* Por Leonardo Oliani

De acordo com pesquisa da Anjos do Brasil, o número de investidores-anjo – que têm foco no investimento em negócios inovadores e startups — está em franco crescimento no país: dados divulgados no final do ano passado apontam que os investimentos de 2016 chegaram a R$ 851 milhões – nada mal para um país que ainda dá os seus primeiros passos em torno de uma economia com foco no empreendedorismo e no desenvolvimento de novos negócios.

Dados da consultoria indicam que o país, atualmente, conta com pouco mais de 7 mil investidores, que possuem cerca de R$ 1,5 bilhão disponível para aplicar em novas empresas. Por ser uma modalidade recente, ainda não é possível medir o sucesso ou fracasso desses investimentos no Brasil. Métricas internacionais, entretanto, indicam que metade das apostas não dê retorno algum ao investidor e aproximadamente um terço apresente retorno entre 20 a 40 vezes o capital investido.

O governo brasileiro, com o programa Crescer sem Medo, que entrou em vigor em janeiro de 2018, ampliou o apoio aos investidores-anjo e às startups. De acordo com o projeto, quem investir a partir de R$ 50 mil em uma startup não é considerado sócio da empresa – como era anteriormente – e, assim, não partilha dos riscos e responsabilidades legais da empresa. Por outro lado, o investidor não tem poder de voto em relação às decisões da startup, a não ser que isso esteja estipulado em contrato e pelo prazo máximo é de cinco anos.

O que é preciso saber sobre a modalidade?

Como qualquer investimento, as pessoas colocam seu dinheiro e esperam por um retorno do capital que, obviamente, varia de acordo com o risco de cada modalidade.  Da mesma forma, como também acontece com outros investimentos de risco, é preciso estudar e avaliar calmamente quais empresas são mais indicadas para receber o aporte de dinheiro.

Encontrar uma empresa bem estruturada, com um produto inovador, que também atenda às necessidades e desejos dos clientes e que consiga se destacar entre as concorrentes, não é tarefa fácil, então analise com cuidado as propostas de investimento que chegam.

Normalmente, o investimento é feito em conjunto com outras pessoas e varia de R$ 50 mil a R$ 600 mil, mas o valor pode ultrapassar este teto se for preciso. O aporte é feito em várias empresas para diminuir os riscos e ter mais opções de projetos que possam vir a ser lucrativos, como uma carteira de empresas – similar a uma carteira de ações na bolsa.

Esse investidor entra em cena quando a startup já provou que seu modelo de negócios é viável e, à medida que a empresa cresce, o investimento segue o mesmo caminho.  Nesse momento, o investidor-anjo líder passa a agir como um conselheiro para a captação de novos investimentos.

Uma das vantagens para o investidor é poder apoiar ideias inovadoras e contribuir, não apenas financeiramente, para o sucesso da empreitada. Oferecer uma troca de experiências que também traz benefícios para as empresas contempladas.

É importante que o investidor entenda que ele não é o CEO ou chefe da empresa. Ele tem a “função” de conselheiro, nada mais que isso. Por outro lado, o empreendedor também não deve se tornar um obstáculo para o sucesso da empresa, ao não aceitar os conselhos do investidor.

* Leonardo Oliani é CEO da Astéria