* Por Anderson Arcenio

Primeiramente, você sabe definir o que é um modelo de negócio?

Em resumo, aqui na Digital Labs, nós entendemos que o modelo de negócio é a maneira como sua empresa cria, entrega e captura valor. Como sua empresa pretende resolver um determinado problema e como irá extrair receita com esta solução.

Aqui no blog nós já contamos como você pode ter uma boa ideia e mostramos algumas formas de validação de um negócio. Agora, continue nesse texto se quiser avançar à etapa de definição do seu modelo de negócio. 

Por onde começar?

O primeiro passo é “colocar no papel” o seu modelo de negócio. Para isso, a metodologia mais utilizada atualmente é o famoso Canvas.

Criada por Alex Osterwalder, junto com outros especialistas, ficou popular através do livro “Business Model Generation” (disponível também em Português). Por meio de um quadro composto por nove blocos, o empreendedor é conduzido a pensar em itens que muitas vezes são deixados de lado em um primeiro momento.

Pensar e responder cada ponto abordados no Canvas traz clareza e mais precisão ao que você pretende colocar para rodar.

Não vamos nos aprofundar nos nove blocos aqui, pois existe muito material disponível no tema, mas deixamos neste link um template do Canvas no Google Drive. É só fazer uma cópia para sua própria conta e usar. 

5 diferentes formatos de monetização

É comum que as pessoas interpretem o modelo de negócio como sendo o modelo de receita de uma empresa, mas como vimos logo de início, ele vai muito além disto.

De qualquer forma, a definição de um modelo de monetização é algo extremamente importante para uma startup. Mais do que criar produtos e transformar ideias inovadoras, como já falamos no texto sobre validação de problema, solução e negócio, e gostamos de repetir sempre, o foco dos envolvidos em uma startup deve estar em encontrar um modelo de negócio economicamente sustentável.

Vamos listar alguns dos principais modelos existentes para te inspirar:

1. SaaS

Neste modelo, em vez de se trabalhar apenas com a venda de uma licença para uso do software , a empresa se dedica na entrega constante do serviço de atualização e manutenção da plataforma. Sua grande vantagem é a aquisição de uma receita recorrente e uma base de clientes sempre ativa.

Esse é o modelo atual que utilizamos no Protarefa, startup da Digital Labs.

2. Marketplace

Em resumo, um marketplace é uma plataforma que conecta a oferta à demanda por produtos e serviços.

Como forma de remunerar este modelo, normalmente cobra-se uma taxa de transação ou comissão referente a cada operação realizada dentro da plataforma. Dependendo do seu ticket e do tamanho da sua comissão, você precisará de muita escala para ter uma receita significativa.

Com o aprendizado do Salus, podemos dar uma dica: entenda muito bem seu CAC (Custo por Aquisição de Cliente) e seu LTV (valor do tempo de vida do cliente) para analisar se este modelo consegue sustentar sua operação.

3. Publicidade

Neste modelo de negócios, normalmente o serviço é oferecido gratuitamente ao usuário com a veiculação de anúncios segmentados ao longo de sua experiência.

Particularmente, nós preferimos não ter este como o modelo principal de um negócio, no máximo utilizá-lo como uma fonte de receita auxiliar. Este é um modelo sensível financeiramente e exigirá muita audiência para se provar interessante para seus futuros anunciantes.

4. Geração de Leads

O modelo de geração ou venda de leads ocorre quando a startup vende uma indicação de cliente com intenção de compra para um usuário cadastrado na plataforma.

5. Freemium

O modelo freemium é aquele em que alguns serviços ou recursos de um produto são gratuitos, porém os usuários devem pagar por recursos premium adicionais.

Nós encaramos este modelo mais como uma estratégia comercial, assim como a oferta de um período de testes (trial). Logo, ele pode ser utilizado junto com a maioria dos modelos aqui citados.

Você precisa planejar muito bem quais serão os seus recursos gratuitos, para que eles gerem interesse na experimentação de novos usuários, mas que não os satisfaça completamente a ponto de nunca migrarem para os planos pagos.

Inove em seu modelo de negócios

Os modelos citados devem ser vistos como referências, utilizados como benchmarking e inspiração — nunca como regras.

Busque inovar também em seu modelo de negócio, não apenas na sua solução. Seja criativo na maneira com que você entrega e captura valor.

Crowdfunding e SEM (SaaS enabled marketplace) são alguns modelos diferentes que algumas empresas vêm customizando e adaptando às suas realidades.

Lembre-se da função de uma startup

Independente do modelo que escolher para o seu negócio, foque sempre em buscar algo sustentável financeiramente. Experimente e teste rápido! E não se prenda a um único modelo.

Existe uma teoria que diz que uma startup muda em média 4 vezes seu modelo até consolidar um. Portanto, mantenha sempre o senso de experimentação e foco no seu dia a dia.


Anderson Arcenio é cofundador e CEO da Digital Labs, venture builder responsável por criar startups como o Salus e Protarefa. Também é cofundador do Livebuzz e Sócio da Dinamize. Com 14 anos de experiência com projetos digitais, é pós-graduado em Gerenciamento de Projetos – práticas do PMI, pelo Senac e bacharel em Sistemas de Informação, graduado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP.