O ecossistema de startups do Brasil ganhou hoje mais uma iniciativa para impulsionar o empreendedorismo do país. O Afro Hub, promovido pela Feira Preta, Afro Business e Diaspora.Black, tem como intuito fortalecer e estimular o afroempreendedorismo e fomentar o crescimento de negócios com o uso da tecnologia. A iniciava conta com o apoio do Facebook e o evento de lançamento aconteceu na Estação Hack, o primeiro centro de inovação da empresa no mundo, localizado em São Paulo.

A iniciativa surge no ano em que se completa os 130 anos da abolição da escravatura e Renato Meirelles, Sócio e Presidente do Instituto Locomotiva, apresentou dados que deixaram o público bem pensativo e de certa forma, impactado.

Existem hoje 112 milhões de negros no Brasil. Dados analisados pelo Instituto a partir de informações do PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – apontam que no país existem mais de 5,8 milhões de empreendedores negros e que movimentam aproximadamente R$219,3 bilhões. De acordo com o Sebrae, os afroempreendedores estão à frente de 51% das empresas brasileiras.

Apesar disso, ainda nos dias de hoje a população negra enfrenta condições desfavoráveis, discriminação racial, regional e recebem salários menores do que as pessoas brancas. Essa desigualdade salarial representa um prejuízo anual de R$808,83 bilhões. Nessa história, as mulheres negras são as mais prejudicadas. Os negros também precisam lidar com o preconceito na hora de empreender, que torna uma atividade que já é desafiadora ainda mais difícil. De acordo com a pesquisa, 68% dos brasileiros adultos presenciaram alguma cena de humilhação ou discriminação no último ano e 89% dos negros brasileiros reconhecem já terem ouvido alguma das frases racistas como:”seu macaco”,”volta pra África”, “seu cabelo parece bombril” e “volta para a senzala”.

25% dos brasileiros têm intenção de abrir um negócio próprio, percentual semelhante entre homens e mulheres e que chega a 36% entre os negros. Em relação a renda média do trabalho principal dos empreendedores brasileiros, o empreendedor branco declara receber R$3.098 pelo seu trabalho, enquanto o empreendedor negro declara receber R$1,338.

Pensando em diminuir esse gap, chega ao mercado o Afro Hub, que entre junho e novembro terá atividades divididas em três frentes. Na primeira fase, 10 empreendedores serão selecionados para participar de uma pré-aceleração e receber treinamentos em tecnologias e ferramentas avançadas do Facebook e Instagram, além de receber mentorias com profissionais especializados. Os projetos serão escolhidos levando em consideração a maturidade do negócio; questão racial; e perspectiva do uso das tecnologias.

“Vamos promover acesso a conteúdos e ferramentas digitais de alta performance para os negócios. É uma iniciativa de grande impacto para fomentar a circulação econômica entre a população negra”, destaca Antonio Pita, cofundador da Diaspora.Black.

Paralelamente, de junho a novembro, o Afro Hub receberá na Estação Hack centenas de empreendedores que poderão participar de eventos gratuitos organizados pela Feira Preta, Afro Business e Diaspora.Black com o intuito de fomentar o networking em seus negócios.

Já no mês de novembro, serão realizados workshops gratuitos em diversas capitais entre elas Salvador, Rio de Janeiro e São Luís, com a finalidade de atualizar os empreendedores negros quanto ao uso das redes sociais como estratégia para alavancar os negócios.

“Entendemos esta iniciativa como uma parceria conjunta para a constituição de um hub de afroempreendedorismo no país. Além disso, os cases de sucesso, ao término do programa, servirão como referencia para outros empreendedores, ressaltando o que as ferramentas do Facebook e Instagram podem fazer para alavancar os negócios em tecnologia e comunicação”, comenta Fernanda Ribeiro, cofundadora e Presidente da Afro Business.

Para a fundadora da Feira Preta, Adriana Barbosa, “o Afro Hub é um projeto de construção de uma nova narrativa pautada na transcendência do empreendedorismo de necessidade por oportunidade. O projeto se propõe a potencializar cases de empreendedores que representam mais de 50% dos microempresários no Brasil com o suporte da comunicação e da tecnologia”. Adriana também completa dizendo que estão em contato com fundos de investimentos pois desejam oferecer aporte financeiro para os negócios selecionados.

Daniel Paz, Gerente de Empreendedorismo do Facebook, finalizou dizendo que já faz um tempo que a empresa percebeu que as pessoas utilizam a rede social para muito mais do que curtir publicações. “Da rede social estão surgindo negócios, as pessoas estão criando comunidades e mudando vidas. Para nós é muito gratificante apoiar uma iniciativa como a Afro Hub, estamos muito animados e ansiosos para os primeiros resultados”.