Qualquer processo de negócios está suscetível a erros, principalmente quando o assunto é enfrentar mares nunca antes desbravados. E com o Peixe Urbano não foi diferente. Os fundadores da empresa, que em 2010 trouxeram o modelo de negócios de compras coletivas, até então inédito no Brasil, aprenderam muito com seus desacertos no início da trajetória. E, com isso, fortaleceram a marca. O cofundador e CEO da empresa, Alex Tabor, listou os principais erros cometidos no início da operação e que mais marcaram a história da plataforma. Confira:

Não nos consolidamos no Brasil antes de expandir os negócios

“A gente não consolidou o mercado no Brasil antes de ir para os outros países da América Latina. Quando ainda existiam milhares de concorrentes aqui, saímos para o mundo e compramos empresas no México, no Chile e na Argentina. O mercado brasileiro é maior que todos esses juntos. E tentar sair do Brasil antes de ter a empresa consolidada nacionalmente, reduziu nossa competitividade no mercado mais importante. Para garantir o melhor desempenho, você tem que dedicar os recursos necessários para se fortalecer no mercado mais promissor, que – no nosso caso – era o próprio Brasil, e depois replicar o modelo em outros lugares. Isso é algo que tem muito a ver com foco e maturidade no player. Desde então, a gente sempre busca simplificar e conseguir um grau de sucesso, antes de estabilidade, de previsibilidade de resultados e de partir para outros projetos.”

Demoramos para mudar

“Não reagir rápido o suficiente à mudança de comportamento do mercado é um erro crucial dentro de um negócio. As compras coletivas dispararam, mas bateram em um teto, que imaginávamos que seria bem mais alto. Estávamos navegando em um mercado que não era autossuficiente para nossa estrutura. O Peixe Urbano estava pronto para lidar com uma venda duas vezes maior, porém, essa venda não cresceu. Estávamos com um custo muito elevado e demoramos para fazer as modificações necessárias. A solução foi repensar o modelo de negócio e atuar como um e-commerce local. A partir daquele momento, não era mais necessário o número mínimo de usuários para ativar as ofertas, que passaram a ficar no ar sem limite de tempo.”

Erramos na contratação de alguns profissionais

“Algumas vezes contratamos colaboradores baseados no currículo. Há muitas pessoas que se saem bem nas entrevistas mas, na verdade, fazem um trabalho que não condiz com o que a empresa espera e precisa. E, às vezes, encontramos pessoas que não vão muito bem nas entrevistas, mas que são muito melhores na entrega. E o que importa para a empresa são os resultados e a forma como esse colaborador adere e se integra ao ecossistema, que agora ele faz parte. Então, é importante checar todas as referências de empresas anteriores do candidato, para verificar, de fato, se ele é aquilo que apresenta na entrevista. Tome cuidado quando a pessoa diz que não erra, entrega muito e é positiva demais. É neste momento que as referências precisam ser checadas. Parafraseando Peter Schutz: Contrate caráter, treine habilidades.”

Nem sempre olhamos tão profundamente a saúde financeira

“Lidar com os gastos da empresa, mesmo que sejam aparentemente pequenos, é de extrema importância para a saúde do negócio. A falta de cuidado e de eficiência com as despesas é cultural e tende a crescer e piorar, se não tiver uma disciplina. Muitas startups quebram quando não têm esse olhar. O ideal é sempre otimizar e verificar outras maneiras mais eficazes e não tão caras. Se você conseguir implantar essa cultura e disciplina, criará um efeito contrário, um círculo virtuoso, que alcançará níveis cada vez mais eficientes, diferente daquilo que encontrou no início. Conforme sempre falamos aqui, o importante é sobreviver, porque coisas boas acontecem depois disso.”