade de boas ideias que não saem do papel ou a quantidade que saem da maneira inadequada, e como tudo isso leva as pessoas a se frustrarem e a inovação a ser mais lenta no nosso país.

Vamos refletir juntos sobre alguns pontos para que isso não aconteça também com você?

A questão cultural

Existe algo que está presente em praticamente todo brasileiro: o medo de errar. O medo de fracassar. É difícil explicar onde ou porque isso começou, mas certamente é algo que gerações e gerações vêm carregando.

Em países como o EUA vemos diversos relatos de um cenário diferente. Existe inclusive um reconhecimento pelo fracasso, devido à coragem da pessoa em tomar determinado risco e principalmente por aprender e amadurecer com esta experiência.

Desconstruir uma mentalidade é muito mais difícil do que construir. Mas não tem jeito, assim como tantas outras “construções” que carregamos, esta é uma das que temos que nos esforçar para deixar de lado e com isso conseguirmos avançar e inovar.

Existe um outro medo também recorrente. O medo de falar daquela ideia com outras pessoas. O medo de que estas pessoas roubem sua ideia. A ideia sozinha infelizmente não vale quase nada. Compartilhando você certamente irá aprender mais, criar conexões e quem sabe conseguir clientes e parceiros. O que importa é a execução em alto nível, lembre-se disso.

As motivações corretas

Sempre que temos a oportunidade de conversar com novos empreendedores buscamos mostrar a realidade para eles. Inclusive, recentemente, começamos um trabalho mais focado em compartilhar essas experiências em outros formatos.

Sim, é possível transformar uma ideia em uma startup, e esta startup em uma grande empresa capaz de gerar um alto impacto. Mas a chance disto acontecer não é das maiores, e mais do que isto, se ela acontecer, possivelmente vai demorar um bom tempo.

Por isso é importante se preparar para esta jornada, se preparar tecnicamente, psicologicamente e financeiramente, sonhar grande mas começar pequeno, e colocar muita energia na busca de um modelo de negócio sustentável economicamente para sua empresa desde o início.

Ninguém faz nada sozinho

Tenho certeza de que se eu não tivesse tido bons sócios nas empresas que me envolvi, nada do que foi construído teria sido possível.

Se você está no estágio inicial, busque cofundadores para tocar este novo negócio com você. Busque pessoas complementares ao seu conhecimento ou experiência. Busque pessoas focadas e disciplinadas, que tratem essa startup com a mesma prioridade que você. Busque pessoas que compartilham dos mesmos valores. Vocês vão discordar ou discutir em alguns momentos, é normal e geralmente até positivo para o negócio, mas o respeito e bom clima sempre precisam estar presentes.

Pela nossa experiência, no início é importante que existam ao menos 3 perfis dentro do time fundador: desenvolvedor (a) (considerando que sua empresa tenha base tecnológica), uma pessoa focada em aquisição de clientes (seja ela mais com viés de marketing ou de vendas) e uma pessoa especialista no mercado em que você vai atuar (as conexões e experiências dela tendem a acelerar diversas validações).

Você não constrói uma empresa…

Você constrói um time, e este time constrói a empresa.

Eu vi esta frase outro dia pela internet, e infelizmente não achei seu autor ou autora para dar os devidos créditos, mas a pessoa está de parabéns! Sintetizou em uma frase uma das maiores verdades do empreendedorismo.

Falamos dos sócios no tópico anterior, mas só com eles você ainda não vai conseguir ir muito longe. O time que começa a ser construído depois dali, e que, se tudo der certo, vai crescer ainda mais com o tempo, é o principal ativo da sua empresa.

O meu maior orgulho na Digital Labs não é esse ou aquele produto que criamos, e sim o time que ajudei a montar e que tem trabalhado diariamente para fazer nossa empresa dar os próximos passos.

Terceirização de serviços

Encontrar pessoas talentosas e que compartilham os valores da sua empresa nem sempre vai ser fácil e nem sempre vai estar acessível financeiramente para o seu momento.

Em situações assim você precisa buscar alternativas. E uma delas é encontrando fornecedores para determinado serviço que você precisa. Pesquise bem, peça recomendações, procure empresas que possuam transparência nos processos e boa comunicação.

Nem sempre você vai conseguir especificar 100% do escopo, ainda mais se você estiver em estágios iniciais. Procure empresas que trabalhem com escopo aberto, entregas constantes e, principalmente, que tenham uma postura proativa para propor as melhores soluções para você.

Outros caminhos

Ter um fornecedor no mesmo nível de comprometimento e prioridade que você é muito difícil. Por isso vale refletir sobre outros caminhos que estão surgindo e podem dar outro rumo para sua startup.

Primeiramente: grandes empresas. Muitas grandes empresas sabem que precisam inovar, mas várias delas não sabem como fazer. Crie um modelo de parceria ou sociedade com elas, trabalhem em uma solução que já consiga um grande primeiro cliente e que com isso possa te impulsionar para novos clientes. Resolva problemas, encontre oportunidades em rotinas que estão por aí “funcionando” há tanto tempo.

Outro caminho possível é o de se relacionar com empresas especialistas em execução, mas que tenham este perfil empreendedor e que aceitem correr o risco inicial junto com você. Ventures builders, fábricas de startups, algumas empresas que tenham uma mecânica parecida com a Digital Labs, podem ser um caminho interessante para você ganhar um pacote mais completo, quando mais do que um simples fornecedor, você ganha realmente um sócio para acelerar o seu negócio.

E por fim…

Falamos de vários itens e caminhos aqui, inclusive que se complementam, mas sabe qual é a dica mais simples e talvez a mais difícil de se fazer?

Dar o primeiro passo! Não deixe mais uma ideia ficar só no papel por falta de execução e por todos esses medos que falamos.  Você precisa começar!


Anderson Arcenio é cofundador e CEO da Digital Labs, venture builder responsável por criar startups como o Salus e Protarefa. Também é cofundador do Livebuzz e Sócio da Dinamize. Com 14 anos de experiência com projetos digitais, é pós-graduado em Gerenciamento de Projetos – práticas do PMI, pelo Senac e bacharel em Sistemas de Informação, graduado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP.