* Por Ariane Maia

A pesquisa “The 2018 Global Data Management Benchmark Report”, divulgada recentemente pela Experian, realizada com profissionais do Brasil, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, aponta que 91% das empresas brasileiras consideram os dados internos para definirem suas estratégias de negócios.

No entanto, com a popularização do discurso de uso dos dados, as empresas estão muito mais preocupadas em guardar essas informações, acumulando grandes volumes de registros, queoo usados. Com isso, não os utilizam com sabedoria, sendo poucas as companhias que já estão trabalhando seus dados para entender tendências e comportamentos, por exemplo.

Mas como fazer bom uso disso? O primeiro passo é estruturar os dados em um dashboard, que vai permitir ao gestor acompanhar os indicadores-chave para o negócio, viabilizando a identificação de flutuações atípicas, sem demandar grande tempo de compilação de dados. Um dashboard bem estruturado exige conhecimento dos indicadores realmente necessários, portanto, há uma fase de planejamento e organização queo fundamentais para tornar o painel realmente enriquecedor no dia a dia de trabalho. Esse conjunto de informações pode determinar o sucesso ou não de uma área, ação, produto e, até mesmo, da empresa.

Para ajudar a refletir sobre o tema no âmbito corporativo, podemos pensar que o uso de dashboards está intuitivamente inserido no nosso dia a dia, embora, às vezes, não prestemos muita, ou nenhuma, atenção. Por exemplo, quando dirigimos um carro, temos um dashboard passando as informações que precisamos para conduzir o veículo em segurança. Quando olhamos nossa conta bancária, temos um painel com os indicadores que precisamos para tomar decisões. Ou seja, na prática o dashboardo é algo novo, mas no dia a dia de uma empresa pode ser um fator de extrema importância, como seguir as orientações de segurança do carro para garantir a vida, ou escolher a melhor aplicação para assegurar a saúde financeira.

Existem companhias que atingem o sucesso sem ter um olhar tão nítido de seus dados, no entanto, elas poderiam estar em outros patamares se aproveitassem os dados disponíveis para otimizar processos e investimentos. Numa época em que a concorrência só aumenta, inclusive vindo de lugares não imaginados, ter controle sobre tais informações possibilita ao gestor ter o poder de manobrar o direcionamento da empresa de uma forma mais assertiva.

O passo seguinte consiste em organizar o dashboard – ponto vital para ganhar agilidade no processo de tomada de decisão. Quando as informações estão organizadas, ganha-se tempo. Por exemplo, em vez de gastar um dia compilando dados de diversas fontes em um arquivo, quando isso já está mais automatizado é possível investir este tempo para analisar fatores externos e internos que estão impactando nos resultados, ou mesmo discutir internamente melhores caminhos.

Outro ponto importante é ter ciência se o dashboard será operacional, tático ou estratégico. Isto permite determinar itens como: quem irá usar o dashboard, quais indicadores deverão entrar na estrutura, de onde se pegará os dados e por aí em diante. Após esta definição inicial, deve-se mapear de onde cada indicador virá, qual é a programação necessária para coletar este dado, qual é a granularidade do dado (hora, dia, semana, mês etc.). Com a arquitetura definida, escolhe-se a melhor ferramenta para estruturar o painel e, então, chegamos às duas últimas etapas, a programação técnica e a programação visual (dataviz). Com todas estas etapas concluídas, partimos para a validação dos números e o dashboard está pronto para uso.

O uso de dashboards muda o status quo dos participantes da empresa, que muitas vezes não tinham visão dos dados até a entrega do painel. Assim, temos duas faces nesta moeda: a primeira vem de quem demandou o dashboard. Esta pessoa ou área já tem clara visão do ganho que a agilidade na visualização dos dados pode trazer. Do outro lado, temos, muitas vezes, funcionários ou outras áreas que até então nunca tiveram contato com tais números ou sequer o pensamento da importância de tais dados, portanto, este último grupo deve ser instruído sobre os ganhos que o acesso aos dados pode trazer. Lembrando que a cultura de dados é algo que deve vir de cima para baixo dentro de uma instituição, pois assim demonstra a seriedade e o comprometimento com tais dados.

Seja na vida pessoal ou no ambiente corporativo, dashboards bem estruturados oferecem informações precisas para a melhor tomada de decisão, queo beneficiar tanto a saúde da pessoa, quanto da empresa.

* Ariane Maia é diretora executiva da A² BI, empresa especializada em gestão de dados