Aconteceu nesta segunda-feira, 30, no Google Campus São Paulo, a primeira edição do programa Womenwill voltada para mulheres trans. A iniciativa é voltada para mulheres de todo o Brasil criarem suas próprias oportunidades econômicas, e capacita-as por meio de palestras e workshops que acontecem ao redor do País.

O Google faz parte do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, por isso acredita na importância de desenvolver iniciativas para esse público, uma vez que a falta de apoio para transexuais começa cedo. Segundo a Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (RedeTrans), 82% das mulheres transexuais e travestis abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos devido a discriminação na escola e a falta de apoio familiar.

A carência de suporte faz com que 90% dos transexuais brasileiros se envolvam, em algum momento, com prostituição, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Por isso, a importância e urgência de capacitar estas mulheres para empreender e se inserirem no mercado de trabalho formal, dando autonomia e empoderando-as.

O treinamento realizado no Campos foi desenvolvido em parceria com a Transempregos, plataforma que conecta candidatos trans às empresas, e a Rede Mulher Empreendedora (RME), que visa avançar na empregabilidade e combater o preconceito contra esse público, além de diminuir a lacuna entre gêneros.

Durante o evento, a coaching Priscilla de Sá falou para uma plateia de mais de uma centena de mulheres trans e travestis sobre liderança, empoderamento e empreendedorismo. “A cada 48 horas uma travesti é assassinada no Brasil. A cada dois dias que vocês estão vivas, vocês têm motivos para comemorar. Esta comemoração tem um lado bom, que é o de dar valor à vida, mas o lado ruim, que é o perigo de se contentar em ser sobrevivente. O lugar da sobrevivência é importante, mas não é onde você sobrevive que se vence. O lugar da sobrevivência é de ficar agarrado no passado e reagir ao que o mundo espera da gente. E o mundo não espera coisa boa. Quando você chega no lugar onde você conseguirá vencer, é o que chamamos de liderança”, explica a coaching.

Participantes do programa Womenwill, que desta vez teve como foco a comunidade transgênero

Priscilla ensinou para as participantes como montar um plano de liderança. Ele continha perguntas essenciais como “qual é o meu objetivo? Como eu vou saber que ele já foi atingido, como posso garantir que as coisas aconteçam?”, e “como o meu sucesso vai melhorar o mundo à minha volta?”.

Cidadania

Maite Schneider, uma das fundadoras do TransEmpregos, falou sobre a importância de iniciativas como esta para a inserção de mulheres transexuais e travestis no mercado de trabalho e no empreendedorismo,além da necessidade de uma equipe diversa para o sucesso de uma empresa, seja ela de qual segmento for.

“O objetivo é que chegue um dia em que o TransEmpregos não exista mais. Queremos que não exista mais a necessidade de realizar um evento voltado especificamente para mulheres trans e travestis, mas sim que todas possam participar de um mesmo evento, se conheçam e possam realizar parcerias e sociedades porque têm interessem em comum, independente da realidade em que elas vivem”, diz.

Para ela, a diversidade é vital para as corporações e não está só no viés da transexualidade, mas de todos os tipos de pessoas. “Quando falamos em diversidade, não estamos falando só de LGBT, deficiente ou sobre etnias, mas é sobre reconhecer que essa diversidade já existe no nosso entorno, e a gente está só agregando com diferentes visões. Assim, todo mundo ganha”, completa a Maite.

Para saber mais sobre o programa Womenwill, acesse aqui. Para saber mais sobre os eventos realizados pelo Google Campus São Paulo, confira a agenda do espaço.