O Instituto DOr de Pesquisa e Ensino (IDOR) e a Rede DOr São Luiz lançaram, nesta quinta-feira, o Open DOr Healthcare Innovation Hub, uma plataforma de inovação cujo objetivo é agilizar a transformação de boas ideias em bons produtos disponíveis na área médica e hospitalar. O plano é que, com a plataforma, startups tenham a oportunidade de aprimorar produtos e serviços para aplicação no mercado.

“O Open DOr nasce para estimular o empreendedorismo em saúde. Nosso grande objetivo é impulsionar startups para que se tornem globalmente competitivas”, explica o presidente do Conselho Administrativo do IDOR, Jorge Moll Neto. Ele conta que a ideia partiu da observação de que mesmo a pesquisa científica de excelência pode demorar a gerar aplicações que cheguem até o mercado. “É difícil a inovação puramente científica se traduzir numa ideia de um produto se você não tem um interessado em transformar aquilo em negócio. Então, vimos que faltava estimular a cultura empreendedora e articular com diversos setores da academia, do setor privado e do governo”, observa.

Como o próprio nome diz, o Open DOr trabalha a inovação aberta. Segundo Moll, trata-se de uma forma mais fluida de inovar, que permite a atuação de vários agentes, incluindo empreendedores, técnicos, acadêmicos, executivos e outros profissionais de diversas áreas. As startups apoiadas pelo projeto terão a oportunidade de interagir com gestores do maior grupo de hospitais privados do Brasil, a Rede DOr São Luiz, além da equipe do Instituto DOr de Pesquisa e Ensino. O Hub vai oferecer, ainda, mentoria especializada em áreas como desenvolvimento de negócios.

Jorge diz que o projeto realizará vários simpósios, e que também receberá convidados internacionais, como pesquisadores e especialista do Vale do Silício e de Israel. “As startups poderão ter contato direto com pessoas que vem inovando lá fora. Além disso, terão acesso a stakeholders-chave da cadeia de saúde, que poderão oferecer uma enorme contribuição para o sucesso do empreendimento. Esse é um dos principais diferenciais do Open D’Or, oferecer um acesso fluido a pessoas altamente especializadas que já trabalham na área de saúde.”

Ambiente

Na estrutura física, que contará com espaço de coworking, o grande destaque é o Living Lab, laboratório versátil de simulação de ambientes hospitalares, como leitos de terapia intensiva ou salas de cirurgia. O Living Lab é uma forma de simular esses ambientes hospitalares, em termos de equipamentos e sistemas, para realizar testes de forma segura e rápida, que vão permitir ajustes e aperfeiçoamentos sob a supervisão de equipe especializada – comenta Jorge Moll.

Mas este espaço físico não será considerado como único local de interação. “Será muito mais um espaço de acoplamento, em que traremos médicos, executivos e pesquisadores que poderão sentar e pensar conjuntamente com as startups, para ajudar a viabilizar a solução proposta”, diz. “Os hospitais, laboratórios e pesquisas também serão aproveitados, vai depender da necessidade de cada startup. Por exemplo, um hospital poderá ser o local de realização de um projeto piloto.”

Por enquanto, não há um número fixo de startups selecionadas para a iniciativa. O modelo estabelecido para o Open D’Or permite essa flexibilidade, pois dependerá do grau de desenvolvimento das startups. Segundo Jorge, é possível ter um cenário de duas startups selecionadas, bem como outro com 10 sendo escolhidas. A flexibilidade está presente, inclusive, no grau de desenvolvimento da startup. O programa apoiará tanto aquelas que já estão tracionando quanto startups em early-stage.

Entre os critérios para participação, está a necessidade de buscar resolver um problema real relacionado, por exemplo, à logística, à experiência do paciente, melhoria na qualidade de atendimento, entre outras situações presentes no setor de saúde. “É importante que a solução proposta tenha um impacto em larga escala ou que aja em nichos de alto custo ou de alta complexidade”, pontua Jorge.

O programa ainda não realiza aporte de capital nas startups, mas em breve realizará. “Ainda estamos discutindo como isso será feito, mas certamente existirá. Independentemente disso, a Rede D’Or São Luiz já realiza investimentos em produtos e soluções que tenham aderência muito forte aos hospitais”, finaliza o presidente do conselho administrativo.

Os interessados podem encontrar informações sobre o processo seletivo neste link.