A gestação e o pós-parto são os momentos mais especiais da vida de muitas famílias, principalmente das mamães de primeira viagem. Entretanto, são os momentos mais delicados também, pois o cuidado com a saúde da gestante e, após, com a do bebê, precisam ser constantes. As dúvidas, neste momento delicado da vida, surgem a todo instante.

O mercado formato por estas novas famílias é gigante: no Brasil, nascem cerca de 320 pessoas por hora. Para auxiliar estas mulheres e facilitar o acesso delas a consultas médicas 24 horas por dia, 7 dias por semana, nasceu o app Bellamaterna. “Mães e gestantes principalmente de primeira viagem, estão sendo bombardeadas com informações que demandam interpretação e investigação da fonte, e atribuir mais esta responsabilidade a esta mãe que já está num momento de tamanha confusão na sua vida, não é o ideal”, diz Ricardo Franco, fundador da empresa.

A startup é uma plataforma que conecta grávidas e mães de bebês com até 2 anos de idade a médicos, por meio de chamadas de vídeo por todo o Brasil, a qualquer hora do dia. Por meio do Bellamaterna, a usuária pode escolher entre uma enfermeira pediátrica ou obstétrica, uma nutricionista ou consultora de amamentação, para tirar dúvidas em um momento de necessidade, sendo aconselhada e amparada, com informações técnicas para suprir a necessidade momentânea, evitando idas desnecessárias ao hospital, e deste modo, uma solução para diminuir os custos e exposição a riscos maiores de contágio.

Criação

De acordo com Ricardo, foram dois os pilares que definiram a necessidade e que o levou a criar o modelo de negócio que da startup. “O modelo insustentável de saúde suplementar e pública no Brasil a médio e longo prazo, onde a prevenção e o engajamento as boas práticas de saúde são a única saída para um sistema de saúde viável, aliada a um cenário de desinformação, principalmente para gestantes e novas mães, que são um dos maiores custos aos sistemas de saúde, por questões de baixa complexidade, que poderiam ser facilmente evitadas com informação e apoio no momento de necessidade”, explica.

“Os grupos de mães na internet ao mesmo tempo que tem feito um trabalho excelente conectando mães gestantes e suas experiências, criando um ambiente de troca e apoio, também trazem alguns modismos e julgamentos que causam mais estresse e culpa, e em casos mais agudos levam as mesmas a auto diagnósticos ou auto medicação”, diz o fundador.

A startup foi criada por Caio Mansho, CTO e Ricardo Franco, que além de empreendedor também é pai. Antes deste negócio, até o fim de 2016, Ricardo trabalhava como diretor-geral de um laboratório americano focado em produtos de fomento a amamentação. Foi neste contexto que adquiriu o conhecimento e vivência dentro da área que o possibilitou empreender num ramo tão diferenciado do ponto de vista masculino.

Solução

Além do suporte por voz e vídeo, as usuárias da startup têm um acompanhamento mensal, criando um banco de dados com informações que ficam disponíveis para o seu médico, auxiliando no tratamento. Informações como nutrição, ganho de peso e altura, agendamento de consultas médicas e controle de vacinas, também poderão ser encontradas no aplicativo.

Na prática, o aplicativo une a experiência dos profissionais da saúde, com mães e gestantes que precisam de apoio em casos corriqueiros e que nem sempre há necessidade de sair “correndo”.O profissional está preparado para atender e também para sugerir a ida ao hospital para uma avaliação física, caso seja preciso.

Todos os profissionais que atendem a plataforma se cadastram, enviam o número do registro e são aprovados após a confirmação das informações. Após serem aprovados, eles podem trabalhar em suas horas livres ou quando quiserem e são remunerados por minuto atendido. O aplicativo oferece também diversos cursos gratuitos aos cadastrados.

“Conectar esta comunidade a profissionais de saúde para ter a informação segura dentro de um ambiente seguro, remunerando estes profissionais em seus momentos livres, acabou sendo pra mim uma solução quase que natural, já que eu vivia este mundo de gestação e maternidade diariamente não só como pai mas como executivo”, conta Ricardo. Na plataforma, os preços das assinaturas variam de R$29 até R$129. Os profissionais de saúde cadastrados no app recebem R$3 por chamado, além de uma taxa por minuto de atendimento que varia de acordo com a especialidade e com o horário do atendimento.

Tecnologia

Para as mamães, o cadastro no app pede informações relevantes sobre a jornada da gravidez e do desenvolvimento do bebê. Após escolher a especialidade, a usuária aguarda um período máximo de três minutos para ser atendida e interagir com o profissional, onde ela poderá escolher se quer atendimento por vídeo ou somente por voz. Ao final, a mulher avalia o profissional que a atendeu.

Do lado do profissional, após enviar documentação comprobatória de experiência e formação, passa por uma entrevista com o corpo técnico da startup e só então estará apto para atender através da plataforma. Ao se logar e atender, este profissional tem acesso ao histórico da usuária contendo todos os atendimentos anteriores e os encaminhamentos dados pelos outros profissionais, de modo que tenha o máximo de informações para um atendimento mais efetivo. Ao fim do atendimento, ele preenche um formulário de histórico do atendimento onde diz o motivo do chamado, a explicação que foi dada e o encaminhamento que pode ser: manter em observação por 4 horas, encaminhado a um Pronto Socorro ou finalizado.

A fase Beta do aplicativo foi finalizada com 350 clientes não pagantes, e no primeiro mês de operação, os empreendedores esperam faturar R$15 mil. Com investimento bootstrapping, foram mais de R$200 mil desde o desenvolvimento da solução até a colocação da plataforma no ar.

A empresa monetiza por meio das vendas de acesso ao atendimento, seja diretamente para as usuárias, seja para operadoras e seguradoras de saúde, secretarias de saúde ou empresas com um grande contingente de coberturas obstétricas em seus benefícios saúde para suas colaboradoras. “Nosso foco principal é a venda B2B, uma vez que somos uma ferramenta de diminuição de custos com visitas desnecessárias a pronto socorros, e no médio prazo com internações por questões advindas de partos e gestações de riscos ou desenvolvimento dos bebês, já que acompanhamos toda a jornada alertando para riscos futuros.”

Para o empreendedor, soluções empreendedoras que utilizem tecnologia, podem mudar a forma como as mulheres passam pelas gestações, em termos de saúde, hoje. “Soluções de varejo, ou seja, uma nova forma mais prática de comprar,  pode mudar o dia de uma gestante por exemplo, ou uma solução de bem estar, que dê a ela a possibilidade de se sentir bonita, saudável, de bem com ela mesma, seja através de conteúdo ou de programas de acompanhamento. Pensando de uma forma mais ampla, o ecossistema absorver esta mulher criando oportunidades de trabalho dentro de uma nova configuração de relacionamento entre a empresa e ela, algo que várias startups já estão fazendo, cria um ambiente mais colaborativo e menos competitivo, que causa tanto stress para esta mulher, que não sabe como vai se relacionar com seu emprego após o retorno de uma licença maternidade, por exemplo”, completa o fundador.

O aplicativo Bellamaterna está disponível pela PlayStore aqui.