* Por Hilton Menezes

A Revolução Industrial foi um acontecimento que transformou a vida das pessoas em todo o mundo. Devido à ela, conseguimos ter acesso a diversos produtos, tecnologias de transporte e de geração de energia. Com o desenvolvimento da indústria, houve também a corrida para as cidades, em busca de melhores condições de vida. Agora, vivemos um novo momento de grande transformação (o tempo irá dizer se tão impactante quanto à Revolução Industrial), dessa vez puxado por smartphones, big data, internet das coisas, design thinking e diversos outros conceitos que mudam radicalmente o dia a dia de todos.

O que não quer dizer que apenas o novo iPhone, ou aplicativos como Waze e Uber, estejam no centro da inovação nos dias atuais. Setores tradicionais, em especial a indústria, também se mobilizam neste ambiente de transformação digital. E os resultados surpreendem pelo potencial de crescimento e avanço tecnológico. A chamada Indústria 4.0, basicamente uma nova lógica de produção, deu início ao processo de virtualização e digitalização da operação industrial. Nessas indústrias inteligentes, plantas, máquinas, insumos e colaboradores “conversam” ao longo das operações industriais de tal forma que têm escala e flexibilidade do processo de fabricação e entrega. Isso ocorre de forma relativamente autônoma e integrada e exige da cadeia de suprimentos o mesmo viés: ser conectada, tecnológica, ágil e inteligente.

Falemos da área logística, que é um importante pilar nas empresas dos mais variados setores e essencial para o desenvolvimento industrial. Trazê-la para a Indústria 4.0 significa entender e endereçar desafios no que diz respeito à infraestrutura, eficiência de armazenamento, otimização de tempo, redução de desperdícios, nível de produção como desenvolvimento industrial e como as tecnologias podem auxiliar na modernização e dinamização dos nossos parques industriais. Este movimento, combinado aos fenômenos da internet das coisas, impressão em 3D, Big Data, rádio frequência e outras inovações, molda uma nova forma de fazer logística, auxiliando na competitividade da indústria.

É importante ressaltar que o momento 4.0 é uma realidade global. Empresas que querem dominar o mercado e sair na frente da concorrência precisam investir em novas tecnologias, no desenvolvimento de profissionais com visão analítica e na conexão com grandes players de mercado visando potencializar seus resultados. No Brasil, a boa notícia é que a maior parte do setor já despertou para essa necessidade. De acordo com estudos publicados pela CNI em 2018, houve um aumento significativo no número de indústrias brasileiras que que estão na Indústria 4.0, ainda que em estágio inicial. Entre o início de 2016 e o de 2018, o percentual das grandes empresas que utilizam pelo menos uma das tecnologias digitais consideradas nas pesquisas passou de 63% para 73%.

Recentemente, por exemplo, nós da Kyvo iniciamos um trabalho com o Sebrae Minas e a Vallourec, o Programa MIND 4.0, para acelerar startups que estejam alinhadas à busca por inovação dentro de um setor tradicional como o siderúrgico. A ideia é mapear tecnologias para resolver problemas de rastreamento e novas maneiras de integração entre clientes e fornecedores; movimentação e gestão de estoque; controle e rastreamento para otimizar o volume de peças sobressalentes para manutenção e identificação da posição de barras de aço no estoque para menor movimentação interna. Essa é uma das iniciativas da Vallourec e apenas uma entre tantas outras que acontecem atualmente no mercado industrial brasileiro.

Agora falta o despertar do lado do empreendedor, assim como ocorreu na área financeira, com a explosão das fintechs, e de serviços mais simples para o consumidor, tal qual um aplicativo de táxi. Não é necessário ser um industrial. Basta buscar entender as dores dessas empresas e dar início a uma jornada conjunta. O caminho está aberto e novos players, no caso startups, são muito bem-vindos.


Hilton Menezes é empreendedor, sócio da Kyvo Design e Inovação e representante oficial da aceleradora de startups do Vale do Silício GSVlabs no Brasil