Só este ano já noticiamos uma grande quantidade de aportes milionários em startups brasileiras, o que prova que o nível dos investidores-anjo e a qualidade das startups brasileiras melhorou. Mas, afinal, como saber se uma startup tem potencial para receber investimentos? Para solucionar essa equação, dois ex-alunos da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, fundaram a Wharton Alumni Angels, um grupo de investidores-anjo que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo e a inovação aproximando as startups brasileiras de investidores e executivos de Wharton e do Vale do Silício.

Eduardo Küpper, investidor-anjo e cofundador de diversas empresas, entre elas a Vesta Partners, eGenius Founders, F(x) e Helpling, e Guilherme Freire, empreendedor serial e cofundador da Livo Eyewear, se conheceram em Wharton, uma das mais renomadas intuições de ensino superior dos EUA e também uma das mais antigas do mundo, onde faziam mestrado e tiveram contato com diversos executivos e empreendedores do Vale do Silício.

A ideia começou a tomar forma quando a dupla decidiu alavancar a rede de ex-alunos, um grupo de profissionais qualificados e competentes para analisar empreendimentos com potencial para receber investimentos, feitos por esse mesmo grupo de ex-alunos. Em Janeiro de 2018, essa ideia se tornou realidade com o lançamento do Wharton Alumni Angels no Brasil. Hoje o grupo conta com um rede de mais de 400 investidores espalhados pelo mundo. Em entrevista ao Startupi, os fundadores afirmam que aqui no Brasil eles vão selecionar um grupo de 50 pessoas.

O primeiro passo para uma startup solicitar o investimento para o grupo será o cadastro na plataforma, que deve ser lançada no final de março. Na sequência é feita uma análise para identificar o potencial dessas empresas. Após esse processo de triagem, a Wharton Alumni Angels indica as startups que atendem todos os critérios para receber um aporte para uma rede de investidores – que, em maioria, também são ex-estudantes de Wharton.

“Selecionamos apenas startups que já estejam gerando receita de forma recorrente. Não temos limitação quanto ao setor, o que importa para nós é principalmente a determinação e a capacidade de execução do time de empreendedores combinadas com um modelo de negócio escalável”, destaca Eduardo.

“Quando eu estava na Livo tive muita dificuldade para levantar fundos, pois era um projeto diferente do perfil dos VCs tradicionais do Brasil. Ao sair da operação da empresa, tive a ideia de apostar em um veículo de investimento e iniciei conversas com diversas instituições. O Eduardo Küpper, um cara muito engajado no ecossistema de startups, abraçou a ideia da Wharton Alumni Angels comigo. O objetivo é que nossa plataforma ajude outras startups em estágio inicial que necessitem de investimento e não tenham ninguém que acredite nelas. Queremos abraçar pessoas que enfrentam o mesmo desafio que nós tivemos”, explica Guilherme Freire.

Para eles, apesar do mercado de investimento em startups ter ganhado espaço na mídia, o mercado ainda é incipiente, mas graças principalmente ao trabalho das associações de investidores, o setor tende a ficar mais profissional. Quando questionados sobre a diferença entre o perfil dos EUA e do Brasil eles afirmam: “lá fora existem mais investidores que foram empreendedores no passado e que alcançaram o exits e tiveram experiências relevantes em construir startups. Eles entendem o risco e querer fomentar as novas gerações, além de receber um retorno sobre o investimento. Aqui o perfil mais comum é de pessoas que fizeram patrimônio no mercado financeiro e grandes corporações. O problema deste tipo de investidor é que ele não tem muita experiência no mercado de startup, mas quer participar da definição da estratégia e opinar no dia-a-dia do negócio, o que na maioria das vezes, tem um impacto muito negativo no negócio”.

Para 2018, a expectativa é de que a plataforma movimente em torno de R$9 a R$12 milhões em investimentos em cerca de 7 a 10 novos negócios. “Aqui no Brasil, muitas vezes, o empreendedor abre seu próprio negócio sem ter acesso a uma rede de networking e com pouco conhecimento teórico. Queremos que esse pequeno empresário tenha contato com a cultura de empreendedorismo do Vale do Silício, local onde estão concentradas as maiores startups do mundo. Essa troca de experiências é tão fundamental quanto o aporte para o sucesso de um novo negócio”, finaliza Guilherme.