*Por Luiza Zambrana

Startups são a bola da vez. Em todo lugar ouvimos que elas aceleram a economia, geram mais empregos, mais renda e contribuem para o desenvolvimento econômico. Nada disso é novidade e nem está errado, mas talvez um pouco incompleto.

Startups são sim importantes, mas devemos lembrar que não existe impacto sem crescimento. O que estamos vendo cada dia mais é o surgimento de novos programas focados no nascimento de negócios. Temos o Startup Brasil, InovAtiva, Startup Weekends e Hackatons se popularizando e todos eles são importantes para o surgimento de startups. Mas e depois, como passamos pelo vale da morte?

Para comparar, podemos usar uma analogia simples: é importante plantar árvores, mas é talvez mais importante cuidar para que elas cresçam ou todo seu esforço não terá impacto.

No Brasil, as estatísticas ainda dizem que apenas uma em cada quatro startups sobrevivem aos primeiros cinco anos, apenas 9,5% chegam a se tornar scale ups e, vamos ser realistas, uma startup que ainda não está em crescimento tem de 5 a 10 funcionários. Nós temos um funil estreito e temos que trabalhar para alargá-lo no meio e não só no topo.

São as startups de alto crescimento que têm hoje o poder de mudar a cultura, desenvolver a economia, dialogar com o governo, entrar em instituições de ensino e colocar o Brasil de uma vez por todas no mapa da inovação tecnológica.

Não acredita? É só você pensar quem são nossos exemplos. A Samba Tech, a Sympla, a WeDoLogos, a 99, a Maxmilhas, In loco Media, Conta Azul e muitas outras startups que hoje não só existem, mas geram empregos, expandem, trazem novos negócios para o Brasil e mudam radicalmente o estereótipo que costumava rondar o universo de startups.

Se você começou a empreender e vê essas pessoas ao seu redor crescendo, seu esforço e persistência para crescer junto aumenta. A ambição é uma característica contagiosa e natural. Não é à toa que são eles os palestrantes dos mais importantes eventos do setor  como o CASE e o Scale-up Summit.

São exemplos brasileiros, da nossa cidade e do interior que fazem a diferença. Eles mostram que apesar da legislação, dos desafios e das condições, o empreendedor consegue prosperar. Não no Vale do Silício, nem em Israel, mas aqui no Brasil. São nossos exemplos de startups de alto crescimento que são chamados para dar aulas em universidades, atraem mais talentos, mudam legislações, desenvolvem mais parcerias com grandes empresas e movimentam radicalmente o ecossistema.

Esse movimento já está tomando corpo no Brasil com projetos do SEBRAE, como o Scale up Rio, o Scale-Up Endeavor e os associados Impact da ABStartups. Cada um deles agindo de maneira diferente, mas no fundo criando um grupo que promove trocas, conexões e contribui para que as startups cresçam, impactem e movimentem o ecossistema. Por exemplo, os Impact da ABStartups hoje se beneficiam de um grupo de conexões que incluiu, investidores, grandes empresas, líderes de redes de apoio e outros empreendedores reunidos com o mesmo propósito: crescer.

A participação de cada vez mais startups de alto crescimento nesses grupos contribui para a criação de uma rede que influencia políticas, atrai mídia e tem uma participação mais representativa no cenário econômico. Para tornarmos o Brasil uma potência tecnológica e impactarmos nossa economia, precisamos nos lembrar de crescer.


*Luiza Zambrana é apaixonada por transformação social. Começou sua trajetória no empreendedorismo atuando no apoio a empreendedores sociais e atualmente é analista de marketing na Associação Brasileira de Startups, entidade sem fins lucrativos que possui mais de 4 mil startups em sua base de dados e tem como missão promover o ecossistema brasileiro de startups nacional e internacionalmente.