* Por Tatiana Pimenta

Como muitos já devem saber, no mês de julho, o escritório da Vittude mudou para a Estação Hack – o primeiro centro para inovação criado pelo Facebook no mundo. Ficaremos aqui por 6 meses para um programa de aceleração do Facebook em parceria com a Artemisia, organização sem fins lucrativos pioneira no apoio a negócios de impacto social no Brasil.

Já estamos por aqui há três semanas, acumulando aprendizados diariamente. Um dos temas que gosto bastante é cultura corporativa. Por esta razão, um dos talks que mais chamou minha atenção foi sobre Cultura Facebook, onde tive a oportunidade de conhecer os valores e boas práticas da organização.

Não temos dúvidas que, desde a sua criação, o Facebook tem impactado nossas vidas. Desafio quem está lendo a refletir sobre sua interação com essa rede social. Para enriquecer este artigo, resolvi trazer alguns números.

Atualmente somos mais de 207 milhões de brasileiros segundo o IBGE. De acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 63% das casas brasileiras possuem acesso a internet. Além disso, o IBGE aponta que 77% dos brasileiros possuem um aparelho celular. E sabe o que eu descobri por aqui? Que já somos mais de 127 milhões de brasileiros ativos no Facebook. E os números não param de crescer. Vocês conseguem se lembrar como era sua vida antes dessa invenção? Bom, o foco aqui não é falar dos números e sim o que tenho aprendido com esta empresa, que nasceu como uma startup em um dormitório de Harvard e se tornou um gigante mundial.

Somos um dos países que mais utiliza os serviços do Facebook no mundo. Por esta razão, o Brasil foi eleito para receber a Estação Hack, cujo objetivo é fomentar o empreendedorismo. Os pilares deste centro de inovação são:

  1. Escola de programação
  2. Formação de microempreendedores
  3. Aceleração de startups de impacto social

Por meio de pesquisa, o Facebook identificou  que um dos pilares para fomento do empreendedorismo é a educação. Um estudo da Networking Skills Latam que temos 161 mil posições abertas na área de tecnologia e que elas não são ocupadas por falta de mão de obra qualificada. Fizeram mais um pouco de pesquisa e encontraram um número alto de desemprego entre os jovens de 17 a 25 anos. Diante desses números, sabe o que eles fizeram? Doaram 2.200 bolsas de estudo para jovens de baixa renda estudarem tecnologia, 1400 bolsas para preparação para o mercado de trabalho e mais 600 bolsas para inovação.

Mas Tatiana, cadê o aprendizado sobre cultura? Vamos a ele.

A importância da missão e propósito

Descobri que a missão do Facebook foi reformulada recentemente: “Give people the power to build community and bring the world closer together.” Em português: “Dar às pessoas o poder de criar comunidades e aproximar o mundo”.

O que nos ajuda a trazer o mundo mais junto? O que nos ajuda a criar senso de comunidade? Fomos convidados a refletir sobre nossos valores e convido quem estiver lendo a pensar nisso também. Qual é a minha missão? E a da minha empresa? Por que isso é importante? No meu caso, entendo que, sem propósito, nada faz sentido. O que me move todos os dias é saber que estou tentando contribuir para um país mais justo e menos desigual.

Os valores do Facebook

  1. Build social value – Como a sua empresa constrói valor social? Já parou para pensar nisso? Várias empresas se dizem socialmente responsáveis, mas nem todas atuam efetivamente na construção de valor real para a sociedade. Vejo muito quadro de parede por aí, com os valores estampados apenas como enfeite. Contratar um menor aprendiz; incluir deficientes em seu quadro de colaboradores; promover a diversidade ou incentivar o consumo consciente de água são apenas alguns exemplos de ações que realmente fazem a diferença.
  2. Move Fast – Um dos lemas é agir rápido, ter aval para errar e consertar rapidamente. A ordem é “Fail harder” (eles adoram termos em inglês). No Facebook, se você não está falhando, é porque você não está experimentando. Logo, você não está aprendendo! Todos os funcionários são incentivados a fazer escolhas conscientes e influenciar as decisões do dia a dia. Há tolerância para o erro e a constante ‘feito é melhor que perfeito’ está sempre em alta.
  3. Be bold – Não tenha receio de parecer maluco: OUSE. Não tenha medo de pensar grande. O que você faria se não tivesse medo? Percebi uma cultura muito forte de criação de coisas novas. Se algum colaborador tem uma ideia ou está se sentindo desconfortável com algo, ele é incentivado a falar. E todos, sem exceção, são encorajados a testar sem medo de errar. Que bom seria se todas as empresas do mundo fossem assim, não é mesmo?
  4. Be open – Descobri que Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, reserva 1h por semana para responder perguntas do mundo inteiro. Não tem pergunta que ele não abrace. Ele se reúne com o time e pede para que as pessoas o desafiem. Ele conversa ao vivo com a equipe em Menlo Park, onde fica a matriz da organização, e os que estão em outras localidades podem assistir à sessão remotamente e enviar perguntas depois. Portanto, esteja aberto e ouça seu time.
  5. Focus on impact – Não confunda movimento com progresso. Se você trabalha em um monte de coisas e ao final do dia não entrega nada, não está focando no impacto. Use seu poder criativo e faça coisas que realmente traga resultados. No Facebook, métricas e números são muito presentes, porém, 50% do que é analisado está relacionado ao “QUE” e os outros 50% ao “COMO”. Se você bate meta, mas parece um rolo compressor esmagando seu time, não está aderente aos valores da empresa. Como você entrega é tão importante como o quanto.

Ficou claro que uma pessoa que não consegue compartilhar dos valores da empresa acaba saindo dela. Mais uma vez, vi o feedback sendo visto como um presente e ferramenta de ajuda para o sucesso. No mais, o que observo diariamente no convívio com a equipe Facebook é a autenticidade e aprendo que é com as diferenças que a gente cresce.


Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude. Faz psicoterapia pessoal há mais de 5 anos. É uma grande estudiosa de diversos assuntos relacionados à saúde mental. Tem dedicado atenção especial ao tema da felicidade e à forma como reprogramamos nosso cérebro para ter mais emoções positivas. Possui mais de 15 anos de experiência profissional, tendo atuado em organizações nacionais e multinacionais de grande porte como Votorantim, Cimpor (Cimentos Portugal), Arauco e Hilti do Brasil.