* Por Exame.com

A startup brasileira Quero Educação tem um pezinho no Vale do Silício, região nos Estados Unidos reconhecida por sua concentração de empresas de tecnologia. Isso porque ela já passou duas vezes no processo seletivo da Y Combinator, aceleradora sediada no Vale.

O negócio, mais conhecido pelo marketplace de descontos para o ensino superior Quero Bolsa, passou pelo programa de aceleração e pelo YC’s Growth Program, que é focado em startups mais sólidas.

Assim, ao construir seu novo escritório, quis trazer um gostinho do que é trabalhar nas gigantes americanas como Google e Facebook. Em sua sede, que fica em São José dos Campos, SP, há um escorregador, um gongo e cafeterias com comida à vontade em todos os andares.

De crianças a universitários

Logo na entrada, o que mais chama a atenção é um escorregador que termina em uma piscina de bolinhas. Apesar de serem brinquedos voltados para crianças, os principais clientes da empresa são estudantes universitários.

O produto mais importante da startup é a Quero Bolsa, uma espécie de marketplace de bolsas de faculdade. As instituições de ensino inserem as vagas que têm disponíveis e o valor da bolsa, para que o aluno escolha onde quer estudar.

Por incrível que pareça, dar bolsas a alunos acaba sendo um negócio rentável para as faculdades, que têm, em média, 52% de suas cadeiras ociosas nos cursos. A evasão no ensino superior também é um problema grave e a Quero Educação percebeu que a chance de um aluno com bolsa largar seu curso é menor do que um aluno sem o desconto.

“Colocar o aluno para dentro é o maior desafio se a marca não é forte”, afirma Rui Gonçalves, responsável pela comunicação do Quero Bolsa.

A empresa também fornece dados e inteligência às faculdades, de acordo com as buscas dos alunos a partir de sua divisão Quero Alunos.

Crescimento

Com os programas de aceleração, a companhia viu seu faturamento explodir. De 2015 a 2017, a receita cresceu 10 vezes e atingiu 50 milhões de reais. No primeiro semestre desse ano, a empresa já ganhou 43 milhões de reais e deve bater o recorde de faturamento.

Cada vez que uma meta é alcançada – de receita, número de acessos, desenvolvimento de novos produtos, entre outros – o gongo que fica logo na entrada é tocado para que toda a empresa compartilhe da conquista. De olho nas metas: A Copastur explica o que é cultura organizacional e como ela interfere no alcance das metas Patrocinado 

Hoje, a startup atua principalmente com o ensino superior, mas o plano é “atender da creche à pós-graduação”, diz Rui Gonçalves. Entre outros projetos em desenvolvimento, estão soluções de pagamento e ingresso na universidade 100% digital, sem a necessidade de ir ao local fazer a matrícula.

Novas casas

Esse já é o terceiro escritório que a Quero Educação ocupa – ela precisou se mudar para conseguir abarcar os novos funcionários. Hoje, a empresa tem mais de 300 funcionários espalhados por quatro escritórios e mais de 100 vagas abertas. Além da sede em São José dos Campos, ela tem ainda outro escritório na cidade, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Cada vez que um novo funcionário chega a empresa, ele recebe um pássaro de pelúcia, a mascote da empresa. O brinquedo pode ser visto na mesa. A cada ano que o colaborador passa na empresa, ele recebe um boton comemorativo. Também recebe um pin se recebeu uma boa nota na avaliação de desempenho ou por conta de algum projeto em que participou.

 Competição na decoração

Além de personalizar a mascote, os colaboradores também são convidados a decorar seu ambiente de trabalho. As equipes desse andar estão em uma competição interna, divididas entre os times DC e Marvel, duas companhias de histórias em quadrinhos.

Atendimento

Aqui fica a equipe de atendimento ao cliente, a mais numerosa do escritório. Mais de 150 mil pessoas já usaram o serviço do Quero Bolsa, então é normal que o número de dúvidas seja alto. As questões não são apenas sobre a bolsa, mas também sobre a faculdade, sua reputação e até qual curso escolher, se engenharia ou administração.

Como essa é uma das áreas mais agitadas do escritório, há placas que ajudam a diminuir o barulho entre as mesas.

Começar da base

Quase todos que entram na startup passam por essa área, para ter contato com o aluno. Quem ingressa em cargos mais sênior ou técnicos em programação passam pelo menos duas semanas no atendimento.

Além disso, nos períodos de maior pico, quando as faculdades abrem as matrículas, outros funcionários são escalados para ajudar no atendimento. A movimentação entre as equipes é benéfica, porque pessoas de diferentes áreas podem sugerir melhorias.

Na foto, é possível ver o pódio no qual os melhores atendentes sobem a cada semana. No fundo, também há um termômetro que mede a qualidade geral do atendimento.

Lanchinho da tarde

Comida é uma constante no escritório. Cada andar tem uma pequena copa, com bebidas, doces, frutas e bolachas.

Além das copas e do refeitório, há outros eventos voltados especialmente para as refeições. Toda terça-feira é dedicada a pizza – os sabores são decididos a partir de um aplicativo, para não dar confusão.

No pub

Uma vez por mês há um happy hour regado a cerveja na sexta-feira e também há comemorações mensais de aniversário.

Algumas das comemorações ocorrem no pub da empresa, que fica no térreo. Os colaboradores disputam até no karaokê. Há quem passe algumas horas ensaiando no estúdio de música, que fica ao lado do bar, para não fazer feio na festa do mês.

De praxe

Assim como em outras empresas de tecnologia, a Quero tem uma área reservada para o lazer e descontração. Além do videogame e de um espaço para soneca, há uma máquina de dança.

Por ter passado duas vezes por um programa de aceleração do Vale do Silício, a startup quer trazer a cultura de inovação do local para sua cidade de origem. Por isso, organiza eventos, hackathons, cursos e mentorias.

Sinuca

A startup sonha em transformar o Vale do Paraíba, região da sua sede e que engloba as cidades de Lorena, Taubaté, Volta Redonda, entre outras, no novo Vale do Silício Brasileiro. De acordo com os diretores e fundadores, a cidade de São José dos Campos tem uma boa concentração de profissionais de engenharia e tecnologia, por conta da proximidade com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Ciência e Tecnologia da Unifesp e a sede da Embraer. Os próprios fundadores da startup, Bernardo de Pádua, Lucas Gomes e Thiago Brandão, se conheceram enquanto estudavam no ITA.

Mesada de moedas digitais

Também incuba startups que nasceram na região. Um cursinho do ITA e a Alumia, que transforma aulas presenciais em conteúdo para Ensino a Distância (EAD) são alguns dos exemplos.

Outro exemplo é o Rio, plataforma de acompanhamento dos colaboradores que é usada pela Quero. Por meio dela, são feitas as avaliações semestrais de desempenho, há serviço de chat e um sistema de recompensa por moedas digitais, as QueroCoins.

Cada funcionário recebe, semanalmente, 50 moedas para serem transferidas a outros colegas. O intuito é premiar quem cumpriu metas, ajudou os colegas ou teve boas ideias, por exemplo. Essas moedas podem ser trocadas por créditos no Uber, Google Play, entre outros.

Aulas diversas

Há seis meses, pouco depois da mudança para o novo escritório, a equipe de recursos humanos e experiência dos funcionários passou a oferecer um novo benefício: cursos e aulas. Realizaram uma pesquisa para saber que assuntos interessavam aos colaboradores e, agora, disponibiliza aula de yoga, luta, inglês, Excel e programação, entre outros. Na foto, está a sala de estudos da empresa.

* Por Karin Salomão, para Exame.com.