Em outubro de 2016 acompanhamos o lançamento do AgriHub, uma rede de inovação em agricultura que conecta produtores, startups, mentores, empresas, pesquisadores e investidores, criando um ecossistema de inovação e empreendedorismo no agronegócio por meio da adequação de soluções tecnológicas de empresas agro, para resolver problemas do campo. Trata-se de uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar – MT) e do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Elas também criaram o Summit AgriHub, o primeiro grande evento da iniciativa, que aconteceu dia 18 e 19 de abril e reuniu cerca de 500 pessoas entre produtores rurais, investidores, comunidades AgTech, startups e representantes de universidades e institutos de pesquisa, no Cenarium Rural, em Cuiabá. O Startupi participou do evento para acompanhar os resultados da rede e as tendências que moldarão o futuro das agtechs no Brasil.

O setor agropecuário é um dos que mais movimentam dinheiro no Brasil, sendo responsável por 22% do PIB, de acordo com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA). As empresas de tecnologia aplicadas ao agronegócio são as grandes tendências do mercado global de tecnologia e o Brasil pode sim ser protagonista dessa revolução diante das vantagens comparativas do setor.

“O agronegócio brasileiro tem uma história de tecnologia e inovação de nível internacional. O que vemos hoje é o um novo contexto para o agronegócio, caracterizado pelo uso intensivo de tecnologias, de softwares de gestão a aplicativos móveis, sistemas autônomos, Inteligência Artificial, drones e sensoriamento. Movimentos como o Agrihub contribuem para estarmos a na crista da onda e sermos seguidos e não os seguidores”, destaca o coordenador de Inovação na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e coordenador do Programa Nacional Conexão Startup Industria, Rodrigo Alves Rodrigues.

Conheça abaixo sete startups que estão revolucionando esse setor:

Tbit: Desde 2008 produz equipamentos e softwares para a análise de sementes por meio de processamento digital de imagens e Inteligência Artificial. A startup foi incubada pela Unilavras e recebeu aportes da INSEED e da Monsanto. Recentemente, lançou o GroundEye Grains, um sistema de análise técnica instantânea que classifica os grãos 10 vezes mais rápido que o processo manual. A empresa também dedica-se ao mercado de rações com um novo produto, o Feed View.

SmartBreeder: Sua plataforma SmartBio gera mapas que direcionam o manejo do plantio da cana-de-açúcar. A solução foi empregada em 1,6 milhões de hectares de canaviais na safra 2016/2017, aumentando a produção em 5 milhões de toneladas.

AgroTools: Empresa cujas soluções para monitoramento de territórios otimizam processos e aumentam a eficiência de seus clientes e parceiros, incluindo grandes organizações privadas e públicas.

Analub: Empresa mineira focada em descontaminar e tratar lubrificantes industriais sem interromper a produção. O processo é realizado por meio de equipamentos portáteis, e garante o bom desempenho do maquinário envolvido no agronegócio.

Chip Inside: A empresa produz coleiras que monitoram vacas em tempo real, a fim de captar, entre outras, informações sobre a ruminação e o cio desses animais, ajudando produtores e veterinários. A startup foi a primeira investida do fundo Criatec 3, da Inseed.

FIT Instruments: Em parceria com a USP e com a Embrapa, produz soluções que, por meio da Ressonância Magnética Nuclear (RMN), realizam análise de grãos e outros produtos agrícolas.

Syntecsys: Produz sistemas de detecção automática de incêndios, identificando focos a quinze quilômetros de distância mesmo em situações de neblina. A Raízen já é cliente da empresa.

Perfil dos produtores rurais

Um ponto importante destacado por vários palestrantes durante o evento foi a importância dos empreendedores realmente entenderem as necessidades dos produtores rurais e criarem soluções viáveis para o ambiente do campo.

A Rede de Fazendas Alfa, por exemplo, que faz parte do programa AgriHb, tem o objetivo de reunir produtores rurais de Mato Grosso com perfil visionário que aceitaram o desafio de validar, ajudar e até criar soluções para alguns problemas crônicos do campo. Fábio Silva, responsável pelas parcerias AgriHub informou que, por meio dessa rede, o projeto conseguiu mapear os principais problemas do setor.

Para identificar o perfil e as características dos produtores alfa, a equipe técnica do AgriHub promoveu reuniões estratégicas em municípios polos de Mato Grosso como Sorriso, Campo Novo do Parecis, Campo Verde e Água Boa, ou seja, em cidades do norte, sul, leste e oeste do estado. Dos 53 produtores membros da Rede de Fazendas Alfa, 49 são agricultores, sendo que 27 deles diversificam a atividade com a pecuária. Outros quatro exercem apenas a pecuária.

Entre os agricultores, 70% utilizam o sistema de soja no verão e milho na segunda safra. O restante produz algodão (5%), girassol (6%), feijão (10%), arroz (3%) e outras culturas (7%). Dos produtores identificados como pecuaristas, 25% são bovinocultores e 75% suinocultores.

De acordo com Fábio, observando a inteiração entre as cadeias produtivas da agricultura e pecuária, foi constatado que a mais notável é a que se refere aos agropecuaristas que são formados por produtores de soja, milho, suínos e bovinos, ou seja, são as cadeias produtivas de maior relevância.

“As experiências apresentadas mostraram que é possível participar do processo de inovação tecnológica para o agronegócio, validando novos produtos e serviços na fazenda e/ou contribuindo com suas experiências adquiridas na vida e no negócio, facilitando o desenvolvimento das soluções para o campo”, acrescenta Fábio.

Rui Prado, ex-presidente do Sistema Famato e considerado um produtor validador, disponibilizou sua propriedade, seu maquinário e suas benfeitorias para teste de novas tecnologias. Começou a testar um software de gestão disponibilizado pela empresa Taranis. “Através desse software vou conseguir avaliar melhor o resultado, tanto de produção como financeiro da propriedade. Nesse momento os testes estão acontecendo lá na fazenda, estão na fase de implantação. É um processo demorado, porém acredito que os resultados serão satisfatórios”, afirmou.

Desafios do Agro

Durante o evento, Fabio Silva fez o lançamento de um diagnóstico com as principais oportunidades do Agro. Os desafios na produção agropecuária são variáveis, envolvem doenças, ervas daninhas e pragas, previsão do tempo, mão de obra, informações para tomada de decisão, gestão da propriedade, classificação de grãos, entre outros. Além da diversidade de problemas, eles variam de um município para o outro.

No levantamento foi identificado que os problemas aparentemente mais difíceis de resolver são:

  • falta de compartilhamento de informações;
  • subjetividade na classificação de grãos;
  • falta de automatização da coleta de informação;
  • falta de segurança nas fazendas;
  • baixa eficácia na previsão do tempo na fazenda;
  • baixa precisão do manejo de pragas, doenças e daninhas;
  • falta de conectividade nas fazendas.

Para a falta de compartilhamento das informações, os motivos relatados pelos produtores são: insegurança (38%), hábito (35%), não veem vantagens em compartilhar (11%); temem as propagandas indesejadas (8%) e acreditam que seus dados podem ser vendidos (8%).

A precariedade no serviço de internet foi outra queixa constante. A maioria dos entrevistados, 41%, possui internet a rádio em suas propriedades. Apenas 21% têm internet móvel, 19% internet banda larga, 8% internet via satélite e 12% não possuem nenhum tipo de internet na fazenda. Nos talhões da fazenda, 86% dos produtores responderam que existe internet e 14% não possuem.

“Nossa percepção é de que esse problema de conectividade está na pauta de várias instituições. Os fatores limitantes que observamos para a implantação da internet nas fazendas são, principalmente, disponibilidade e preço”, destaca Fábio.

Ainda durante o evento, foi apresentado o estudo de Soluções de Conectividade para o Agronegócio em Campo Novo do Parecis-MT. Ele traz um levantamento técnico da real situação da infraestrutura de telecomunicações do município. “A região é um retrato do que acontece em geral em Mato Grosso, ou seja, as redes de internet estão insuficientes para dar conta das necessidades das pessoas e das empresas, sobretudo do agronegócio”, afirma Jorge Bittar, consultor da Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro), responsável pelo estudo em parceria com o Sistema Famato.

O levantamento mostra que as grandes operadoras não oferecem capacidade suficiente para atender as demandas da região, tanto urbana e quanto rural. Entre os problemas e expectativas, os produtores rurais apontaram: necessidade de comunicação de dados para sistemas administrativos das fazendas como, por exemplo, gestão de pessoal, estoque, pedidos de compras e emissão de notas fiscais; acesso à informação disponível na internet para prospecção de tecnologias; contato com fornecedores e a implantação de recursos tecnológicos acoplados a máquinas agrícolas de trabalho no campo para aumentar a produtividade.

Para isso, é preciso solucionar os principais problemas que são: indisponibilidade de conectividade 3G/4G nos serviços de telefonia móvel; lentidão da conectividade de internet residencial; indisponibilidade de banda larga na capacidade desejada; problemas de queda de chamadas de voz na telefonia móvel e baixa penetração dos serviços dos provedores nas propriedades rurais.

“Por incrível que pareça, o telefone celular não funciona direito em Campo Novo do Parecis e isso vale para todas as operadoras. Temos dificuldades em emitir notas fiscais nas fazendas. Acreditamos que com pouco recurso é possível resolver isso”, relata o produtor. Mas, segundo ele, existem prospecção de soluções e parceiros em andamento, previstos para serem divulgadas no Relatório 2.

Recentemente a TIM anunciou a assinatura de seu primeiro projeto “4G TIM no Campo”, na cidade de Goianésia, localizada em Goiás. A iniciativa se deu em parceria com a empresa Jalles Machado, agroindústria referência no setor sucroenergético nacional, e foi intermediada pela Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial). O projeto visa utilizar a tecnologia móvel 4G para “iluminar” o campo com o objetivo de melhorar e dar agilidade nos processos de produção da companhia. Além de substituir os apontamentos manuais por apontamentos online, a parceria prevê melhorar a comunicação entre escritório e campo, bem como fazer com que os computadores de bordo das máquinas agrícolas gerem informações em tempo real.

“Estamos bastante otimistas com essa parceria inédita de cobertura 4G TIM no campo. O Brasil tem um riquíssimo setor de agronegócio e poder levar tecnologia e inovação para este segmento é de extremo ganho para o sistema produtivo das empresas e da população. Estamos trabalhando fortemente para que o conceito de Agricultura 4.0 se torne uma realidade em diversas regiões do nosso país”, explica Paulo Humberto Gouvêa, Diretor de Top Clients Solutions da TIM Brasil.

Para este projeto, a TIM forneceu todo o sistema de comunicação de dispositivos móveis, além de investimentos em infraestrutura de rede na região, com o objetivo de contornar um dos principais desafios das agroindústrias que é dificuldade de comunicação entre o campo e o escritório. Ao todo serão fornecidos 812 smartphones e 1006 linhas corporativas, sendo 650 smartphones para apontamentos no campo. O projeto faz parte da estratégia da TIM de levar conectividades e soluções inovadoras às mais variadas regiões do país, sempre atenta às necessidades das empresas de médio e grande porte, independentemente de sua localidade.

Os custos para combater pragas, doenças e ervas daninhas também preocupam os produtores e podem representar mais de um quarto do custo de produção de uma lavoura de soja em Mato Grosso. A maioria, 76%, acredita que as máquinas podem monitorar as pragas e doenças.

Um estudo releva que se os pulverizadores fossem 70% mais eficazes, os produtores rurais de Mato Grosso teriam uma diminuição de 58,9% no custo com a operação. “Nós estamos falando de um mercado de R$2,20 bilhões”, comenta Fábio Silva.

Outro problema considerado grave, urgente e abrangente no estado é a subjetividade da classificação de grãos. Entre os entrevistados, 94% disse que acredita que as máquinas podem classificar os grãos. Atualmente, quem realiza esse trabalho de classificação de grãos torna o processo subjetivo, prejudicando os produtores no momento das vendas e, consequentemente, gera redução de R$3,11 bilhões na receita bruta dos agricultores de Mato Grosso. Clique aqui para ter acesso ao diagnóstico completo.

Acelerando as inovações

Apresentar os problemas dos produtores e levá-los para as universidades e pesquisadores buscarem soluções estratégicas é uma das propostas do projeto e que pode contribuir para acelerar as inovações no campo. Parceria e união dos produtores, pesquisadores, instituições de ensino e iniciativas pública e privada também fizeram parte da pauta.

O engenheiro agrícola, doutor em agronomia pela Unem e coordenador do Centro de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto Aplicada à Produção de Biodiesel (Cetegeo), da Unemat de Tangará da Serra, Rivanildo Dallacorte, admite que a academia é muito boa para fazer pesquisa. “Mas não somos bons em levar as soluções para os produtores. Chegou a hora de unir forças para acelerar a chegada da tecnologia no campo. Precisamos pesquisar o que o produtor precisa para solucionar seu problema. Só assim conseguiremos aumentar, melhorar a produção e, consequentemente, a rentabilidade”.

O engenheiro agrônomo, doutor em engenharia agrícola da Universidade de Campinas (Unicamp – SP) e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), João Carlos Souza Maia, chamou o público para uma reflexão: “Nós precisamos de profissionais qualificados, mas não apenas para apertar botões. Eles precisam ter conhecimento e pensar em soluções e também saber operar e utilizar 100% do que o equipamento agrícola oferece”.

João garante que as máquinas não vão gerar desemprego no campo. “Muito pelo contrário. Elas farão o trabalho braçal. O homem vai ter a função de conhecer bem o setor e pensar nas soluções. É uma mudança cultural, mas isso faz parte do caminho que nos ajudará a levar a inovação para o campo”.

Investimentos

Existe sim dinheiro no país, e os fundos e investidores estão de olho em negócios de alto potencial para o setor do agronegócio. A SP Ventures, por exemplo, referência na condução de investimentos em Venture Capital no Brasil, conta com diversas agtechs no seu portfólio como: Agrofy, Aegro, AgroNowAgrosmart.

O fundo possui patrimônio de R$105 Milhões, direcionado para startups de base tecnológica do estado de São Paulo e parte majoritária dos recursos financeiros é direcionada à tese agropecuária, com portfólio de investimentos concentrado junto ao Agtech Valley, polo de empreendedorismo agrícola localizado em Piracicaba-SP e região. Atualmente, a SP Ventures é internacionalmente reconhecida como uma das principais casas de Venture Capital em Agtechs, com liderança global se analisado o segmento das tecnologias voltadas à agricultura tropical.

Francisco Jardins, Sócio fundador da SP Ventures, destaca que como investidores eles não emprestam dinheiro para os empreendedores, mas se tornam sócios das empresas, e como sócios, trabalham duro para que elas atinjam seu máximo potencial. Eles agregam valor com uma vasta rede de contatos empresariais, além de um modelo diferenciado de gestão, orientado por verdadeiros especialistas de mercado.

Quem também está de olho nas agtechs é o NXTP Labs, um dos fundos mais ativos para startups early stage e que conta com 190 empresas em seu portfólio. Magnus Arantes, sócio-diretor da NXTP Labs destaca que os principais impulsionadores do investimento nas startups com soluções para o agronegócio são:

  • A produção de alimentos deve dobrar até 2050 para atender a demanda da crescente população mundial;
  • A agricultura utiliza 70% da água do mundo, um recurso cada vez mais escasso em muitas geografias;
  • As mudanças climáticas estão se tornando mais imprevisíveis. A tecnologia nos permite construir modelos melhores e encontrar soluções mais inteligentes para o crescimento dos alimentos;
  • A agricultura está no fundo quando se trata de transformação digital, é o setor menos digitalizado. Outros setores não digitalizados são construção, governo, saúde e hospitalidade;
  • Novas tecnologias estão permitindo as mudanças na agricultura hoje, como sensores, robôs, drones, e Big Data. A penetração mobile é a chave;

Magnus também anunciou o lançamento da Tech Farmers Club, uma comunidade exclusiva e de alto nível de líderes empresariais do setor agro que procuram investir, aprender e fazer negócios em conjunto. Ela oferecerá uma plataforma de investimento em startups agtechs, buscando novas tecnologias, novos negócios e bons retornos financeiros. Saiba mais sobre a iniciativa no vídeo abaixo:

Tendências

O evento também levantou a discussão sobre as principais tendências tecnológicas para agricultura. O sócio diretor editorial da Plant Project e da StartAgro, Luiz Fernando Sá, defendeu que a principal tendência é a transformação da agricultura de precisão em agricultura da informação. “A geração cada vez maior de dados nas propriedades rurais vai transformar a tomada de decisões e permitir ser menos intuitivo e mais assertivo”, afirmou Luiz Fernando. Segundo ele, para que a tecnologia possa ser utilizada de forma adequada em benefício do produtor rural, o conhecimento será cada vez mais necessário.

Luiz Fernando destacou ainda o papel do produtor rural como principal receptor dessas transformações. “A grande mudança será buscar a tecnologia que lhe permita analisar os dados gerados com mais facilidade e, sobretudo, entender como ela pode ser sua aliada. O produtor rural precisa entender que o seu negócio não se encerra na fazenda. Nessa nova era precisará produzir também informação que permita aos consumidores de qualquer lugar do mundo saber todos os passos de seu produto. Será uma exigência dos mercados, que pagarão mais por isso”, explicou o palestrante.

O mundo passa por um momento em que as transformações se dão em velocidade muito alta, isso devido, entre outras coisas, à capacidade de geração de conhecimento pelas instituições de pesquisa e também à mobilidade e conectividade das pessoas. Muitos dos conhecimentos gerados em um centro de pesquisa rapidamente são transformados em tecnologias e incorporados aos sistemas de produção.

No vídeo abaixo, Daniel Latorraca, Head do Agrihub faz um balanço sobre a primeira edição do evento. 

Com a conclusão do primeiro diagnostico “Onde estão as grandes oportunidades do Agro? Uma visão de dentro da porteira” a equipe técnica do projeto terá um “norte” para criar agendas estratégicas com a participação direta dos produtores rurais alfa do estado, nos principais polos de produção de Mato Grosso na tentativa de cumpriu o desafio de conectar o produtor com as tecnologias.

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Fotos: Edilon Carmo