Essa semana aconteceu o Congresso de Investimento-Anjo organizado pala Anjos do Brasil. Cassio Spina, presidente voluntário, apresentou os resultados atualizados da pesquisa sobre investimento-anjo em 2017. Confira abaixo:

Volume total de Investimento

Alcançando a marca de R$984 milhões de reais investidos, o volume de recursos aportados por investidores-anjo no Brasil bate mais um recorde. O motivo do acentuado crescimento no último ano tem origem conjuntural e estrutural. Estruturalmente, a tão esperada Lei Complementar 155/2016, entrou em vigor em 01/01/2017, trazendo maior segurança jurídica para os investidores. Empresas como 99, PagSeguro e Nubank divulgaram seus resultados e se consagraram como os primeiros unicórnios brasileiros.

Este reconhecimento trouxe credibilidade para o campo de inovação nacional, colaborando com os fatores conjunturais que suportaram os resultados do ano. Além disso, a queda da taxa de juros incentivou o crescimento do número de investidores anjo proativos. Em um círculo virtuoso, quanto mais se investe e mais a temática é discutida, mais pessoas entendem e buscam proativamente aportar em startups como uma opção de investimento.

Número de investidores-anjo e ticket médio

De acordo com a pesquisa da Anjos do Brasil, a quantidade de investidores anjo no Brasil cresceu 16% em 2017 em relação a 2016. Atualmente, de acordo com a organização sem fins lucrativos que fomenta o investimento anjo e apoia o empreendedorismo de inovação no país, temos um total de 7.615 investidores-anjo no Brasil. Do ponto de vista da distribuição de gênero, apenas 10,1% são mulheres.

O volume anual médio por investidor também cresceu, alcançando a marca de R$129 mil (US$ 32.428). Este valor não está muito aquém dos dados estadunidenses e europeus: US$82 mil e US$ 25 mil, respectivamente. Apesar deste crescimento, quando levamos em consideração a Relação do PIB brasileiro e do Estados Unidos da América, em 10% e que lá se investiu US$ 23,9 bilhões em 2017, o Brasil deveria ter 9,5 vezes o volume atual de investimento anjo, ou seja, aproximadamente R$ 9,4 bilhões por ano.

Entretanto, para que isto ocorra, é necessário urgentemente que se criem políticas de estímulo para o investimento em startups, como já aplicadas pelo Reino Unido, França, Portugal e mais recentemente a Argentina e África do Sul, que permite a compensação de até 100% do valor investido no imposto devido pelo investidor. Para o presidente voluntário da Anjos do Brasil, Cassio Spina, “sem estímulos, temos risco de estagnar o crescimento do investimento anjo em startups no Brasil, lembrando que quando comparamos com os EUA e a Europa ainda representamos menos de 2% do que já se faz por lá. Nossa competitividade no setor de startups, tão relevante atualmente no cenário global, ficaria ainda mais comprometida.”

Em tom positivo, diante dos dados apresentados pela pesquisa deste ano, ele afirma: “Nota-se que poucos ajustes, como a vigência da Lei 155, já trouxe alguns resultados. É um momento no qual temos uma oportunidade única de crescimento, se conseguirmos adotar as políticas necessárias, como aconteceu no Reino Unido e na França”

A importância do Investimento-Anjo

A OECD já vem apontando a importância crítica do financiamento em estágios iniciais. Pesquisas do MIT e Harvard apontam três explicações pelas quais o investimento-anjo é essencial no incremento da performance de startups: (a) elas crescem mais; (b) com investimento-anjo elas são mais propensas a ter êxito; (c) são impelidas a serem mais inovadoras. O investimento-anjo, assim, se apresenta como uma estratégia para promover o aumento da produtividade e inovação do empresariado brasileiro.

Proposições

Historicamente, o investidor brasileiro cita na pesquisa os empecilhos que enxerga para aumentar o volume de investimento-anjo. São alguns deles: o excesso de tributação, de burocracia, de riscos, a alta incerteza quanto a liquidez do investimento, o custo de oportunidade frente às taxas de juros, além da limitada gama de opções de fontes de recursos para startups e a responsabilização jurídica até mesmo do investidor no caso de processos envolvendo a startup.

No que tange a ações para o aumento de opções de fontes de recursos, tem-se visto casos muito bem sucedidos de investidores anjo coinvestindo em startups que receberam financiamento de fontes como FINEP e BNDES. Já para mitigar parte do risco jurídico dos investidores anjo, a Lei Complementar que entrou em vigor no início de 2017 se mostrou um avanço nas práticas nacionais de incentivo ao investimento anjo.

No entanto, ainda há uma gama de ações que podem ser tomadas para que a prática do investimento-anjo se aproxime do seu potencial total. Para tal, desde 2011, a Anjos do Brasil trabalha junto com interlocutores do governo e do Congresso Nacional para criação de mecanismos de estímulo, usando como referência as experiências bem-sucedidas de países como o Reino Unido, França, Portugal e EUA.

Incentivos fiscais, como compensação de parte do investimento nos impostos devidos, bem como isenção de impostos sobre o ganho de capital são exemplos de estímulos que trouxeram bons resultados nos países supracitados. Em oposição ao que é comumente contra argumentado, esse tipo de estímulo não implicaria em “renúncia fiscal”. O recurso incentivado para investimento, se aplicado em renda fixa, só geraria impostos sobre rendimentos; enquanto se investido em startups, é tributado integralmente, já que se transforma em pagamento de salários, aquisição de máquinas, contratações de serviços e aumento de faturamento da startup.

Todas essas consequências do investimento geram aumento da arrecadação tributária total. Cassio Spina alerta que “sem estes estímulos, temos risco de estagnar o crescimento do investimento anjo em startups no Brasil, lembrando que quando comparamos com os EUA e a Europa ainda representamos menos de 2% do que já se faz por lá. Nossa competitividade no setor de startups, tão relevante atualmente no cenário global, ficaria ainda mais comprometida.” Em tom positivo, diante dos dados apresentados pela pesquisa deste ano, ele afirma: “Nota-se que poucos ajustes, como a vigência da Lei 155, já trouxe alguns resultados. É um momento no qual temos uma oportunidade única de crescimento, se conseguirmos adotar as políticas necessárias, como aconteceu no Reino Unido e na França”.