O início da carreira de muitos médicos se assemelha a de um empreendedor. Ao montar a própria clínica, o profissional precisa se preocupar, além do atendimento de excelência aos pacientes, com todo o funcionamento do estabelecimento, desde contas a pagar até as revistinhas na sala de espera. São muitas tarefas e gastos que, além de ocuparem o tempo de quem estudou anos da vida para cuidar da saúde do outro, podem elevar consideravelmente o custo de uma única consulta.

Para ajudar a resolver este cenário dos consultórios, em uma espécie de Airbnb dos médicos, nasceu a startup Livance, que chegou a São Paulo com a proposta de facilitar a vida dos médicos da cidade. O espaço funciona como um consultório flexível para os profissionais da área, e inaugurou recentemente sua primeira unidade em São Paulo. A empresa tem como missão empoderar profissionais que não utilizam o consultório em tempo integral, possibilitando maior autonomia, flexibilidade e mobilidade.

As salas do espaço, que funciona como coworking e consultório, já são utilizadas por médicos de mais de 30 especialidades, como  clínica-geral, cardiologia, ortopedia, neurologia, nutrição, fisioterapia, geriatria, pediatria, ginecologia e psicologia. Funciona assim: o profissional escolhe os dias que utilizará o consultório, abre a agenda no site e paga R$1 por minuto utilizado da sala. Para utilizar o coworking do espaço e todos os serviços que a empresa oferece, a mensalidade é de R$236.

Ao se tornar residente do espaço, o médico recebe assistência da startup no agendamento dos pacientes – com site personalizado para o médico para agendamento online, recepção, central de telefonistas, cobrança no cartão dos pacientes e até cartões de visita com o endereço do consultório.

Espaço de Coworking da Livance

O espaço do coworking é exclusivo para os profissionais da saúde que pode ser usado quando não estiverem atendendo algum paciente. “Disponibilizamos um espaço que favorece a interação e ao mesmo tempo oferece tudo que o profissional precisa para se manter produtivo quando não está atendendo pacientes. O design é outro pilar do projeto: o espaço não tem aquela cara branca e asséptica tão típica dos consultórios. Cada detalhe foi pensado para encantar e acolher os pacientes sem abrir mão das qualidades técnicas como tratamento acústico e circulação de ar. Em breve também organizaremos workshops e palestras em nosso espaço”, explica Claudio Mifano, CEO e cofundador da Livance.

Além de toda a infraestrutura a Livance aposta na tecnologia para otimizar processos e reduzir custos. Por meio de um aplicativo, o profissional de saúde é avisado em seu smartphone quando um paciente chega na unidade – o check-in é feito de forma autônoma, rápida e eficiente em um totem especialmente desenvolvido para isto, dispensando a tradicional recepcionista. Vale ressaltar que a Livance disponibiliza site individual para agendamentos online, número de telefone exclusivo e atendimento com secretária para seus clientes.

A startup, que funciona na capital paulista desde novembro do ano passado, recebeu um aporte de R$3 milhões de fundos familiares para a viabilização do projeto. Foram mais de 12 meses de estudo com profissionais da saúde realizado pelos sócios que diagnosticaram as principais necessidades dos médicos de São Paulo para chegarem ao modelo ideal de negócio. Além de Claudio, formado em Administração e CEO da empresa, o time é formado por Fábio Soccol, médico e COO da startup, e Gustavo Machado, engenheiro mecânico e CPO da Livance.

De acordo com Mifano, a startup tem planos para o futuro. “Para os próximos meses, planejamos inaugurar mais duas unidades em São Paulo, possibilitando maior mobilidade para os profissionais e pacientes, que poderão realizar os atendimentos em qualquer unidade da rede. É como se cada profissional tivesse vários consultórios ao seu dispor”, finaliza o CEO.

As healthtechs estão crescendo no mercado brasileiro com o objetivo de democratizar o acesso a serviços de saúde e aumentar a qualidade dos atendimentos para a população, através das mais diversas tecnologias. Atualmente, há mais de 4.200 startups cadastradas na Base de Dados da Associação Brasileira de Startups. Destas, 6% são focadas em saúde. Para saber mais sobre este mercado, acesse aqui.