*Por Exame.com

Você compraria de uma pizzaria que alegasse, entre seus diferenciais, “ser mais tecnológica”? A pergunta pode parecer estranha, mas já há negócios tradicionais olhando para a tecnologia como forma de gerar mais satisfação nos consumidores que vivem colados ao smartphone – e, claro, também como forma de cortar custos empresariais.

Investir em inovações no atendimento, no preparo dos pedidos e na organização de suas pizzarias foi a receita para a rede Bella Capri abrir 30% mais lojas do que o esperado no último ano.

O negócio começou como uma pizzaria tradicional, criada no ano de 1998 pelo empreendedor Nivaldo Covizzi Filho. Em 2003, o irmão Guto Covizzi se uniu ao empreendimento, localizado em Mirassol, no interior de São Paulo.

Guto trabalhou doze anos em empresas de varejo, como Carrefour e Lojas Americanas. Presenciou mudanças como a passagem das etiquetas aos códigos de barras nos produtos e sabia que o caminho para a expansão da Bella Capri passava pela melhoria dos processos.

“Nessa experiência de varejo, percebi que não adianta investir só no produto sem se atrelar à tecnologia para reduzir custo, aumentar a performance e ser mais competitivo. Com isso, sobra mais caixa e você pode investir ainda mais em tecnologia, em um ciclo virtuoso”, afirma o empreendedor.

Mesmo com ideais claros, as tecnologias demoraram para aparecer. Percebendo uma falta de pizzarias padronizadas no interior de São Paulo, a Bella Capri se tornou uma rede de franquias em 2007. Mas, quando o empreendimento de Mirassol começou a sentir pressão de outros concorrentes, resolveu segurar sua expansão de unidade e estruturar-se internamente, aplicando o plano antigo de investir em processos inovadores.

Pizza tecnológica

O primeiro passo foi dado em 2010, com a centralização do estoque e sede de entrega de matéria-prima. “Nosso operador logístico de abastecimento era descentralizado. Tiramos inspiração de grandes redes de fast food e decidimos fazer tudo partir de apenas um local”, conta Guto Covizzi. No ano seguinte, a Bella Capri se inspirou novamente no fast food, olhou para dentro dos restaurantes e trocou os pedidos “cravados em um espeto” por monitores.

A melhora dos processos de entrega da matéria-prima e de produção fez com a Bella Capri inaugurasse um modelo Express de franquia em 2013, além do tradicional Restaurante. O formato é ideal para pontos com menos espaço, como lojas dentro de postos de gasolina. Hoje, o modelo focado em atendimento rápido representa metade do volume de pedidos da Bella Capri.

O novo formato pediu ainda mais agilidade. Os monitores viraram tablets – cada pizzaiolo pode ver quais ingredientes vão nas próximas pizzas que deve cozinhar, por meio de um software de gestão.

“A maioria dos funcionários são formados nas próprias franquias, e a descrição dos ingredientes no tablet é um facilitador para esse treinamento. Além disso, serve como substituto do manual físico para controlar e padronizar a montagem dos alimentos”, afirma Guto Covizzi.

Tal otimização fez com que a Bella Capri adotasse como diferencial as pizzas prontas em até 10 minutos. A massa é aberta em 30 segundos; os ingredientes são colocados em um prazo de 40 segundos até 1 minuto e 40 segundos, dependendo do sabor; 4 minutos são gastos no forno; e outros 3 minutos vão para o acabamento e para a margem de atraso pela demanda.

*Por Mariana Fonseca para Exame.com.