EXCLUSIVO: O Startupi foi recebido esta semana por Pedro Conrade (26), fundador e CEO da Neon Pagamentos, na recém inaugurada sede da fintech, para elucidar os pontos mais importantes de uma das maiores crises vividas por uma startup brasileira nos últimos tempos. Vamos aos fatos:

Anúncio público do aporte

Quinta-feira dia 3 de maio: torna-se pública uma das notícias mais esperadas do ano por Pedro e seu time, veiculada aqui. A Neon Pagamentos, fintech com apenas dois anos de vida, torna-se a primeira startup a receber um investimento Series A no Brasil de R$72 milhões. O aporte contou com a participação de importantes investidores como Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital, family office do Patria Investimentos, e Yellow Ventures.

Anúncio público da liquidação do Banco Neon, antigo Banco Pottencial, parceiro da fintech

Sexta-feira dia 4 de maio, 8 horas da manhã: o Banco Central anuncia publicamente a liquidação extrajudicial da empresa Banco Neon S.A, antigo Banco Pottencial, veiculado aqui pelo Startupi e que foi o assunto mais discutido durante todo o dia e no fim de semana em todos os veículos online, jornais de TVs e redes sociais em todo País. Começava aqui a maior crise já vivida por um empreendedor nos últimos tempos. Clientes tentando acessar suas contas digitais sem sucesso; investidores do ecossistema tentando entender o acontecido, gerando mais dúvidas do que respostas; jornalistas tentando acesso junto aos assessores da Neon e ao próprio Pedro, sem sucesso; startups e empreendedores desesperados com o que pudesse acontecer com o setor de fintechs no País depois disso.

Anúncio público do novo parceiro escolhido para operar os serviços de custódia da fintech

Segunda-feira 7 de maio: Neon Pagamentos anuncia seu novo parceiro de serviços de custódia, uma exigência legal do BC para operação de meios de pagamentos, noticiada aqui pelo Startupi. Para Pedro, foram 84 horas ininterruptas, com apenas 2 horas de sono, entre sexta e segunda-feira, trabalhando junto com todo seu time, incluindo advogados, investidores, sócios, assessores externos para gestão de crise, que permitiu, segundo ele, fazer do limão uma limonada. “Este é um momento em que o time é desafiado para que as coisas se resolvam, mas a gente já consegue ver o quão forte o nosso time se tornou em poucos dias”, diz.

Bastidores da crise

Ligação do agente interventor e Banco Central

Sexta-feira dia 4 de maio, 7 horas da manhã. O celular de Pedro Conrade toca. Era o agente interventor escolhido pelo Banco Central para informá-lo que o seu principal parceiro de negócios seria liquidado, mas que nem a fintech Neon Pagamentos nem seus clientes sofreriam qualquer perda. Seria necessário obter um novo parceiro de serviços de custódia e que o BC estaria apoiando no que fosse necessário para que a Neon Pagamentos voltasse a operar no menor tempo possível. “Na sexta-feira de manhã eu recebi uma ligação do agente interventor explicando a situação: ‘nós estamos aqui,  com o acordo operacional que vocês tinham em mãos, e a gente entende que a Neon Pagamentos é algo totalmente apartado'”, conta Pedro na entrevista.

Relação com Investidores

Pedro também fala sobre a relação dos investidores com a startup no momento da crise pela qual a empresa passou. “Os investidores deram um suporte impressionante para a gente durante este momento. (…) Quando a gente teve esse problema, os investidores participaram ativamente. Um dos investidores esteve com a gente do momento zero até o momento da resolução, e continua até agora”, explica.

Poucas horas antes do anúncio do Banco Central, a startup comemorava o recebimento de um aporte de R$72 milhões, se tornando o maior investimento Series A em uma fintech no Brasil. “Isso (o investimento) só aconteceu porque os fundos reconhecem o trabalho que está sendo feito aqui na Neon Pagamentos e acham que a gente tem méritos por um bom trabalho feito até agora” enfatiza Pedro.

Irregularidades do Banco Pottencial eram de conhecimento da fintech

Durante a entrevista, o CEO também explica como tomaram a decisão de se tornarem parceiros do ex-banco Pottencial, mesmo tendo conhecimento de irregularidades na instituição apontadas pelo Banco Central que ocorreram no passado. “Nós sabíamos do que tinha acontecido em 2010… Porém há dois anos, quando fechamos a parceria, este problema já tinha sido julgado e, no nosso entendimento e dos nossos advogados, ele não impactaria as operações da Neon Pagamentos”, comenta Pedro.

Banco Votorantim, novo parceiro sólido para garantir o dinheiro dos clientes

Durante a entrevista, Pedro fala sobre a nova parceria com o Banco Votorantim, que assumiu desde o dia 7 de maio os serviços de custódia e movimentação das contas de pagamento da Neon. “Nós iniciamos conversas com todos os bancos que poderiam ser possíveis parceiros. Mas o mais importante a dizer é que nós escolhemos o melhor. Nenhum cliente da Neon Pagamentos, este business digital, vai perder um real. O dinheiro deles estava em contas separadas, que pertence a eles, e estava simplesmente sob custódia do banco parceiro. Agora, nesta fase de transição para uma nova empresa parceira, este dinheiro vai ser movido para outro banco e eles já vão continuar usando”, afirma Pedro.

A confusão das marcas NEON

Sobre a marca Neon, que é utilizada também pelo banco interditado e antigo parceiro, Pedro diz que há dois anos, quando fecharam a parceria com o antigo Banco Pottencial, para facilitar o entendimento do mercado resolveram licenciar a marca Neon para eles usarem no Banco. Desta forma surgiram duas novas empresas: a startup fintech NEON PAGAMENTOS e o parceiro BANCO NEON, que passou a usar o mesmo nome. Questionado na entrevista do motivo para manter o nome NEON daqui para frente, Pedro diz que “a marca Neon ficou amplamente conhecida e fortalecida agora, porque na sexta-feira ela estava prejudicada, mas a gente pegou isso, fez desse limão uma limonada, e hoje estamos mais fortes, com parceiros mais fortes, com uma comunicação correta e transparente. Agora o Neon tem tudo para crescer.”

Para Pedro, esta crise alertou o mercado, serviu de aprendizado para ele e para muitos empreendedores e as fintechs ficarão mais fortes a partir de agora. Segundo ele “o furacão já passou e os clientes podem ficar tranquilos, as operações serão reestabelecidas muito rápido”.

Futuro da fintech Neon Pagamentos

Os planos da Neon Pagamentos para o futuro e muito mais informações dos bastidores da crise, podem ser conferidos na entrevista inédita concedida com exclusividade ao Startupi:

Para Geraldo Santos, diretor do Startupi, o ecossistema de startups brasileiro amadurece com acontecimentos recentes como o da fintech Neon. “Falhas e erros fazem parte da vida das startups e, quanto mais rápido as falhas acontecem, mais maduro fica o empreendedor e o novo negócio. Ceder a marca da startup para um parceiro parecia inofensivo há dois anos, porém se tornou um pesadelo na vida da startup nos últimos cinco dias. Os empreendedores brasileiros tiveram uma grande mentoria com este fato e uma aula de resiliência, agilidade e postura empreendedora. Temos que usar isso para servir de aprendizado para o mercado e para fortalecer ainda mais o ecossistema de startups no País”, conclui Geraldo.

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