Aconteceu em abril a segunda edição do Startup Village, um evento imersivo voltado para empreendedores que buscam por inovação e alta performance em seus negócios. O idealizador do projeto, Fernando Godoy, CEO do Grupo Gaia Hyper, levou ao evento grandes nomes do empreendedorismo para contribuir com o aprendizado dos participantes como, por exemplo, o Fundador da Polishop, João Appolinário, e o Fundador do China In Box, Robinson Shiba. Alguns participantes ainda tiveram a chance de apresentar um pitch para uma banca avaliadora formada por investidores e receber um feedback de experts do mercado.

Veja abaixo alguns destaques do evento:

Robinson Shiba, fundador do grupo Trend Foods, que abriga as marcas Gendai e China in Box, contou detalhes sobre o início da sua carreira, trajetória e futuro do grupo. “Foi justamente em um momento de crise que eu encontrei a oportunidade que coube dentro do meu orçamento”, comenta Shiba, ao dar dicas para os novos empreendedores.

Durante uma viagem aos Estados Unidos, país onde ele tinha a intenção de permanecer por um tempo aprimorando seu inglês, diversos contratempos surgiram e ele acabou ficando sem dinheiro para continuar sua jornada. Esse desafio, entretanto, não foi suficiente para que ele desistisse de seus objetivos: em vez de jogar a toalha, ele conseguiu um emprego, foi entregador de pizza, trabalhou na cozinha de alguns restaurantes e jamais desistiu dos estudos.

Foi justamente nesta época que Shiba enxergou as vantagens que existiam quando o assunto era o consumo de comida pronta nos Estados Unidos. Analisando profundamente a situação, ele percebeu que essa seria uma ideia extremamente nova para o Brasil.

Assim, aproveitando que estava nos Estados Unidos, Robinson começou a estudar modelos de Fast Food com delivery, desde a produção até a entrega. Ele observou os pontos positivos e os negativos que poderiam ser aprimorados e, aos poucos, foi desenvolvendo seu negócio.

No vídeo abaixo, Shiba fala sobre a experiência de participar do Startup Village e compartilhar sua experiência com outros empreendedores.

João Appolinário, fundador da Polishop, também contou um pouco sobre a sua trajetória. Ele destacou a importância de entender o que é empreender. “Você pode ser dono de várias empresas, ser um sucessor, mas ser empreendedor é uma coisa completamente diferente e existe muito essa confusão na cabeça das pessoas”.

João também abordou bastante o tema “experiência do cliente”. Para ele, a experiência na hora da compra é muito importante e no pós-venda também. “Todos os empreendedores devem saber que muito mais do que comprar e vender, você precisa passar uma boa experiência para as pessoas que estão entrando, de alguma forma, em contato com a sua empresa”.

Segundo Appolinário, hoje em dia cada vez mais as pessoas estão querendo comprar benefícios e não produtos, pois benefícios possuem valor e o produto apenas preço. “Vender produto é uma coisa fria, você acaba navegando em um oceano vermelho, todo mundo vende liquidificador e centrifuga. Eu duvido que uma pessoa acorde de manhã e pense ‘nossa, estou com uma vontade de comprar uma centrifuga hoje!’, mas eu sei que ela acorda de manhã e quer tomar um suco de frutas frescas, de forma rápida e simples, por que ninguém tem tempo. Então pegamos um produto super conhecido e incluímos uma inovação”.

Mas onde está a inovação na centrifuga? Ele conta que muitas vezes a inovação pode estar em produtos que existem há anos, mas enxergados de uma outra forma. Na Polishop, por exemplo, eles colocam um produto a venda por R$900 reais em 10 parcelas. Poucos sabem, mas a Polishop foi a primeira empresa a parcelar produtos de R$100, R$200 e R$300 reais em 10 parcelas, e isso trouxe um resultado muito positivo. Exemplo disso é que eles venderam 2 milhões de centrifugas em 2 anos. “Nós demos uma nova roupagem para o produto e ele acabou virando um case”.

Outro case da marca é o Grill George Foreman. João conta que as pessoas não estavam acostumadas a comprar esse produto, que é plástico, chapa e uma resistência, e então, eles começaram a vender “o sabor fica, a gordura sai”, e com isso, vender saúde, com 30% menos gordura, o que mais uma vez, se tornou um benefício para o cliente.

Outro produto que era um problema para vender é a Airfryer , fritadeira elétrica, que existia no mercado por R$300. Como fazer esse produto ser vendido por R$1500? João conta que não quis vender  fritadeira, quis vender saúde, todo mundo sabe que óleo faz mal, então ele passou a vender fritura sem óleo, e quando você vende saúde, lógico que de forma verdadeira, preço não é mais problema.

“É preciso fazer algo diferente, buscar novas oportunidades, inovar é questionar o que existe e lembrar de focar no benefício, a oportunidade mora aí e quem quer empreender precisa ser otimista sempre”.

Antes do aporte

Logo após, Geraldo Santos, diretor-geral do Startupi, falou sobre a importância de conhecer a fundo o mercado onde o empreendedor pretende entrar. “Se eu sou o fundador de algo, eu tenho que saber muito bem onde eu estou pisando, senão a dificuldade de alavancar este negócio vai ser muito maior”, explica. “Também não basta ter um sócio que conheça tudo enquanto você não, porque se este sócio sai da empresa, a sua chance de quebrar é muito maior.”

Ele também falou sobre o papel do investidor-anjo em uma startup, mostrando que o investidor entra na empresa não para apenas emprestar dinheiro para os fundadores, mas para estar ao lado e fazer com que a startup cresça. Por isso, encontrar um investidor cuja tese de investimento bata com o modelo de negócio da sua startup é essencial. “O investidor vai querer entender como funciona seu negócio, como você ganha dinheiro com isso, como funcionará o retorno do investimento, entre outras coisas. Estas perguntas feitas pelo anjo, inclusive, podem ajudar o empreendedor a parar para refletir se o negócio que ele está montando vai dar certo. Se for o caso, é a hora de pivotar a ideia”, diz Geraldo.

Um dos pontos importantes abordados na palestra foi o momento de preparação do empreendedor na hora de pedir o investimento-anjo. Depois de passar pela validação da ideia, protótipo, MVP, aceleração e outras etapas que as startups passam no início, é fundamental que os fundadores estejam alinhados com as expectativas da nova empresa. “É comum que uma pessoa largue o emprego porque acha que tem uma ideia que vale R$1 bilhão mas ainda nem deu um Google para ver quem são seus concorrentes e como se preparar frente a eles. Também, na hora de buscar investimento, o empreendedor não pode aparecer na frente do investidor-anjo com vários carros importados, lanchas e artigos de luxo. Se o investidor não ver que você mesmo não está investindo o seu dinheiro na sua ideia, não é ele que vai querer investir”, explica o diretor.

Após o aporte

A advogada Tarsila Arco também palestrou no evento e falou aos participantes sobre os aspectos societários e pontos de atenção que os empreendedores devem levar em conta na hora de assinar contratos. Algumas lições que a profissional deixou para os participantes do evento foram: “no momento de assinar um contrato, façam um bom acordo de sócios. Vocês têm que prestar atenção em alguns pontos que devem ser tratados nos documentos, como gestão, financiamento, direito de preferência, compra e venda, direito de retirada, valuation, tag along, drag along e  sucessão”, diz.


Sobre a operação da empresa, Tarsila também apontou pontos importantes a serem abordados nos acordos da nova startup. Fazer contratos com os primeiros investidores, de acordo com ela, é fundamental. “Sejam eles os chamados FFF (family, friends and fools), investidores-anjo, seed money, crowdfunding e etc. Desde o início é importante ter detalhes negociados, como dívida conversível, valores, vencimentos, juros, conversão, percentuais, uso do capital investido e a frequência dos reports, por exemplo”, explica.

“Durante a fase de captação de investimento, eu aconselho que os empreendedores, principalmente nas primeiras rodadas, saibam sempre exatamente do que vocês abrem mão e, principalmente, do que não abrem mão na hora de assinar o contrato”, afirma a advogada. Acordos de não divulgação, MoU (Memorandum of understanding) e contratos de investimento são pontos de atenção nesta fase.

Além destes, há outros riscos que não estão necessariamente relacionados aos investimentos, mas que devem ser vistos de perto pelas startups de todos os portes. Um pequeno deslize, principalmente para as pequenas empresas, pode significar consequências graves. “Ações trabalhistas, colaboradores sem registro e PJs e controle de ponto são regras que as startups devem conhecer bem. Falta de acordo dos sócios, falta de formalização de contrato, não pagamento ou atraso de tributos, falta de contabilização das receitas – o famoso Caixa 2 -, deixar de pagar Refis e simulação fiscal estão entre os principais riscos que as empresas correm quando o assunto é legislação”, diz Tarsila. Além destes, ela também destaca a necessidade de registro de marca e patente de software, o risco da utilização indevida de tecnologia de terceiros, falta de licença de funcionamento, ausência de alvará, e riscos de danos ambientais.

Formação de equipe

Dani Junco, fundadora da B2Mamy, aceleradora que conecta mães empreendedoras ao ecossistema de inovação, também participou do evento. Em sua palestra, cheia de dinâmicas para que os participantes interagissem entre si e criassem vínculos, Dani falou sobre a necessidade humana de aprovação, o senso de pertencimento das pessoas e a importância de criar uma comunidade sólida onde a marca de uma empresa possa se construir. “Não é difícil copiar o modelo de negócio de empresas como Nubank, Natura e Netflix, difícil é copiar o legado, a experiência que elas oferecem. Você tem que criar uma comunidade que faça sentido para a sua marca”, afirma.

Para Dani, a importância da startup de se comunicar com seu público-alvo de maneira eficaz é vital para o fortalecimento do nome de uma empresa.”Para criar uma comunidade, é importante você entender a língua que o seu consumidor fala e oferecer para ele aquilo que atinge a necessidade dele. Criar uma autoridade é fundamental e, para isso, escolha alguns poucos pilares e crie conteúdo, online e offline, baseado neles, fortalecendo a autoridade da marca nestes assuntos perante clientes, fornecedores e outros. As pessoas hoje não compram mais aquilo que você faz, mas o motivo pelo qual você faz aquilo.”

Outro assunto destacado pela empreendedora foi a simplicidade. Por meio de uma atividade com o público do evento ela mostrou que, para apresentar uma empresa para um investidor ou o público geral, o mais importante é deixar claro desde o início, em poucas palavras, o que a empresa faz. “Ninguém decora uma marca, fica com ela na cabeça se não entender de cara o que ela faz. Se não for claro desde o princípio, a probabilidade de você perder a atenção e o interesse do cliente é grande”, explica.

Ao final de sua apresentação, Dani apresentou uma frase de Dov Seidman, autor e empresário norte-americano: “Em um mundo conectado só vencem aqueles indivíduos e organizações que estabelecem as conexões mais fortes”. E são conexões como esta que são o objetivo de um evento como o Startup Village.

Apresentação de Pitch

O evento tornou-se também uma grande vitrine para os empreendedores que desejam divulgar seus negócios para o ecossistema. Alguns participantes puderam apresentar um pitch para uma banca avaliadora de investidores formada por: Marco Poli, João Kepler, Beatriz Trindade, Fernando Godoy e Robson Del Fiol.

Banca avaliadora – Foto: Divulgação

Conheça abaixo os negócios apresentados:

Jobecam – Plataforma interativa que conecta recrutadores com candidatos através da tecnologia de vídeo.
Única Per Me -Esmalte de dose única composto de um kit que vem com aplicador individual, reutilizável, além de cápsulas em quatro cores, para cada vez que as unhas sejam pintadas.
Mooby formaturas – Agência de evento focada em formaturas.
Energia da Terra – Empresa inovadora em alimentos saudáveis e naturais.
Merlo & co – Agência de comunicação e marketing focada em alavancar vendas e expandir negócios.

A banca avaliadora elegeu a startup Energia da Terra como a grande vencedora que garantiu um Vale Presente no valor de R$500,00 a ser utilizado no Viva! Experiências.

Em entrevista ao Startupi, Ernest Saraiva Petty, Sócio Fundador e Marco Ripoli, Sócio e Membro do Conselho Diretor da startup, contam que a Energia da Terra foi fundada em 2015 para atender um novo estilo de vida com uma série de lanches práticos para agregar um toque da natureza na correria do dia-a-dia.O principal produto da startup era a cana-de-açúcar, mas hoje eles contam com uma diversidade de produtos como: milho torrado, damascos, tomates, castanha do Pará, chips de banana e outros.

Eles nunca passaram por um processo de aceleração e resolveram validar o produto direto nas gôndolas dos mercados conversando com os compradores. Dessa experiência eles conseguiram pivotar alguns aspectos. Eles também se reuniram com Maurício de Souza e conseguiram licenciar a marca Turma da Monica, o que fez com as volume das vendas aumentassem de forma expressiva.

Hoje é possível encontrar os produtos nas redes credenciadas como: Pão de Açucar, Carrefour, Walmart, St Marche, Eataly, Casa Santa Luiza, Emporium São Paulo e outros. Segundo eles, o produto tem tido uma boa aceitação do público e cada embalagem possui a dose diária para consumo. Para o segundo semestre, eles esperam tracionar ainda mais a operação e aproveitar as conexões que o Startup Village os proporcionou.

Confira mais detalhes no vídeo abaixo:

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