* Por Ana Fontes

Em 2014, fui convidada para participar de um painel e conduzir um workshop no Fórum Mundial de Direitos Humanos na cidade de Marrakesh no Marrocos. Fiquei muito feliz e honrada, porque além de poder transmitir meu conhecimento internacionalmente, ainda teria a possibilidade de assistir Malala palestrando ao vivo, pois ela também falaria nesse Fórum.

O evento foi incrível, e me permitiu conhecer mulheres maravilhosas num país com muitas dificuldades de liberdade. Porém, por um conflito de agenda, não consegui vê-la palestrar ou falar com ela, nossos caminhos não se cruzaram.

Durante algum tempo, eu e minha equipe alimentamos o sonho de trazer a Malala para o Brasil para falar no maior evento que promovemos na Rede Mulher Empreendedora, o Fórum Empreendedoras. No entanto, infelizmente, não conseguimos viabilizar sua vinda em função da grande complexidade do esquema de segurança necessário para trazer uma pessoa como ela, dado as circunstâncias do atentado que ela sofreu.

Neste ano, eu soube que a Malala estaria no Brasil trazida pelo Itaú/Fundação Itaú Social. Meu coração disparou com a notícia e na hora já pensei: “preciso estar neste evento”. Uma das demandas de Malala, foi a presença de jovens e instituições de apoio na plateia, e felizmente, o trabalho que fazemos na RME é bastante reconhecido e fui uma das convidadas para estar na plateia especial, que estaria no palco, podendo ainda levar minha filha adolescente.

A ansiedade foi enorme até a data! No dia, chegamos horas antes e encontramos um enorme e organizado esquema de segurança. Finalmente chegou a hora de nos posicionarmos no palco e a emoção tomou conta. Malala estava lá, uma jovem de 21 anos, que com tanta grandeza e generosidade tornou-se referência no incentivo ao acesso à educação. Fomos orientados a não nos aproximar por questões de segurança, mas ficamos logo atrás dela e o tempo inteiro sentindo a energia, a luz e o carinho que emanavam dela.

A fala dela não poderia ser diferente. Um professor, um caderno, uma criança e podemos mudar o mundo. Ela destacou que não sente raiva, mas sim vontade de ajudar cada vez mais crianças e meninas pelo mundo. As falas mais tocantes incluíram uma pergunta sobre vingança, a qual ela responde que: “a melhor vingança é educar todas as crianças do mundo”; outra sobre como lidar com a raiva de ser ativista, que foi rebatida com: “precisamos de ajuda, precisamos nos unir e focar nossa energia no que é necessário e não na raiva”; e ainda quando questionada sobre como lidar com a situação política do Brasil, ela responde: “vocês precisam assumir o país com seus problemas e trabalhar em conjunto para transformá-lo”. Foram ainda expostas metas ambiciosas, que eu adorei, sobre educação e mudar a realidade do mundo. Malala foi muito espirituosa, contando detalhes de sua vida.

Agradeço muito ao Itaú por este presente que foi estar com a Malala. Ganhei também outros presentes maravilhosos: o nosso pequeno grupo convidado e conduzido pela Dany Carvalho (Itaú /Cubo), Iana (Programaria), Renata (Troposlab), Viviane Duarte (Plano feminino), Débora (Força Meninas), Kamila Camilo (Fablabs), Ciranda (She’s Tech); a fala da Ana Lúcia Vilela (que trouxe a Malala), da maravilhosa Conceição Evaristo, da potência jovem, Tabata Amaral, e da queridíssima Tia Dag, todas sendo maravilhosamente conduzidas pela jornalista Adriana Carranca.

Mas eu guardei a melhor parte para o final do texto. No encerramento do evento, Malala volta-se para a plateia e diante do choro emocionado de Kamila Camilo vem a nosso encontro, abraçando a Kamila, eu e minha filha. Vocês conseguem imaginar como meu coração ficou? Tão quentinho, tão iluminado, e ficarei assim por muito tempo, iluminada por toda a energia da Malala.

* Ana Fontes é CEO da Rede Mulher Empreendedora