*Por Jorge Pacheco

Comemoramos neste mês o nosso sexto ano em atividade. Seis anos em que iniciamos uma trajetória cuja timeline se mescla com a caminhada do ecossistema de startups brasileiro. Vimos o boom, a crise e o reaquecimento. São 72 meses em que acreditamos na cultura dos escritórios compartilhados como catalisador da mudança e, posso dizer, que ainda temos muito caminho pela frente.

Iniciamos o projeto em 2011 e, naquela época, o Google era o sinônimo de ambiente revolucionário. Colorido e com mesas de pingue-pongue, ele se tornou o ideal de escritório moderno/disruptivo, um “sonho”. No Brasil um hub de empreendedorismo era inexistente. Observamos este movimento e saímos “à caça” de tendências. Ásia, África, Europa, rodamos bastante. São Paulo capital contava com dois coworkings menores, nenhum voltado para startups. Nesse segmento, certamente, somos os pioneiros.

Foi em 2012 que a Plug foi inaugurada no bairro do Brooklin. Chegamos grandes, pois a maioria dos espaços tinha até 300 m² e começamos com 600m² de imediato. Jovens, porém, gigantes. Sediamos os principais eventos de startups no Brasil e isso faz parte do nosso DNA até hoje.

No início priorizamos as cores, inspirados nos ares latino-americanos e na paleta de Frida Kahlo. Colocamos a “mão na massa” para garantir uma infraestrutura bacana. As mesas eram cavaletes e portas lixadas e envernizadas, muitas vezes por um só marceneiro: eu. Nosso público era formado por jovens startups, pequenas empresas de até quatro pessoas e alguns poucos freelancers.

Recebemos executivos estrangeiros do Google e eles disseram que a Plug era o escritório mais cool que eles já haviam visitado na América Latina. Porém, sermos descolados não era garantia de casa cheia. Empreendedores comentavam “Sonho em trabalhar aqui, mas o que meus clientes vão achar ao me verem em um espaço compartilhado? Parece que eu não tenho verba para um escritório e meu negócio não está bem-sucedido”. O sonho da “casa própria” era algo forte no mindset das empresas. E isso ainda era uma evolução do modelo antigo onde era necessário não apenas estar no local, mas ser dono do imóvel “empresa com sede própria”.

Aos poucos, tudo mudava. Chegamos no momento que o conceito de Coworking crescia. Houve a proliferação de pequenas salas comerciais que colocavam mesas, cadeiras e internet e se autodeclararam escritórios compartilhados. Esse é um estigma que perdura até hoje, infelizmente. Ao mesmo tempo se formavam grupos que se diziam os donos da verdade sobre o que era coworking e criticavam os espaços que ofereciam opções de salas privativas além das mesas em open space.  Nos criticaram por termos algumas salas com paredes de vidro e que isso nos tiraria da categoria. Tudo bem, deixamos eles falarem.

A nossa comunidade estava satisfeita em nossos espaços e a integração/colaboração sempre foi algo reconhecido e admirado na Plug. Na realidade, fomos os primeiros a criar este conceito no Brasil e, adivinhem, essa é hoje uma opção recorrente e presente na grande maioria dos espaços de coworking. A privacidade ainda é algo buscado pelas empresas e sempre fizemos questão de criar um modelo que atendesse a demanda da comunidade e ao mesmo tempo estimulasse para que todos se conhecessem e interagissem.

Em 2014 a dificuldade de encher os espaços continuava, mas havíamos atingido o break-even e continuamos a expandir. Éramos top of mind para criação de espaços para startups. Ocupamos mais um imóvel no Brooklin e um em Pinheiros. Ao mesmo tempo da nossa ampliação, o Itaú começa a desenvolver o Cubo, seu espaço de inovação, e nos chamou para ajudarmos a montarem e a operarem o local.

Em 2015 o Cubo abriu e a ideia de coworking começou a ser mais definido na cabeça do público. Naquele ano deixamos de ser os maiores de SP e de ser o principal hub de startups. Por outro lado, estávamos lá, mais uma vez no epicentro da mudança. Eu disse que a história dos coworkings no Brasil se misturava com a nossa e isso é realmente verdade. Havia uma preocupação de que o mercado acabaria, mas minha previsão se tornou certa: o Cubo trouxe uma evolução do segmento no país. Conectou o ecossistema as grandes empresas. Foi o ano, também, de expandirmos para além das fronteiras e inauguramos nosso espaço nos EUA, em Boston, sendo o primeiro coworking brasileiro a abrir uma unidade fora do país.

O número de coworkings cresceu e isso trouxe mais profissionalização. Todos tiveram que se adaptar, melhorar as estruturas e, com isso, os custos se ampliaram. Em 2016 inauguramos a Plug Calixto, com um conceito completamente aberto, horizontal, onde todos se veem e se conhecessem, diferente de outros espaços que ficavam em casas com diversos cômodos ou verticalizados distribuídos em pequenas lajes/conjuntos comerciais. Em 2017 chegam ao solo brasileiro as marcas estrangeiras. Com nomes de peso e estruturas grandiosas, o cenário se modificou mais uma vez. Eles inauguraram com as vagas ocupadas, valendo até colocar gente de graça para mostrar a “casa cheia” e espaços grandes, alguns com cerca de 4 mil m² quadrados.

Atualmente, grandes empresas de diversos ramos perceberam o valor de estar em um hub. Vimos o cenário mudar e hoje são mais de 800 escritórios compartilhados, conforme o Censo Coworking Brasil. Em 2018 iremos realizar um sonho, chegar ao centro de São Paulo e criar um coworking com infraestrutura de ponta e uma comunidade vibrante na região que é a mais democrática da cidade.

Saímos de uma alternativa para um local onde é preciso estar. Conforme costumamos dizer, e essa é uma certeza que levo em todos os nossos anos de trajetória: o futuro é co.

*Jorge Pacheco, CEO e fundador da Plug, pioneira na cultura de coworkings no Brasil e que atualmente possui unidades em São Paulo e uma em Cambridge nos Estados Unidos – além de administrar grandes espaços como o CUBO, em São Paulo.