Aconteceu na última semana o Fórum E-Commerce Brasil 2018. Realizado entre os dias 14 e 16 de agosto, o fórum recebeu dezenas de palestrantes, mais de 150 expositores e milhares de congressistas durante os dias de evento, em um dos maiores eventos do segmento do mundo, que debateu tecnologia, disrupção, inovação, varejo, canais de venda e diversos outros temas.

O STARTUPI realizou, durante o Fórum, o Startup Expo, área de 400 metros quadrados dedicada à exposição de 13 startups selecionadas e um palco onde aconteceram painéis e palestras sobre os temas mais relevantes para as startups de varejo, e-commerce e indústria.

Para Tiago Baeta, sócio-fundador do E-Commerce Brasil, “o Startup Expo superou as expectativas. As startups selecionadas estavam encantadas com os resultados de negócios gerados, a maioria delas nunca tinha presenciado algo do tipo, e um conteúdo de altíssimo nível unindo o ecossistema empreendedor com o mercado de e-commerce. Creio que conseguimos proporcionar uma experiência rica e absolutamente relevante para todos os envolvidos”, afirma.

Um dos primeiros assuntos a serem debatidos neste palco foi a relação entre startups e grandes corporações. Palestrou sobre o tema, Guilherme Junqueira, fundador da Gama Academy. Ele falou sobre a importância de entender como processos disruptivos funcionam e como as startups estão impactando fortemente todas as indústrias.

“75% das empresas que serão listadas como maiores do mundo em 2020 não existiam em 2010. Se muda o mercado, também muda a carreira. Hoje a profissão mais procurada do mundo não existia há cinco anos: desenvolvedor iOS. Essas mudanças refazem as tendências do mercado inteiro”, explica Guilherme.

Para ele, um dos maiores impactos desta mudança de paradigma é a forma como as contratações são realizadas. De acordo com a Harvard Business Review, 89% do turnover é causado por erros de contratação e os custos de substituição de um colaborador equivalem de 6 a 9 meses de salário.

“As grandes marcas devem se atentar a isso, porque inovação vem da cultura, vem das pessoas que fazem aquela empresa. Hoje, o primeiro motivo que faz os profissionais buscarem startups para trabalharem é o propósito da empresa. Em segundo lugar, autonomia, depois, flexibilidade. Ganhar dinheiro fica em décimo lugar nesta lista de razões”, explica, citando uma pesquisa realizada pela Gama Academy sobre os motivos para os profissionais buscarem startups, em uma amostragem de 15 mil candidatos.

Aqui, Guilherme dá dicas para os profissionais que queiram se inserir no mercado trabalhando em startups:

Claudia Mamede, da Rede Mulher Empreendedora; e Claudia Rosa Lopes, investidora da Anjos do Brasil, falaram sobre investimento-anjo, mulheres no ecossistema empreendedor e liderança em uma startup.

“Há muitas empresas hoje que buscam o diálogo com a mulher empreendedora porque está na moda, não querem ficar de fora da ‘onda’. Por outro lado, há quem realmente está investindo na capacitação destas mulheres e fazendo a diferença. De qualquer forma, o que nós queremos é apoiar as marcas que fazem isso de forma séria, queremos fomentar este ecossistema e apoiar as mulheres que queiram ter o seu próprio negócio”, explica Claudia Mamede, ao falar sobre o movimento de grandes corporações que estão investindo no empreendedorismo feminino.

Uma pesquisa liderada pela consultoria financeira McKinsey aponta que empresas lideradas por mulheres têm, em média, rendimentos 21% acima da média. “Eu sempre aconselho para os empreendedores que me procuram que coloquem mulheres em seus times fundadores, e também o mesmo para as equipes onde só tem mulheres. Acredito que a diversidade, de todos os tipos, seja fundamental para uma startup bem sucedida. Times complementares nas startups são um ponto fundamental para o investidor, e ter uma equipe de fundadores de todos os gêneros é algo que só tem a agregar para os empreendedores e a empresa”, diz Claudia Lopes.

Caio Camargo, da Gouvêa de Souza, falou sobre oportunidades para as startups no varejo. Para ele, uma das tendências mais fortes para este mercado é a queda da parede que separa o e-commerce do varejo tradicional. “Em breve, estaremos falando deste tema apenas como ‘commerce’, sem o ‘e’ na frente. O e-commerce vai morrer, e o varejo vai virar uma coisa híbrida, sem distinção do que será físico, digital, virtual etc. Estaremos falando sobre pessoas comprando de marcas, pelos meios onde esta marca atua, apenas”, explica.

Um dos principais desafios do e-commerce, para Caio, é entender esse movimento. “Grandes players já estão entrando nesta conversa, mas boa parte da pirâmide deste segmento, em especial a parte de baixo, ainda vê o site de uma maneira um pouco mais apartada do todo.”

Caio cita um dos maiores exemplos desta disrupção, que é a Magazine Luiza. “Hoje, o e-commerce deles já representa mais de 30% das vendas totais da marca, que é hiperpulverizada no país. Assim, dá pra gente entender a escala e possibilidade digital no Brasil”, afirma.

Além das startups que expuseram suas soluções no Startup Expo, alguns grandes cases de sucesso apresentaram seus pitches para os participantes, falando sobre números, métricas e tendências para o mercado.

Uma delas foi a Instacarro, plataforma que realiza a venda de carros usados em até uma hora e meia após o anúncio. “Funciona assim: o cliente traz o carro até a gente, a Instacarro faz uma inspeção que analisa mais de 200 pontos no carro e, após a vistoria, anunciamos o carro na plataforma. Assim, lojas multimarcas de carros de segunda mão podem adquirir o veículo. Em uma hora, o cliente já sabe qual foi a maior oferta e vende o carro.” Fundada em 2015,a receita da startup em 2017 foi de R$240 milhões.

De acordo com Arthur Castro, head de produto e design da startup, o objetivo é que o faturamento cresça 5% ao mês em 2018 e, com o último aporte recebido, de R$17 milhões – por fundos europeus e americanos -, a empresa passe a expandir seus serviços para o sul do Brasil e atenda também clientes finais em Minas Gerais, Goiânia e interior paulista. Atualmente, os pontos de vistoria de veículos estão apenas na capital paulistana.

Uma das principais palestras do palco do Startup Expo apresentou Francisco Saboya, presidente do Porto Digital e Pyr Marcondes, do Meio & Mensagem, em um debate sobre transformação digital, em um painel comandado por Geraldo Santos, diretor-geral do STARTUPI.

Aqui, Francisco Saboya fala sobre o anúncio de sua saída da presidência do Porto Digital. Confira:

Mas, afinal, o que é transformação digital e o que as startups tem a ver com isso? Para Pyr, “Nós vivemos a transformação desde sempre, mas o digital é a ‘transformação das transformações’. Ele potencializa muito fortemente a rapidez, a agilidade e a abrangência das transformações. O que ocorre hoje, e as startups são agentes protagonistas nesta transformação, é que as grandes empresas tem um legado, um passado que não era digital, então não dá para culpa-las por não serem tão ágeis como a realidade hoje. É preciso das startups para que elas passem por esta transformação global que estamos vivendo através das tecnologias digitais que estão impactando todos nós”, afirma.

“Existe um contexto no qual a transformação digital se insere. Vivemos uma sociedade digital, conectada, em rede e móvel, e essa sociedade é populada por pessoas e negócios digitais, conectados, em rede e móveis. Falar de transformação digital significa recuar um pouco e entender em que sociedade é essa em que nós vivemos, e definir estratégias que já nasçam digitais, em rede e conectadas. Redes e conexão são a palavra-chave. Não adianta a gente digitalizar processos analógicos. O que caracteriza transformação digital é que os negócios, assim como as próprias relações sociais entre as pessoas, são eles todos estruturados a partir dessa compreensão. As empresas devem se perguntar: meu negócio está estruturado pensando na sociedade e no cidadão digital, conectado, móvel e em rede? Se sim, estamos falando em transformação digital. Qualquer coisa além disso, estamos falando do caminho mais fácil, que é digitalizar os modelos analógicos”, explica Francisco.

João Kepler, investidor-anjo sócio da Bossa Nova Investimentos, e Felipe Matos, da 10k Startups, também subiram ao palco para falar aos participantes do Fórum E-Commerce Brasil 2018 sobre investimento, aceleração e modelos de negócio.

“Quando a gente fala de startup e investimento, tem um processo de amadurecimento das empresas desde a fase inicial até a fase de crescimento, e para cada fase da startup a gente tem tipos de investidores que atuam. No começo estamos falando do anjo ou pré-seed, depois aceleradoras, fundos de investimento seed, e fundos de Série A, Série B etc. O que aconteceu no Brasil nos últimos anos é que começamos a ter este panorama bem preenchido. Na primeira fase, tínhamos muito poucos anjos e seed, e aí as aceleradoras ajudaram muito a dar uma base para essas empresas. Com isso, mais fundos de Série A e Série B começaram a chegar no Brasil”, explicou Felipe Matos.

Ele diz que os números no Brasil estão crescendo, solidificando o ecossistema empreendedor. O ano de 2017 bateu o recorde de venture capital no Brasil, chegando a R$1 bilhão investido. “Podemos destacar também o apoio que grandes corporações, como por exemplo os maiores bancos do país, estão dando para este setor, criando fundos de investimento, trabalhando fortemente com empresas.  Tivemos também, neste ano, nossos primeiros unicórnios brasileiros.”

Em termos de capacitação, João Kepler falou sobre o que acredita que ainda é um desafio para os empreendedores brasileiros na hora de buscar investimento. “Ainda encontramos muito empreendedor com ideias sem estarem validadas, prototipadas e sem o primeiro cliente pagante. Isso é uma barreira, porque se você não validou a ideia, é difícil que algum investidor aposte na sua ideia com você. Se um projeto já está em uma fase mais madura, quando você consegue provar que é capaz de entregar resultado, o investidor tem mais probabilidade de pagar um cheque para o empreendedor no valor que ele precisa. E aí está outro problema: muitas vezes, o empreendedor não sabe o valor que precisa de investimento para manter a empresa. É preciso fazer o dever de casa para saber o valor que será necessário, na pior das hipóteses, para chegar no breakeven.”, diz o investidor.

Fernando Godoy, fundador da Flex Interativa, também participou do evento e falou sobre cases de utilização de realidade aumentada e virtual no varejo. Um dos cases foi com a marca de bebidas Leuven, que recebeu o prêmio de melhor Rótulo de Cerveja de 2017.

A Flex Interativa foi responsável por todo desenvolvimento visual da marca, desde sua primeira geração, e assumiu o desafio de reinventar e divulgar a cerveja Leuven de forma inédita. No rótulo, foi utilizada a temática medieval para a cervejaria artesanal, e junto a toda essa mudança aplicaram, de forma pioneira, a Realidade Aumentada.

Fernando diz que, além de entreter pela novidade, este é um excelente formato para conhecer melhor o consumidor final. “As pessoas gostam de interagir com o rótulo da cerveja porque tem realidade aumentada, mas nós também conseguimos mapear o comportamento deste usuário a partir disso. Em breve, faremos também pesquisas de opinião em tempo real utilizando realidade aumentada nos rótulos das cervejas”, diz.

Outro case foi uma revista da marca Polishop, que utilizou realidade virtual e aumentada na capa, contracapa e páginas internas para explicar detalhadamente como funcionavam os produtos vendidos pela publicação. “Esta revista virou um dos nossos grandes cases, porque foi uma das edições mais procuradas. Com a realidade aumentada, conseguimos mostrar para o consumidor como funcionava o produto, fizemos moldes 3D para que o formato fosse analisado, tudo de forma simples para a utilização de quem folheasse a revista”, completa Fernando.

Fechando o último dia de evento, Fred Rocha, palestrante e especialista em varejo, e Alfredo Soares, head global da VTEX SMB, falaram sobre a revolução do varejo. “Hoje a gente faz comércio da mesma forma que se fazia comércio no início dos tempos: o consumidor sai de casa para consumir um produto. E de repente isso começa a mudar de uma forma muito veloz, e o varejista tem uma cultura de abrir o seu negócio e esperar o cliente aparecer. No e-commerce, nós montamos uma loja num deserto, se você não levar ela para alguém, ninguém nunca vai comprar. Precisamos mudar os elementos culturais dos varejistas, porque ele tem uma dificuldade em colocar em práticas essas novas aplicações para atrair e reter consumidores”, explica Fred.

Alfredo, que também é fundador da XTech Commerce, diz que quando o varejistra da loja física abre seu negócio, ele também está comprando, junto com o espaço, o volume de pessoas que passa naquele local, algo que não acontece com o online. “No e-commerce você não tem um ponto, você precisa de uma estratégia para o tráfego. Uma estratégia muito comum é que os empreendedores, antes de começarem a vender, criarem um blog para criarem conteúdo e audiência antes de fazer o e-commerce. O mais importante hoje, na minha visão, é o foco no cliente, não o produto que é vendido. A inovação, neste caso, não está só na tecnologia, mas no modelo de negócio”, completa.

Startups

Entre as palestras, startups realizaram seus pitches em dois dias do evento, apresentando para o público suas soluções e promovendo muito networking. As startups selecionadas foram Branvo, Buy2B, Celebryt’s, Digital Influencers, Lett, Melhor Envio, Pegaki, Performa.ai, PrincipiaPost2B, RankMyApp e SmartHint. Confira os depoimentos dos empreendedores aqui:

Branvo

Buy2B

Celebrity’s

Digital Influencers

Lett

Melhor Envio

Pegaki

Post2B

RankMyApp

SmartHint

Standout

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