Os unicórnios estão por toda parte. Na América Latina, só esse ano, algumas destas startups avaliadas em US$1 bilhão surgiram. No Brasil, foram três. Muitas outras ainda virão. A Movile e o iFood, juntas, já valem mais que este valor e, recentemente, a Yellow, startups de bicicletas, recebeu seu primeiro aporte de US$63 milhões. No mercado nacional, cada vez mais as startups estão se preparando para fazer do Brasil mais um vale de unicórnios.

Mas todas estas empresas começaram de algum lugar. Em algum ponto do ciclo de vida de uma startup houve o primeiro investidor. Muitas vezes, o papel de um investidor-anjo é muito mais importante do que o aporte de dinheiro, para várias startups o real valor do investidor-anjo é o smart money, que pode ser decisivo na trajetória bilionária de um unicórnio. Para João Kepler, um dos maiores investidores do País, premiado pela ABStartups por duas vezes com o melhor anjo no Brasil, afirma que é o empreendedor que deve escolher seu investidor, e não o oposto.

“A maior reclamação de Empreendedores é que não encontram investidores ou que não existem suficientes e que eles não respondem ou aparecem para investir nas startups. Sim, esse é um ponto importante, mas só vale para quem não sabe como escolher ou buscar investimento. Acredite, quando o Empreendedor e o negócio são bons mesmo (os moscas brancas, os Cabra-da-Montanha ou os futuros unicórnios), não precisa sair por aí deixando mensagem genéricas inbox e abordando de todas as formas investidores alardeando que ‘precisa de dinheiro’. E sabe porquê? Porque é o dinheiro que procura pelo empreendedor e não o contrário” explica.

Para atrair o dinheiro, o investidor acredita que basta que os empreendedores sejam assertivos, tenham as conexões e indicações certas, cresçam e, consequentemente, apareçam. Além disso, e neste caso, não é o investidor somente que deseja investir em determinada startup e sim levar em conta um ponto crucial na hora do investimento: se a startup quer o dinheiro daquele determinado investidor.

Os investidores profissionais, frequentemente, têm algo que o mercado nomeou de FOMO – fear of missing out. Em tradução livre, significa algo como “medo de ficar de fora do negócio”. Para eles, deixar passar uma oportunidade de um bom investimento é coisa séria. “Portanto, se depois do seu pitch o investidor não se interessar ou não achar que está perdendo alguma coisa, você é que está fazendo alguma coisa errada nessa fase”, afirma João.

Relação

Para João, uma grande qualidade em um investidor é quando, além de aportar nas startups, ele também já empreendeu. “Quando você conhece na prática como funciona a jornada de uma startup, desde a ideia, modelagem, desenvolvimento, validação, operação, passando pela fase mais árdua, é mais fácil entender como pensa e se comporta um empreendedor”, explica.

João já foi fundador de negócios digitais antes de se tornar Investidor. Na época, foi buscar investimento no Silicon Valley e recebeu um grande e sonoro NÃO.  Após isso, começou a investir entendendo o que precisava fazer para obter um SIM. “Nada contra quem é investidor da ‘Faria Lima’, mas me considero mais ‘humano’ no processo e trato com o empreendedor. Eu digo que na relação de investimento, eu sou pró-empreendedor e isso ajuda demais o fechamento do negócio e relacionamento posterior”, afirma.

João, que acaba de lançar um livro sobre o papel do smart money nas startups, é sócio da Bossa Nova Investimentos, uma micro venture capital brasileira. Ao lado de Pierre Schurmann, o grupo é um dos que mais realiza aportes no Brasil. O planejamento da Bossa é chegar até 1.000 startups em 2020. De um portfólio como este, é certo que haverá um unicórnio aportado pela Bossa. De acordo com um estudo interno baseado em pesquisas da Kaufamnn Foudation, a Bossa terá um unicórnio em 10 anos se investir em 1.000 startups.

CBInsights segunda uma pesquisa realizada sobre Venture Capital em mais de 1.000 Startups nos últimos 10 anos, confirma que as chances de se tornar uma Startup Unicórnio é de apenas 1%. “Começamos a investir rumo as 1.000 em 2016 e estamos com 354 Startups no Portfólio, então temos tempo ainda para isso”, explica João.

Investimento em Unicórnios

Recentemente, o presidente da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC – Securities and Exchange Comission), Jay Clayton, afirmou estar estudando uma forma de abrir os investimentos em unicórnios para investidores com menor poder aquisitivo. Para ele, o fato de Uber, Airbnb e outras grandes startups com capital fechado por mais tempo está tirando dos pequenos investidores o acesso a investimentos com alto potencial de retorno. João explica que, nos Estados Unidos, os melhores deals não ficam disponíveis para todos os investidores. “Nós na Bossa Nova por exemplo, somos privilegiados porque fazemos parte de um Grupo Seleto na Plataforma AngelList chamado de PIP (Private Investors Priority) e recebe ótimas oportunidades em primeira mão. Por isso, concordo que se for liberado para a maioria, todos ganhariam com essa atitude.”

Neste cenário, há também os investidores de outras partes do mundo que vêm aportando em startups brasileiras, fazendo com que o ecossistema nacional se fortaleça ainda mais. Todos os unicórnios nascidos no Brasil, por exemplo, contam com investimento de outros países.

No Brasil há cerca de 25 venture Capital estrangeiras aportando. Para João, o impacto é positivo, “porque ajudam com mais dinheiro disponível e coinvestem com as venture Capital nacionais nos estágios posteriores de investimento em Startups como em séries C,D… Pré-IPO.  Não tenho dúvidas que outras Startups despontarão no Brasil com valuation em torno de US$ 1Bi em 2019”, afirma.

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