O STARTUPI desembarcou em Belo Horizonte na última semana, entre os dias 30 e 31 de agosto, com o objetivo de levar executivos de grandes empresas, empreendedores, estudantes e demais agentes do mercado de inovação para conhecerem de perto os maiores agentes do empreendedorismo da capital mineira.

Conhecida como San Pedro Valley, a comunidade de empreendedores nasceu no coração da capital mineira, e leva em seu nome o bairro onde estas startups estavam sediadas, ainda em 2011. Hoje, Minas Gerais – terceira maior economia do Brasil -, carrega em sua capital o segundo maior ecossistema empreendedor nacional. É lá que se encontram centenas das startups brasileiras, muitas delas, inclusive, entre as maiores e mais promissoras do país.

O grupo do Startupi Innovation Tour, pela primeira vez, chegou em Minas Gerais e foi recebido na sede de empresas como Sympla, Seed, Sambatech, Rock Content, BMG Uptech, Maxmilhas e Méliuz, além de bater um papo com a BeerorCooffee.

De Budapeste para o Brasil, um jeito simples de realizar eventos

A primeira parada foi na Sympla, plataforma online líder em gestão de eventos e vendas de ingressos no Brasil. Tudo começou em 2012, quando os sócios David Tomasella e Marcelo Cartacho trabalhavam desenvolvendo um sistema de eventos para um banco. Diante das dificuldades encontradas neste processo, tiveram a ideia de criar algo que ainda não existia no Brasil. Rodrigo Cartacho, irmão de Marcelo, entrou nesta ideia quando ainda morava em Budapeste, na Hungria, trabalhando em dois empreendimentos. Rodrigo foi para os EUA, onde estavam os dois outros fundadores, e assim nasceu a ideia da Sympla.

O nome Sympla, inclusive, remete ao bar húngaro Szimpla, de onde Rodrigo se reunia com os sócios para desenvolver a startup. Em 2013, em Belo Horizonte, eram apenas oito funcionários. Hoje, com o crescimento exponencial da empresa, já somam mais de 200 colaboradores, com mais de 280 mil eventos realizados, presentes em mais de 2.200 cidades brasileiras.

Karla Megda, head de negócios e relacionamento da Sympla, disse que, por a empresa ser líder no Brasil e já estar em uma fase de crescimento sólido, os planos de internacionalizar estão começando a chegar ao radar . “O mercado brasileiro, para nós, é muito grande. Por enquanto, focamos nos eventos nacionais. Já realizamos eventos para outros países de língua portuguesa, ainda não começamos nosso processo de internacionalização, mas já está nos nossos planos sim ir para fora”, explica.

Referência em Marketing Digital

“Se toda ação começa com uma busca na internet, estar online é fundamental”. Para falar sobre isso, Bruna Moreira, analista de marketing da Rock Content, recebeu o Startupi na sede da empresa, em Belo Horizonte, para falar um pouco sobre a história da startup e, principalmente, o que faz de uma empresa uma autoridade em marketing de conteúdo na internet.

A empresa foi fundada em 2013 por Diego Gomes, Edmar Ferreira e Vitor Peçanha, e em dois anos passou de três para mais de 100 colaboradores, além dos mais de 20 mil de freelancers cadastrados na plataforma, especializados em diversos segmentos, cujo objetivo é produzir conteúdo de qualidade para as marcas clientes, fazendo com que elas apareçam no topo das buscas no Google, trazendo assim audiência e, consequentemente, leads.

Ao todo, a empresa já recebeu mais de R$6 milhões em investimentos, atende mais de 1.000 clientes e, em quatro anos, passou de 0 para R$20 milhões de receita recorrente anual. “Um conteúdo de qualidade atrai possíveis clientes para seu negócio, porque você mantém uma fidelidade e confiança do possível consumidor ao sanar as dúvidas dele, além de ter a oportunidade de educar o seu mercado sobre sua solução. Se seu produto for algo novo, assim você se tornará uma referência no seu segmento”, explica Bruna.

Fomento governamental ao ecossistema

Quem também abriu suas portas para o receber o Startupi Innovation Tour foi o Seed, iniciativa do governo de Minas Gerais para aceleração e investimento em startups. O Seed, sigla para Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development, surgiu em 2013 e tem como objetivo fomentar o ecossistema de empreendedorismo e inovação em solo mineiro, e já selecionou mais de uma centena de startups em seus processos de aceleração, tanto de Minas quanto de outros lugares do Brasil e América Latina.

“Uma das coisas que trabalhamos muito aqui dentro é a capacitação das pessoas para entender e fomentar a cultura de inovação dentro das suas próprias startups e de qualquer pessoas que eles se conectem aqui dentro (do Seed). Isso é muito baseado em tudo o que a gente viu e experienciou desde 2005, quando o Google instalou seu primeiro centro de Pesquisa e Desenvolvimento fora dos EUA, que foi aqui em BH, e pessoas começaram, a partir desse crescimento de talentos que veio para cá, começaram a inovar, ter ideias e tirá-las do papel e, mais importante, fazer tudo isso juntos, colaborando uns com os outros. O Seed chegou em um momento posterior, onde isso tudo estava muito bem consolidado na cidade”, explica Gabriel Motta, da gestão de comunidade do Seed.

 

O programa de aceleração é um braço do Minas Digital, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (Sedectes), cujo foco é difundir ações empreendedoras pelo estado e torná-lo o maior hub de startups e inovação da América Latina, sendo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Até a abertura de seu 5º edital público para aceleração, o Seed atingiu a marca de mais de 5 mil inscrições, onde participaram cerca de 200 startups, de mais de 20 diferentes nacionalidades. Até o início de 2018, as empresas aceleradas geraram 300 empregos diretos em Minas Gerais e captaram cerca de R$22 milhões em investimentos. Mais de 9 mil pessoas visitaram o coworking da iniciativa no ano passado.

Algumas startups apresentaram seus pitches para os participantes e falaram sobre os processos do Seed vistos de dentro, por quem é acelerado pela iniciativa. Foram elas: Reev (plataforma de sales engagement), Insinis (plataforma para encontrar a melhor assistência técnica para conserto de smartphones) e Klopr (rede social que conecta profissionais, criadores e empresas do universo equestre).

No vídeo abaixo, conheça alguns diferenciais do programa:

De distribuidora de joguinhos de celular a uma das maiores startups do Brasil

Em 2004, anos antes de o primeiro iPhone vir ao mundo, uma das startups mais promissoras do país tomava corpo: a Sambatech. Em seu escritório, que possui objetos que vão desde um fliperama até um trono de rei, Pedro Filizzola, diretor de marketing da empresa, falou um pouco aos participantes do Tour sobre a história da empresa, compartilhou expertise sobre cultura, aquisição de clientes e, como não podia faltar, ofereceu um super happy hour para a turma.

Tudo começou quando Gustavo Caetano estudava Marketing no Rio de Janeiro. Ele aprendeu lá que quando se há a necessidade de algo que ainda não existe, é porque aí está a demanda de mercado. E esta demanda Gustavo encontrou, no aeroporto, enquanto aguardava um voo e percebeu o quão difícil era conseguir fazer download de um joguinho para passar o tempo em seu celular de última geração, que naquela época se resumia a uma tela colorida de 16 cores.

Assim, ele descobriu que no Brasil havia um mercado a ser explorado, mas que na Europa e EUA este era um segmento já em expansão. Assim nasceu a ideia de passar a distribuir jogos para celulares no Brasil: era o início da Sambatech. Em 2007, percebendo que este modelo de negócio não era escalável, a empresa pivotou e virou o que conhecemos hoje, uma plataforma de gestão e distribuição de vídeos online.

Desta longa história de desafios e sucessos a empresa tem muitas lições para ensinar. Pedro fala sobre elas: “na bandeira nacional está escrito ‘ordem e progresso’. Mas as startups, de início, tendem a focar mais no progresso que na ordem. É uma armadilha grande focar na geração de demanda antes de pensar em como atendê-la. É importante se atentar a isso e evitar o que chamamos de ‘síndrome do pequeno poder’, que é a burocratização precoce da empresa. Afinal, startups devem ser ágeis, simples, ou não é escalável”, diz.

Clique aqui e recebe mais informações sobre as próximas edições do Startupi Innovation Tour.

Uma pausa para o café

Durante os dois dias de evento, o ponto de encontro do Tour foi no Noete Café Clube, localizado na R. Santo Antônio do Monte, 294. O espaço abriga o primeiro clube de cafés especiais de Minas Gerais e todos os cafés do Clube são selecionados através de avaliações sensoriais e laudos especializados. Uma vez selecionado o café, O Noete elabora um perfil de torra que melhor se enquadra nas características do grão, e todo o processo é realizado lá mesmo. Ao fim do dia, o público ainda pode desfrutar de um bom menu e um happy hour.

Quem também participou de uma das nossas manhãs foi o BeerorCoffee. Apesar de o nome sugerir algo parecido com o Noete Café, a plataforma nasceu para conectar pessoas e incentivá-las a tomarem uma cerveja ou um café, estimulando o networking e a realização de novos negócios. A plataforma da startup é uma rede de coworkings por todo o Brasil, onde o usuário paga uma única mensalidade e pode trabalhar de qualquer um dos espaços parceiros da BeerorCoffee. São vários planos diferentes, para cada tipo de necessidade, que variam entre salas privativas e coworking corporativo. Acesse aqui e conheça os mais de 400 espaços da rede por todo o país.

Nos dois dias de eventos, parceiros do Startupi também forneceram, entre uma refeição e outra, lanchinhos para os nossos participantes. A Qpod é uma startup que oferece snacks saudáveis feitos a partir de vegetais desidratados.

A LivUp também participou do Tour, oferecendo aos presentes alimentos saudáveis, sem conservantes, corantes ou aditivos. Prioritariamente usando produtos orgânicos de pequenos produtores. A  LivUp cuida de toda a vertical, da compra da matéria prima até a entrega para o cliente final, focando em maximizar a experiência do cliente de ponta a ponta.

Um dos maiores players de investimento do Brasil também está em BH

O último dia de Startupi Innovation Tour iniciou na sede do Grupo BMG, para que os participantes pudessem conhecer de perto o que o BMG UpTech está fazendo para fomentar o ecossistema inovador e empreendedor no país.

O BMG UpTech é o braço do Grupo BMG que investe em inovação e startups. Buscamos startups para investimento direto e através de programas que somos parceiros, como o Fiemg Lab, Ace, Startups Connected, entre outros. O objetivo do grupo é atuar como parceiros das startups, colocando a experiência da companhia a favor desses empreendedores, e, principalmente, facilitando o acesso a clientes, fornecedores e parceiros do Grupo.

“Nos últimos 15 anos, 53% das 500 das empresas que estavam no ranking de maiores do mundo desapareceram. Em 1955, a média de tempo de uma empresa estar entre as maiores do mundo era de 61 anos, e hoje essa média caiu para 17 anos. Estão surgindo muitas empresas novas, que estão tomando o lugar das que não estão inovando, por isso eu acredito que vocês (participantes do Tour) estão no caminho certo para olhar para este mercado de uma maneira mais atenta”, afirma Rodolfo Santos, CEO do BMG UpTech.

Dentre as 500 maiores empresas do mundo atualmente, 5 delas representam 50% do valor total destas empresas. São elas: Apple, Facebook, Amazon, Alphabet e Microsoft. O que todas elas têm em comum? Todas são empresas de tecnologia. “As techs chegaram de verdade, e é importante que quem ainda não abriu o olho pra isso, abra o quanto antes.”

No fim do ano passado, o Grupo BMG associou-se ao micro venture capital liderado por João Kepler e Pierre Schurmann, a Bossa Nova Investimentos. O Grupo investiu R$100 milhões na Bossa, tornando esta a primeira vez em que um banco investe recursos próprios em uma micro VC no País para pulverizar aportes no estágio pre-seed e Seed Money na América Latina e Estados Unidos. Hoje, o grupo tem um portfólio de mais de 300 startups investidas diretamente.

Uma história de amor que possibilita o Brasil inteiro voar

Max Oliveira, fundador da startup, precisava visitar sua namorada, atualmente esposa, em outro estado, mas os preços das passagens aumentaram tanto de uma hora para outra que ele não quis pagar por tamanha diferença de valor. Entretanto, ele percebeu que a quantidade de milhas para aquele mesmo voo era a mesma. Ele chegou à conclusão que, se alguém lhe vendesse as milhas para aquele voo, ele conseguiria pagar muito mais barato pela viagem. Assim nasceu a ideia da Maxmilhas.

O ano de 2013 parece ser sabático para as startups nacionais. Pelo menos, em Belo Horizonte. Foi neste ano que a Maxmilhas realizou sua primeira venda pelo site utilizando milhas. O que começou com um namoro à distância e uma dificuldade em encontrar passagens aéreas por preços acessíveis se tornou uma das startups mais inovadoras do país, com 260 colaboradores.

“O brasileiro viaja de avião, em média, uma vez a cada quatro anos. Enquanto isso, mais de 25 bilhões de milhas aéreas expiram anualmente no Brasil e 75 bilhões de pontos, o que representa um potencial de R$2 bilhões. Foi para solucionar esse problema e ajudar as pessoas a encontrarem passagens aéreas mais acessíveis que a Maxmilhas nasceu. Acreditamos que as pessoas merecem viajar mais e com mais economia”, explica Marcelo Gomes, analista de conteúdo da empresa.

Hoje, o Brasil possui a 12ª passagem de avião mais cara do mundo e, por aqui, paga-se 48% mais que os britânicos e 223% mais que os norte-americanos em passagens aéreas. “É uma realidade que destoa do resto do mundo, e acreditamos que é possível democratizar a venda de passagens e otimizar a utilização de pontos e milhas por meio da tecnologia”, afirma. Sem investimento de terceiros, empresa já vendeu mais de 1 milhão de passagens aéreas e garante que a economia média para o comprador da passagem de R$450, girando em torno de 38% do valor total do bilhete adquirido.

Cashback, o que é isso?

A primeira edição do Startupi Innovation Tour BH foi finalizada dentro da Méliuz, startup de cashback pioneira no Brasil. A empresa nasceu dentro da comunidade de San Pedro Valley, junto com o movimento que alavancou o cenário empreendedor na capital mineira, a partir de 2011.

Para utilizar os benefícios da plataforma, fazer uma compra e resgatar parte do valor de volta, o usuário não paga nada. O cashback funciona assim: a empresa parceira paga uma taxa para a Méliuz para estar na plataforma  e oferecer um cupom de uma porcentagem do valor da compra para os usuários, assim, a startup compartilha uma parte desta taxa com o consumidor, devolvendo ao comprador a porcentagem oferecida na plataforma no ato da compra.

Em 2015, a empresa atraiu investidores de grandes empresas como OLX, Uber e Alibaba para aportar na plataforma. “Eles acreditaram no Méliuz e investiram na gente, e a partir disso a gente cresceu muito. Na época, éramos uma operação com cerca de 30 pessoas”, explica Luiza de Simone, analista de marketing da empresa. Hoje, a quantidade de colaboradores cresceu exponencialmente, chegando a mais de 150 pessoas. Em 2017, a empresa criou um centro de tecnologia em Manaus, com mais de 50 desenvolvedores. “Abrimos este centro lá porque Manaus é um polo de tecnologia muito latente”, explica.

Completando seis anos de funcionamento em 2018, a startup já devolveu mais de R$64 milhões aos usuários da plataforma. Hoje a Méliuz conta com mais de 1.600 lojas parceiras e 5 milhões de visitas por mês no site e aplicativo, além de ser uns dos 6 apps preferidos pelos brasileiros e ter mais de 3 milhões de usuários ativos.

Quer saber mais sobre as próximas edições do Startupi Innovation Tour? Clique aqui ou envie um e-mail para [email protected]ém fique ligado nas nossas redes sociais.