Uma das maiores dores do brasileiro são os serviços de saúde do País. Apesar de o Sistema Único de Saúde do Brasil ser referência, de acordo com o Banco Mundial, é certo que ainda há desafios que estão longe de ter uma solução perfeita para quem mais precisa destes serviços no Brasil. Hoje, quase 75% da população brasileira ainda depende do SUS e, de acordo com o Conselho Federal de Medicina, estas pessoas têm três vezes menos médicos à disposição que usuários de planos de saúde.

De acordo com a ONU, por exemplo, a população negra e de menor renda do Brasil tem uma chance significativamente maior de morrer com problemas que podem ser evitados, como mortalidade de recém-nascidos antes dos seis dias de vida, infecções sexualmente transmissíveis, mortes maternas, hanseníase e tuberculose.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu a venda de 44 planos de saúde de 17 operadoras, por irregularidades no atendimento e cobertura dos serviços contratados pela população. Ainda de acordo com a Agência, entre 2014 e 2017, os planos de saúde perderam 2,8 milhões de contribuintes. Segundo o levantamento, grande parte dessa população está migrando para alternativas como clínicas populares a preços acessíveis e também buscando consultas e exames por meio de aplicativos.

“Os nossos problemas (na administração da saúde) são exatamente o terreno fértil onde os empreendedores vão exercer suas funções e trazer soluções”, afirma o secretário municipal de saúde, Wilson Pollara. “Os médicos estão entre uma das profissões que vão desaparecer, junto com o contador, o corretor de seguros e o advogado” diz.

“Essa evolução tecnológica traz possibilidades inovadoras no setor de saúde, tal como centralizar as buscas dos profissionais, clínicas e laboratórios aos clientes, o que lhes dão mais autonomia e empoderamento. Prontuário e receituário eletrônicos, agendamento de exames de forma remota, automação e jornada do paciente são alguns dos exemplos mais comuns desses benefícios, que visam aprimorar o atendimento, melhorar os serviços oferecidos, agregar benefícios aos pacientes a custos menores e, consequentemente, aumentar a produtividade das clínicas”, diz Mauricio Trad, CEO da plataforma online de saúde Doutor123.

Para ajudar a resolver estes e outros desafios, as healthtechs estão crescendo no mercado brasileiro com o objetivo de democratizar o acesso a serviços de saúde e aumentar a qualidade dos atendimentos para a população, através das mais diversas tecnologias.

Atualmente, há mais de 4.200 startups cadastradas na Base de Dados da Associação Brasileira de Startups. Destas, 6% são focadas em saúde.

Fonte: ABStartups

Ainda de acordo com a Associação Brasileira de Startups, o modelo de negócios delas é dividido em: 26,76% SaaS (software disponibilizado a usuários através de assinatura); 15,49% marketplace (quando dois ou mais usuários realizam uma transação); 9,86% E-commerce (venda online de produtos, gerando receita através de margem sobre produtos vendidos); 7,04% Consumer (app gratuito ou de baixo custo entregando valor ou engajamento aos usuários); 2,82% API (clientes que assinam ou pagam pelo uso de uma API); 1,41% hardware (cobrança pelo hardware e/ou software do hardware e/ou serviços agregados); 1,41% venda de dados (serviços de coleta, tratamento, formatação e análise de dados), e 35,21% outros modelos.

Quanto ao momento destas startups, 36,62% estão em operação (protótipos validados, modelo de negócio definido, conhecimento do mercado); 28,17% estão tracionando (métricas e objetivos definidos, busca de parceiras para crescimento); 21,13% em fase de ideação (desenvolvimento da ideia, estudo do mercado, identificação de oportunidades, nichos e soluções); 8,45% na fase da curiosidade (busca de informações, não existe ideia ou negócio formatado), e 5,63% são scaleups (crescimento médio anual acima de 20% ao ano, em termos de empregados).

Ações

Uma das mais importantes iniciativas para a melhoria da qualidade dos serviços prestados no setor de saúde e, consequentemente, o crescimento das healthtechs, é a parceria entre entidades públicas e privadas, que permitirá que as tecnologias desenvolvidas pelas startups mudem de vez este setor.

“Estamos vivendo a maior transformação já vista na sociedade desde a transformação industrial, afetando negócios de todo tipo e de todas as profissões. Chamamos isso aqui na IBM de Era de Negócios e Governos Cognitivos. Uma era na qual o recurso natural para o desenvolvimento das sociedades não é mais o petróleo, agricultura ou a água, mas os dados”, diz Fábio Rua, Diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da IBM Brasil, durante o lançamento do Programa 100% Saúde, parceria entre a companhia e a prefeitura de SP.

O secretário Wilson Pollara pontua também a necessidade de dados para um melhor controle das necessidades da população.”Como eu posso saber, hoje, quantas pessoas precisam ser operadas de hérnia em São Paulo, por exemplo? Só com estes dados, eu posso saber de quantos cirurgiões eu vou precisar. Como eu posso orientar a população sobre onde ir a partir de determinado problema? É preciso regular a população que estamos atendendo e saber exatamente qual a demanda dela.”

O novo programa selecionará 70 startups de saúde que passarão a ter 12 meses de acesso a mentorias, eventos e créditos para utilização na IBM Cloud, plataforma que oferece serviços de Big Data & Analytics, Computação Cognitiva (IBM Watson), IOT. O lançamento oficial aconteceu nesta terça-feira, dia 6, na sede da IBM, e as atividades do programa começam em abril.

Os pilares do Programa 100% Saúde são Networking, que oferece troca de experiências com uma comunidade de empreendedores que estão à frente de scaleups e se ajudam mutuamente; mentoria, onde as startups selecionadas receberão acompanhamento de um mentor/padrinho durante o crescimento do negócio e conexão com IBM e SP Negócios, recebendo todo o apoio necessário de especialistas de negócios de áreas que tenham sinergia com a startup.

“O mercado de saúde representa um setor estratégico para geração de novos negócios para a cidade. Com esta iniciativa, estamos aproximando grandes empresas, investidores e startups, promovendo maior atração de investimentos para o setor”, afirma Juan Quirós, presidente da SP Negócios. “Quando juntamos forças com o poder público e o privado, temos uma noção muito clara daquilo que é, de fato, a necessidade das pessoas de um projeto como o nosso.”

Fomento

Para também ajudar este mercado a crescer no Brasil, nasceu em 2015 a Berrini Ventures, uma aceleradora para startups de saúde. Hoje, a aceleradora evoluiu para o Health Innova HUB, baseado em três pilares: Aceleração, Educação e Comunidade.

“Fizemos este reposicionamento ao perceber que não faltavam recursos para investir em inovação em saúde no Brasil, contudo, seria fundamental uma visão de longo prazo para uma transformação significativa da saúde, que as startups do setor demoravam um tempo significativamente maior para se desenvolver e, fundamentalmente, porque estamos falando de uma profunda mudança de mentalidade, de uma saúde hierarquizada e engessada, para uma saúde que adote novas iniciativas e posturas, representadas pelas startups, e para isso seria necessário educar para transformar o setor”, explica Fernando Cembranelli, fundador da aceleradora.

O Hub realiza quatro eventos estratégicos por ano, sendo o próximo o Clínica do Amanhã 2018, no InovaBra Habitat. De acordo com o CEO, participam do Hub a maior comunidade de Empreendedores, Inovadores, Executivos e Investidores, focados em Inovação em saúde do Brasil. “Também aceleramos startups focando num processo de acompanhamento de longo prazo, por até três anos, visando facilitar negócios, captação de recursos e networking nacional e internacional. Hoje, os investimentos para as startups vêm através de nossa rede de parceiros”, diz.

Por que investir em startups deste setor? De acordo com Fernando, a saúde está mudando rapidamente e o componente digital está se tornando cada vez mais presente nas soluções deste setor. Contudo, quem lidera esta transformação são claramente as startups, “e investir nestas soluções inovadoras é absolutamente fundamental, tanto para grandes corporações, quanto por investidores interessados no setor.”

O Hub acredita que, hoje, o maior desafio das healthtechs é validar e escalar suas soluções. “A partir deste patamar se torna muito mais fácil conseguir clientes e investimentos. As maiores oportunidades são que muitas soluções relativamente simples ainda não foram exploradas”, diz Fernando.

Para auxiliar as startups neste desafio, é fundamental a aproximação das startups com grandes empresas de seus segmentos. Fernando acredita que é  fundamental que as healthtechs se aliem a grandes empresas do setor, a fim de que possam crescem mais rapidamente. Mas, para muitas grandes empresas de saúde, o relacionamento com as startups e com este espírito empreendedor não é tarefa fácil, o que exige uma mudança de mentalidade absolutamente necessária. “A relação entre startups e grandes empresas é fundamental, apesar de ser uma relação potencialmente conflituosa, caso as duas organizações não estejam absolutamente alinhadas e dispostas a fazer as coisas acontecerem”.

Sobre as tendências para este mercado em um período próximo, Fernando Cembranelli destaca: “de todas as tendências, a Medicina Personalizada será uma revolução, pois finalmente passaremos a tratar um indivíduo, com base nas suas características individuais e não como um ser igual a outros milhões. No Brasil, é marginal a coleta de dados através de wearables ou vestíveis, mas isto também é algo que deve mudar, ao longo dos anos, pois dados são parte fundamental da mudança que veremos na saúde”, completa.

Hospitais

Um dos maiores hospitais do Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, foi fundado pela comunidade judaica de São Paulo há mais de 60 anos e desde então é referência no País em qualidade de atendimento e comprometimento com inovação neste setor.

Uma das ações realizadas pela instituição foi em 2016, quando o Hospital fechou uma parceria com o Google para melhorar os resultados de busca na internet sobre doenças. Para Claudio Terra, diretor-executivo de Inovação e Gestão do Conhecimento, a parceria com uma das maiores empresas de tecnologia do planeta é fruto dos ideais em comum de ambas as instituições como a difusão de conhecimento e de informação.

“No Einstein, a proposta de parceria foi recebida de braços abertos. O Hospital já é comprometido com a disseminação de informações ao público em geral e, na ideia, encontrou uma forma de atingir uma audiência ainda maior. Além desta parceria, cabe destacar que temos várias outras com os centros de pesquisa de gigantes como Samsung, Microsoft, GE, Toshiba e muitas outras empresas internacionais e nacionais e, também universidades e centros de pesquisa e tecnologia. A inovação é cada vez mais colaborativa e aberta”, diz o diretor.

O Hospital também tem, há anos, um setor de inovação, por onde passaram centenas de startups, e recentemente lançou uma incubadora. Para Claudio, o apoio do Einstein se dá por meio de uma série de mecanismos que envolvem incubação, acesso aos laboratórios e especialistas da instituição, coodesenvolvimento de tecnologias e produtos, pilotos, pesquisa clínica e também investimentos tanto nos projetos em si, como nas próprias startups.

“Colocamos toda a estrutura, recursos e conexões da instituição para apoiar projetos que acreditamos que possam ter grande impacto no sistema de saúde. Investimos em parcerias com startups em várias fases de desenvolvimento, podemos citar, por exemplo, a área de telemedicina na qual uma startup chamada Kidopi, de Ribeirão Preto, tem tido um papel muito relevante no desenvolvimento dos sistemas de atendimento ou ainda na área de testes genéticos na qual a parceria com a startup Genomika de Recife incrementou de forma significativa desenvolver novos testes genéticos”, explica.

Dentre muitas ações que a Inovação do Einstein prevê neste ano, um dos destaques, que ocorrerá já em maio, entre os dias 13 e 19, é o curso Stanford Biodesign Einstein (SB@E). Um programa inédito, que selecionará 20 profissionais de áreas como medicina, enfermagem, engenharia, ciência da computação, para interagir com os profissionais do Einstein e experts da Stanford University e do Vale do Silício, em uma imersão para identificar necessidades clínicas e de mercado e iniciar o desenvolvimento de soluções viáveis e atraentes.

Eles aprenderão como identificar desafios e necessidades clínicas e de mercado. O trabalho final do curso será desenvolver o protótipo de uma solução, como equipamento médico, app ou serviço com potencial de integração com devices e wearables. Além disso, os participantes deverão criar um plano de negócios e “pitch” para investidores e empreendedores que darão seu feedback sobre os projetos.

O Einstein também está colaborando com uma iniciativa do IFC (International Finance Corporation) para atrair e financiar startups de todo o mundo, inclusive brasileiras, a prototipar suas soluções em nosso ambiente assistencial.

“Há mais de três anos, o Einstein vem estabelecendo parcerias com startups da área de saúde. Acreditamos que o setor de saúde está passando por profunda transformação em função de saltos tecnológicos significativos em várias áreas, incluindo genômica, terapia celular, biomarcardores, big data, inteligência artificial, entre outras. Neste sentido, o Einstein acredita que o investimento nestas parcerias com startups é um dos caminhos para acelerar o desenvolvimento destas tecnologias em prol dos pacientes e também para o desenvolvimento de serviços em áreas estratégicas da instituição. Especificamente sobre transformação digital, acreditamos que estamos apenas no início de uma grande transformação na qual cada vez mais o uso intensivo de dados e algoritmos farão parte do processo assistencial e também auto cuidado.”

Para Claudio, a saúde é uma área de grandes oportunidades, desde a área de atendimento ao paciente até o desenvolvimento de novas tecnologias de diagnóstico, por exemplo. Os desafios, entretanto, também são grandes, pois esta é uma área que tem muitas particularidades, como os processos de regulamentação e validação clínica, por exemplo.

Outro grande desafio é como tornar a saúde de qualidade mais acessível para todos, sempre pensando no paciente. “Finalmente, está em curso um grande processo educativo sobre os requisitos para se empreender com tecnologia de ponta no país. No setor de saúde, em particular, as oportunidades são enormes, mas também há ainda um processo embrionário de formação de empreendedores experientes. Mas o avanço é contínuo e rápido.”

Por isso, no Einstein, acredita-se que as parcerias com startups podem trazer grandes contribuições ao setor de saúde, porque é uma forma viável de agilizar o desenvolvimento de tecnologias para áreas estratégicas do hospital e para o sistema de saúde de forma geral. O objetivo final é trazer um atendimento cada vez melhor à população.

As competências e ativos entre as startups e os grandes hospitais são complementares. O diretor-executivo acredita que as startups trazem consigo visões, tecnologias e projetos diferenciados além de muita energia para mudar a realidade. Já as grandes instituições de saúde, além da experiência e processos bem definidos, trazem amplos ambientes de teste, acesso a equipamentos de ponta, assim como dados e processos de validação científica e clínica muito bem estabelecidos.

E, para as tendências que darão um norte para as startups de healthtech no Brasil, Claudio destaca três grandes grupos: biotech, medtech e digital. “Em biotech, é impressionante a velocidade de evolução da genômica e da terapia celular. Em medtech, há uma explosão em vários tipos de soluções point of care e de wearables de toda natureza. E, finalmente no mundo digital, há uma confluência no grande desenvolvimento de soluções mobile e do uso intenso de dados associados a várias técnicas de inteligência artificial. Trata-se de um cenário de grande transformação”, completa.

Inovação

Uma das instituições que também está trabalhando para o fomento das startups de saúde no Brasil é o Instituto do Câncer do Ceará, considerado a maior referência em cancerologia no País. Por lá, foi criado o ICC BioLabs, idealizado a partir de um modelo de “aceleração corporativa”, onde uma aceleradora se junta a uma grande instituição, para unir metodologia + redes de relacionamentos + infra estrutura + canais de distribuição + capital de risco, criando assim um programa robusto de aceleração de startups.

Igor Juaçaba, cofundador da Elephant Coworking, que gerencia o coworking do Hub de Inovação do ICC, explica como funciona. “Somos um hub de inovação em saúde, com o propósito de ajudar empreendedores e cientistas a desenvolver suas ideias, na área de healthtech, biotech e wellness. Temos um espaço com mais de mil metros quadrados, incluindo salas privativas, lab 3D, coworking, três salas de reuniões, áreas de eventos para até 300 pessoas e restaurante. Estamos no centro do Polo de Inovação de Saúde fortaleza, onde se encontram empresas privadas, faculdades de saúde e diversos hospitais.”

As startups que passarem pelo ICC Biolabs se beneficiarão principalmente do acesso a mentorias, estrutura, Laboratório de testes Clínicos, parcerias de mais de 73 anos do ICC, que são nacionais e globais, além de duas empresas gestoras do espaço com muita experiência e metodologias ágeis: a Wave Aceleradora e Taquion Inovação. Por enquanto o programa tem duas etapas, uma sem funding e outra com 100 mil reais de investimentos. Atualmente, estão participando 9 startups do Programa.

Por que o Instituto decidiu investir no envolvimento com startups? “Inovar, trazer soluções inovadoras para sua organização, ajudar a resolver gargalos no setor, democratizar diversas soluções do mercado para cada vez mais pessoas, ajudar a permear uma cultura de empreendedorismo e inovação no estado e na própria organização, criar uma unidade de negócios nova, entendendo que será o futuro muito em breve, e precisa estar posicionado e investir agora.

 De acordo com ele, a cultura criada a partir da Unidade de Inovação do ICC é o que causa o maior impacto no Instituto. “Temos 8 meses de lançamento e já tivemos um grande impacto na cultura dos mais de 1000 colaboradores. Médicos estão vindo todos os dias trazendo soluções e ideias, além do hospital ficar cada vez mais permeado de soluções que ajudam a otimizar diversos processos. Todas as startups que têm MVPs são contratas pelo ICC para iniciar seus testes no próprio hospital.

Para 2018, os planos do ICC Biolabs são, além de acelerar 20 startups, iniciar uma turma do Start-Up Brasil em parceria com a Wave, lançar uma especialização em Inovação e Saúde (braço de educação) em parceria com a faculdade do grupo lançada a pouco, a Faculdade Rodolfo Teófilo. “Também queremos criar um programa de soft landing para atrair startups de outros países, afim de nos conectar com os principais ecossistemas inovadores do mundo”, explica Igor.

Startups

Não é possível falar deste mercado sem citar seus protagonistas: os empreendedores. As startups de saúde têm um mercado muito amplo onde atuar, e para falar sobre alguns deles, conhecemos algumas empresas deste setor. Uma delas é a Simplex, que oferece todos os serviços administrativos necessários em uma clínica, como sistema de atendimento automatizado, criação de identidade visual (logo, site, blog, cartões de visita e redes sociais) e assessorias contábil e jurídica, a preços acessíveis.

O carro-chefe da startup é o atendimento. Um funcionário da Simplex atende aos telefonemas e administra a agenda do médico em um software próprio. O cliente, por sua vez, tem acesso full-time ao sistema. O advogado Emerson Soares, sócio da startup, mostra a vantagem financeira: “Hoje, para manter um atendente gasta-se em média R$ 2.500 por mês, somando impostos. Oferecemos o serviço por R$377”, compara. Com o suporte, o especialista consegue otimizar seu tempo e não perder potenciais clientes.

Ele diz que a startup surgiu em junho do ano passado, qual a psicóloga Beatriz Brandão, fundadora da empresa, passou bastante dificuldade para iniciar sua clínica, tais como: criar logo, criar site, criar mídias profissionais, assessoria jurídica e contábil, atendimento de seus pacientes etc. Mas por que empreender na área da saúde? “Porque, muitas das vezes, estes profissionais não são compreendidos, seja no dia a dia da profissão ou custos elevadíssimos cobrados por grandes agências e prestadores de serviços, enquanto que tais (profissionais da saúde) se trata de uma pessoa apenas, em seu consultório, sem recursos exorbitantes”, explica Emerson.

Para o empreendedor, um dos maiores desafios deste setor é compreender o dia dia das mais variadas profissões, porque cada vez mais o mercado está aquecido, com possibilidade de atendimento de clínicas, consultórios e hospitais. Para Emerson, o que falta para que as healthtechs cresçam ainda mais no Brasil é “investimento e compreensão dos profissionais que o marketing a divulgação pode ser realizada de uma forma ética, dentro das normas de seus conselhos de classe” diz.

App

Daniel Santos, diretor da startup, diz que o início do projeto de pesquisa para criação da HeartCare foi em abril de 2016, quando os sócios entenderam os maiores problemas deste mercado e começaram a desenhar o produto e levar para o mercado para fazer a validação do modelo. “Conversamos com Médicos, Pacientes, Hospitais, Laboratórios, Indústria Farmacêutica, Farmácias, empresas de Seguro Saúde e também Instituições do Setor Público.” Após completarem 19 meses de desenvolvimento e aprimoramento do produto, lançaram para o mercado no dia 29 de Novembro de 2017.

A solução da startup é um aplicativo que auxilia de forma amigável pacientes e pessoas que se preocupam com a saúde, servindo como uma ferramenta de monitoramento e plataforma de conteúdo. Dentre as principais funcionalidades estão monitoramento cardíaco, serviços de emergência, agendamento de medicamentos, exames, consultas, mapeamento de farmácias e hospitais próximos ao usuários. Os sócios da empresa trabalharam com recursos próprios nos primeiros 14 meses, e só então receberam duas rodadas de investimento para dar sequência ao projeto até a sua fase de lançamento.

Por que empreender na área da saúde? “Os sistemas de saúde do Brasil e de muitos outros países possuem inúmeras deficiências. Todas essas demandas e necessidades, que não são resolvidas com excelência nos modelos atuais de relacionamento entre empresas do setor da saúde e a sociedade consumidora, geram oportunidades às empresas e empreendedores desenvolverem soluções, que podem ser desde questões básicas ou locais, até ferramentas com tecnologias mais robustas”, explica Daniel.

Para falar sobre os entraves deste mercado, o empreendedor listou alguns dos grandes desafios enfrentados pelo mercado, que se tornam grandes oportunidades para os empreendedores:

  • Análise de dados para inteligência de mercado e entendimento comportamental da população
  • Capacidade de gerar análise de dados em tempo real para tomada de decisões mais eficientes
  • Conscientização da população sobre os fatores de riscos que levam a doenças crônicas
  • Redução do índice de mortes por falta de recursos básicos
  • Melhorar as ferramentas para cuidados com o paciente
  • Redução de erros clínicos, aumentar a eficiência do sistema de saúde
  • Diminuir o tempo de acesso a atendimento básico para a população de baixa renda
  • Criar processos mais enxutos e com um maior índice de eficiência
  • Minimizar desperdícios de insumos e recursos financeiros
  • Gerar informações sobre doenças que sejam relevantes e de fácil acesso para a população

“Estamos observando um mercado com uma série de empresas desenvolvendo trabalhos incríveis, pessoas realmente dispostas a entender as deficiências do setor e com energia para tirar os projetos do papel e colocar no mercado a disposição dos consumidores”, diz. Para ele, as principais tendências do mercado são plataformas para: Análise de Dados e Inteligência Artificial, Biometria, Blockchain, Monitoramento à distância, IOT, Wearables, Insideables, Parcerias Público Privadas, Nanotecnologia, Genoma, Serviços On Demand, Medicina Preventiva, Impressão 3D, Robótica para Cirurgia e Tecnologia para medicina comportamental.

E para que esta realidade aconteça, startups e grandes empresas são complementares. “Uma startup não tem a capacidade de produzir uma patente de medicamento e colocar no mercado a solução para o tratamento de uma enfermidade, por exemplo. É um desenvolvimento de longo prazo, e uma startup precisa ter uma tração de receita em um prazo mais rápido, para se tornar viável. O que não quer dizer que uma startup não possa trazer uma solução para o processo de produção de patentes de medicamentos, como existem várias”, diz.

Ele acredita que as grandes companhias suprem a demanda já instalada e entendida, da grande população. Por isso, as startups devem suprir os espaços trazendo melhores soluções, e ajudando o ecossistema da saúde a se fortalecer. “Como num pote cheio de pedras que você pode encher de água, as startups devem preencher os espaços existentes, colaborar com demais empresas do setor, e assim se tornar relevante para a sociedade.”

Estamos em meio a uma enorme onda de empreendedorismo, de muita coragem de provocar inovação tecnológica e por outro lado, dentro de grandes corporações, ainda prevalecem os antigos modelos de pesquisa e desenvolvimento. Existem muitas barreiras de entrada para startups ganharem espaço e terem voz para apresentar suas ideias.

“Enxergo que as Healthtechs tem um futuro enorme pela frente. Soluções reais para problemas reais, através de serviços de tecnologia mobile principalmente, serão muito demandados”, completa. Esta mudança cultura está recém começando. A tecnologia crescendo de potencial e possibilidades a cada dia. Os pacientes, comunidade médica e órgãos reguladores, estão cada vez mais confortáveis com as soluções que as tecnologias emergentes são capazes de trazer. Healthtech, definitivamente, é um segmento que todas as empresas e instituições do setor devem estimular, colaborar e interagir.