Estudos mostram que 65% dos empregos das próximas gerações ainda nem existem. Com a transformação tecnológica pela qual o mundo está passando, muito se fala em temas como Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Big Data, cloud computing… Todos estes assuntos tem uma base em comum, que também é a base do futuro do trabalho: programação.

Aprender a programar hoje é fundamental, e há diversos cursos e escolas que focam no mercado de ciências da computação para profissionais da tecnologia e empreendedores. Uma destas escolas é a SuperGeeks, que ensina programação e robótica para crianças e adolescentes.

Uma das fundadoras da empresa, Vanessa Ban, toca um negócio de mais de 50 unidades pelo País e com um faturamento de R$15 milhões, conciliando a vida de empreendedora com a de mãe da pequena Brenda, de apenas dois anos. Empreender em dose dupla com certeza é um desafio, mas tem os maiores prazeres. “Minha relação com a Brenda é baseada no amor, na qualidade do meu tempo com ela. Faço questão de acompanhá-la diariamente e não abro mão de dar o leite dela pela manhã, preparar as papinhas, fazer a malinha dela, brincar com ela, levá-la às consultas médicas e aos passeios, dar o banho, fazê-la dormir à noite.”

Durante muitos anos, Vanessa foi professora, lecionando desde a pré-escola até cursos preparatórios para o vestibular, se especializando em Língua, Literatura e Semiótica. A empresa surgiu em 2014, no Vale do Silício, após dois negócios de Vanessa e Marco Giroto, seu sócio, quebrarem. Para saber se a SuperGeeks daria certo em terras brasileiras, eles criaram um site para sentir a receptividade dos brasileiros.

Ao retornarem ao Brasil totalmente sem dinheiro, eles decidiram colocar em prática a escola e alugaram uma sala em São Paulo, para reunir as pessoas que demonstraram interesse através do site. Embora todo começo seja difícil, eles se surpreenderam, pois conseguiram logo de cara 40 matrículas para os cursos de programação. Juntaram então as economias que tinham e com apenas R$ 12 mil compraram computadores, conseguiram um espaço maior e iniciaram as aulas.

De empresária a mãe

A pequena Brenda, entretanto, chegou ao mundo com todo planejamento possível, mas isso não significa que a gravidez tenha feito Vanessa diminuir o ritmo. A empreendedora trabalhou durante todo o período da gravidez, inclusive no dia em que deu à luz e também não tirou licença-maternidade. Mesmo na semana de sua recuperação, ela trabalhou. “Também temos que nos realizar profissionalmente, de modo que possamos servir de exemplo para nossos filhos!”.

Se sentindo plena e realizada como mãe e empresária, Vanessa aconselha outras mães a proporcionarem o melhor ambiente possível de amor e carinho à criança, para que não sinta que o trabalho é mais importante do que ela. Além disso, ser mãe e dona do próprio negócio ajuda a ter o filho mais próximo e a flexibilizar o tempo. “O tempo não precisa ser integral com a profissão ou com a maternidade, mas sim com qualidade”, afirma.

Para Vanessa, um dos maiores desafios de empreender neste segmento é justamente conscientizar os pais sobre a importância dos filhos aprenderem a programar. “A SuperGeeks surgiu justamente para atender isso: preparar as crianças para o mundo que as espera, de modo que não se tornem analfabetas digitais. No entanto, percebemos que as pessoas ainda não se atentaram a isso; assim, sendo isso nosso maior desafio atualmente.”

Duas crianças

Para Vanessa, o mercado da tecnologia hoje é um aliado para as mulheres que se tornam mães, uma vez que possibilita que elas possam trabalhar em casa e, consequentemente, permitindo com que conciliem filho e trabalho. “Antes, a mulher que se tornava mãe tinha que abandonar o emprego para cuidar do filho, porque o trabalho obrigatoriamente era presencial; agora, com o mercado de tecnologia, trabalho remoto – graças aos avanços tecnológicos – isso não é mais necessário.”

Vanessa explica como é conciliar o tempo entre o crescimento da própria filha e da empresa. “Vejo como ‘duas crianças’ que precisam da minha atenção e, como mãe de dois, temos de fazer o que podemos para ambos. O bom é que consigo ter por perto minha filha, durante o dia todo, justamente devido ao mercado da tecnologia que me permite trabalhar em casa. Salientando que, ao trabalhar em casa, não significa trabalhar menos, muito pelo contrário; o bom é que consigo fazer o meu horário.”

Estudos mostram que, hoje, msulheres deixam o mercado de trabalho cinco vezes mais que os homens após o nascimento do filho. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Robert Half com 1.775 diretores de RH de 13 países, sendo 100 brasileiros, em 85% das empresas, menos da metade das funcionárias brasileiras retorna à vida profissional após o nascimento de seus filhos. A taxa é bem mais alta que a média ao redor do mundo, onde 52% das companhias participantes da pesquisa retrataram o mesmo cenário.

“O papel do empreendedorismo para reinserção da mãe no mercado de trabalho é fundamental, porque ao criar um negócio próprio, a mulher tem mais flexibilidade, autonomia e satisfação no seu dia a dia; podendo, assim, conciliar filhos e trabalho. Em suma: a maternidade nos leva ao empreendedorismo, porque nossa rotina muda e desejamos também nos realizar, não apenas como mãe, como profissional também”, diz a empreendedora.

Mães e clientes

Atualmente, a SuperGeeks já atendeu mais de 5 mil alunos, e espera chegar ao fim do ano com 80 franquias. Para Vanessa, os aprendizados de criar um produto para crianças e, consequentemente, para as mães, são inúmeros. “Aprendi que temos de zelar pela qualidade do produto, bem como o atendimento não apenas às crianças, como às mães também; porque, na verdade, nossos clientes são os filhos e as mães. Da mesma maneira, aprendi a sempre fazer o melhor possível, porque me coloco no lugar das mães de nossas crianças, o que gostaria que proporcionassem a minha filha e como gostaria de ser atendida na escola dela, e também que um produto voltado às crianças tem que ser feito sempre com carinho e divertido, de modo que elas realmente gostem e, consequentemente, às mães”, afirma.

Por fim, Vanessa deixa um recado para as mulheres que, assim como ela, têm o sonho de serem bem sucedidas na carreira da mesma forma que são na criação dos pequenos. “Mães, vocês estão perdendo tempo enquanto não abrem o seu próprio negócio! Se já desejam abrir a sua empresa, então, coloquem isso em prática que, certamente, não se arrependerão; muito pelo contrário, porque conseguirão flexibilizar seu tempo e conciliar a maternidade com o trabalho”, finaliza.