* Por Eduardo Tardelli

Uma das tendências tecnológicas dos últimos anos no mundo dos negócios é a escalada por meio do uso de dados cadastrais. Isso tem se tornado possível devido a democratização da utilização de inteligência artificial para tomada de decisões nas áreas comerciais, o que tornou-se indispensável e fator de concorrência.

Diante desse cenário e principalmente na busca por oportunidades comerciais, o uso de big data (estruturação de dados) deixou de ser uma tarefa apenas realizada pela área de TI (Tecnologia da Informação) e tornou-se uma ferramenta do setor comercial proporcionando inovação e rompendo com os modelos tradicionais de crescimento, outrora as prospecções dependiam de mão de obra humana como vendedores e representantes comerciais. Porém, o uso desenfreado dessas inovações abriram espaço para discussões sobre a segurança de dados dos usuários.

As empresas e seus gestores precisam entender que a quantidade de coleta não é o mais importante para uma organização, mas sim como esses dados são interpretados e analisados a fim de gerar insights para decisões assertivas, além de terem que ser aplicados sempre com grande responsabilidade.

Digo isso porque muitas corporações buscam informações relevantes de diversas fontes públicas e privadas, e isso inclui transações financeiras, redes sociais, pessoais, entre outras. O papel do big data, nesse momento, é tornar as informações claras, objetivas e com funil específico para cada segmento de atuação, tendo em vista o princípio mais importante, a segurança.

Como sabemos, qualquer decisão de compra envolve informações cadastrais pessoais e com a crescente facilidade na captação e transporte de tais dados, é cada vez mais difícil para as organizações protegerem os dados confidenciais dos usuários. Nesse âmbito, o GDPR (General Data Protection Regulation) tem como objetivo dar mais poder aos internautas no que diz respeito à coleta, armazenamento e processamento de seus dados pessoais em ambientes on-line. A nova lei estabelecida pela União Europeia garante que qualquer cidadão europeu poderá, por exemplo, pedir a completa remoção de suas informações em um servidor ou até mesmo requisitar que elas sejam transferidas para outro serviço on-line.

A regulamentação imposta em território europeu impacta no mercado brasileiro. Independente do tipo de negócio, qualquer instituição comercial que processe ou armazene informações de cunho pessoal de cidadãos europeus deve cumprir a regulamentação mesmo que não esteja baseado na Europa.

Empresas brasileiras que armazenam dados também devem se adequar as novas resoluções, uma vez que a multa é de até €20 milhões ou 4% do faturamento anual global. Vemos uma grande movimentação mundial no que tange a segurança de dados digitais e por este motivo é imprescindível que ao utilizar essas soluções o contratante opte por aquelas que seguem os padrões de confidencialidade e a nova regulamentação.


Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, uma empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) extraídos da internet e outras bases de conhecimento, correlacionando estas informações e gerando relatórios gráficos e analíticos para a melhor tomada de decisão.