Essa semana aconteceu em São Paulo, a 8ª edição da ABES Software Conference, evento que teve o objetivo de debater a transformação digital no Brasil e políticas públicas. Dentro da conferência, a Associação Brasileira das Empresas de Software promoveu um seminário com alguns dos candidatos à presidência da república, para falarem sobre o futuro na economia digital.

Foram convidados os candidatos Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (NOVO) e José Maria Eymael (DC); e também os candidatos à vice-presidência Ana Amélia (PP), representando o candidato Geraldo Alckmin, e Fernando Haddad (PT), representante da chapa do ex-presidente Lula.

Os presidenciáveis participantes responderam as perguntas: como transformar o Brasil em um polo global de inovação atrativo para startups e empresas maiores; como o programa de governo do candidato garantirá a transformação digital no Brasil, e como o projeto de governo pretende transformar o ambiente de negócios brasileiro menos suscetível a incertezas.

O candidato Eymael, do Partido da Democracia Cristã, afirmou que o próximo presidente da república deve ter “uma verdadeira obsessão pelo desenvolvimento e fazer do Brasil uma nação potência respeitada pelo mundo”, afirma. Neste sentido, o candidato destacou três pontos: o primeiro, para ele, é a formulação de indicadores para, segundo ele, “acompanhar o Brasil rumo a meta”. “Na nossa visão, a inovação está muito ligada às crenças nas próprias razões. O que o Brasil espera é uma liderança que acredite em suas próprias razões e as defendam, porque aí está o nascimento da inovação.”

Ao falar sobre como um possível governo seu poderia garantir o crescimento da transformação digital em áreas como saúde, indústria, serviços e agrobusiness – que são alguns dos segmentos onde as startups mais se destacam-, Eymael diz que um governo precisa de foco. “Temos que saber onde queremos chegar e agir para atingir o objetivo. Um pressuposto da transformação digital é a educação, e a Democracia Cristã deu um imenso apoio para este objetivo. Aprovamos recursos públicos para bolsas de estudos para ensino público e fundamental. Este é um compromisso do partido com a causa da educação”, afirma o candidato.

O candidato Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, também participou do seminário e falou sobre a burocracia no setor público. “O tempo médio para abertura de empresas em São Paulo era de 101 dias. Nos países de fronteira, de 3 dias. Iniciei um projeto em parceria com o Banco Mundial, que retomaremos caso eu seja presidente, para que cheguemos ao tempo como o dos outros países. Houve um projeto da prefeitura de São Paulo para diminuir este prazo para 10 dias, mas nós podemos ir mais longe. Como? Através da tecnologia.”

Ele diz que, caso eleito, seu governo terá iniciativas concretas para desburocratizar os processos que entravam o dia a dia do empreendedor, em especial as startups. “Estes processos viabilizarão o surgimento de novas companhias e startups que terão novos incentivos. Também acreditamos que as pessoas têm que se preparar para o mercado de trabalho na revolução digital, e não há dúvida que isso tem que começar na escola” finaliza, ao falar sobre projetos que deseja implantar para a criação de novos empregos no Brasil e capacitação dos profissionais para o mercado na era digital.

O terceiro candidato participante do evento foi João Amoêdo, do Partido Novo, que comparou a criação de seu partido com uma startup. “O projeto do (partido) Novo nada mais é do que uma startup tentando exatamente progredir usando a tecnologia. Eu nunca me imaginei na política, muito menos concorrendo à presidência, mas em determinado momento, como cidadão, imaginei que a gente tinha que devolver para o cidadão tudo aquilo que conquistamos.”

Amoêdo afirmou também, que o modelo de Estado no Brasil é feito para ser contra o empreendedor. “Ele (o Estado) é feito para perpetuar a mesma classe política. O modelo político criou todas as barreiras para impedir a inovação, concorrência, é um modelo que vai contra o capitalismo.” Sobre transformar o Brasil em uma referência em tecnologia, ele diz que “temos um dever de casa grande, mas não é difícil”, citando projetos para aumentar a liberdade econômica e criação de polos digitais no Brasil, que possam servir como referência para o mundo.

Por fim, participou da sabatina Kátia Abreu, candidata à vice-presidência pela chapa de Ciro Gomes. “Queremos destacar a todos a importância da ciência, tecnologia e inovação no governo Ciro Gomes. Temos um projeto de governo, não apenas um programinha público, mas um projeto que vai sustentar todo o governo e perspectiva de futuro embasado em um Estado de base tecnológica”, afirma a candidata.

Ela destacou também o interesse de sua chapa na criação, fomento e incentivos governamentais em polos tecnológicos para temas de relevância para o Governo Federal, como é o caso da agricultura. “É importante que o poder público dê o incentivo inicial para parques tecnológicos de diversos segmentos, e então a iniciativa privada não nos faltará. Queremos também dar a estes polos tecnológicos evidência internacional, para que não falte financiamento, tanto nacional como de fora”, finaliza.

Acesse aqui e confira o seminário completo: