* Por Alexandro Barsi

Para que aconteça qualquer transformação é necessário arriscar. E para arriscar é preciso uma boa dose de empenho e ousadia. Vivemos uma era em que a constante mudança não nos dá mais a opção de permitir ou não a transformação. Seja nas nossas vidas pessoais, seja nos rumos que seguimos na condução dos negócios. Porém, percebo que ainda há muita resistência por parte de empresários para realizar esses ajustes e passar por novos processos de convencimento que visem à transformação. Essa condição precisa mudar.

Um dado preocupante. 46% das empresas brasileiras afirmam que um dos desafios da transformação digital se dá por falta de visão estratégica, segundo estudo realizado pela consultoria KPMG. Ou seja, observando o cenário como um todo, o nível de conhecimento sobre o tema é extremamente superficial, sobretudo entre os líderes de grandes companhias. E isso é muito grave, uma vez que se cria um ambiente desfavorável para a transformação digital. A falta de líderes digitais nas empresas tradicionais impede o surgimento de novos modelos de negócio.

Por isso reforço: para arriscar é preciso ousar. Se muitos diretores entendem a importância da transformação digital nos rumos das empresas, a maioria ainda engatinha nesse processo. Segundo dados da IDC, um em cada três CEOs das três mil maiores empresas da América Latina tem a transformação digital como base de sua estratégia corporativa para este ano. Ainda de acordo com a consultoria, em 2020, 60% de todas as empresas terão articulado completamente sua estratégia de plataforma digital para toda a organização e estarão em processo de implementar tal estratégia. É mandatório que essa percepção cresça rapidamente.

Mas entre os que já possuem essa consciência, o que os impedem de avançar? De novo, arriscar. Se manter atualizado em um ambiente digital e em constante rápida atualização não é tarefa fácil. O entendimento dessas novas tecnologias pressupõe tempo. E a busca por resultados imediatos impede isso, na visão de muitos diretores. Somado a isso, a necessidade de investimentos financeiro na adoção dessas tecnologias e falta de percepção clara de seu resultado também jogam contra. Como justificar o direcionamento de recursos em tecnologias que estão em constante evolução? Isso também pode ser bastante arriscado, argumentam esses líderes.

Todos esses argumentos são válidos e devem ser levados em consideração, porém em certo ponto refutados. A principal preocupação dos gestores nos últimos anos, no Brasil, foi com a sobrevivência do negócio. O cenário era receita em queda e despesas crescentes. Essa é uma consequência natural entre as empresas. Entretanto, dificuldades assim sempre vão existir e não devem servir como impeditivo para uma estratégia de transformação digital no core-business das empresas. Esses ajustes devem ser feitos. Do contrário, daqui a pouco, a preocupação será o tempo perdido.

Por isso, aproveite o cenário atual e ouse. Não se trata de competir com companhias que já possuem no seu DNA uma visão digital, mas de se adaptar com a realidade. Para isso, é preciso ir ao encontro do velho mundo com o novo mundo. Ou seja, as empresas precisam atualizar não somente suas tecnologias, mas também seus modelos de negócios, encontrando maneiras de se diferenciar com novos produtos e serviços.

Aqui um ponto importante: sem a reformulação da tecnologia e a capacidade desta de se adaptar constantemente, dificilmente as companhias conseguirão se tornar competitivas a ponto de atender as demandas e expectativas de seus consumidores. Em um ambiente em que a transformação digital se relaciona de forma inerente às mudanças do ambiente de negócios, é vital que essa seja implementada. A falta de incentivos não será justificada por muito tempo.

Todo negócio parte para a jornada da transformação digital de diferentes pontos. Independente dos objetivos que se almejam, das soluções tecnológicas que devem ser adotadas e a forma como estas serão implementadas, o conflito é um só. Todos estão no mesmo dilema. Aprender, ajustar e ousar, buscando parceiros qualificados, ferramentas adequadas e liderança para essa trajetória farão todos os investimentos se justificarem.


Alexandro Barsi é sócio-fundador e CEO do Verity Group, especializado em consultoria para transformação digital e gestão de ponta a ponta.