* Por Thiago Arnese

O mercado de meios de pagamentos está fervendo. A cada semana surge uma notícia sobre movimentações envolvendo fintechs. Primeiro a PagSeguro, que abriu oferta de ações na bolsa de Nova York e acabou se tornando a segunda startup unicórnio brasileira. Semanas depois, o Nubank também revelou que os aportes recebidos alcançaram R$ 1 bilhão, elevando a empresa ao mesmo patamar. Nesse ínterim, outras negociações foram anunciadas, como a aquisição da Stelo pela Cielo, e da Best Pay pelo Grupo Garantia.

As fintechs se tornaram o centro das atenções por alguns motivos, entre eles a infinidade de oportunidades de atuação, mas sobretudo por atenderem a demanda de pequenos e médios negócios. Especialmente lojistas, vendedores autônomos e profissionais liberais até há pouco tempo dependiam exclusivamente de contratos com bancos e taxas de alugueis para contarem com as maquininhas POS para realizarem a venda por cartões, meio de pagamento indispensável hoje em dia. As fintechs estão promovendo a disrupção desse mercado, fornecendo soluções independentes, econômicas e eficientes end-to-end, simplificando e integrando processos de ponta a ponta.

Este segundo ponto também é fundamental para o sucesso de uma startup financeira. A cadeia de pagamentos tem uma série de elos, como banco, bandeira, adquirente, subaqduirente, gateway, loja e marketplace. As empresas que integram e unificam serviços descomplicam a operação de uma PME, que, muitas vezes não tem o conhecimento suficiente da infraestrutura necessária e de seu potencial de negociação. Já para o lado do cliente, ele tem acesso a um serviço com benefícios como ausência de anuidade, taxas favoráveis, cashback e outros recursos que acabam com os custos abusivos e entregam um serviço melhor.

Fato é que a popularização da tecnologia de pagamento tem proporcionado uma possibilidade ainda mais interessante, a criação de soluções customizadas para cada empresa com o próprio meio de pagamento para complementar. Hoje, redes de varejo, franquias, tiqueterias e quem trabalha no modelo de venda direta já realizam parcerias com as empresas de pagamento, mas agora chegou a hora de incluir tecnologia própria e diferentes funcionalidades, como a divisão de valores no momento de pagamentos ou impressão de bilhetes diretamente de uma maquininha.

Para que esses projetos sigam adiante, entretanto, não é necessária uma atitude extrema de adquirir uma outra empresa. Existem algumas plataformas focadas em entender e adaptar a solução para resolver problemas de redes de estabelecimentos.

Com acesso ao desenvolvimento de produtos exclusivos e escaláveis, a tecnologia é libertadora para os estabelecimentos que ainda dependem do aluguel de maquininhas de cartão.

A descentralização, a integração e a liberdade de escolha são vias de um caminho sem volta para os meios de pagamento. E é por esse motivo que as fintechs ainda vão continuar como destaques das principais páginas de negócios por um bom tempo.

*Thiago Arnese é fundador da Hash lab, empresa de tecnologia para o ecossistema de meios de pagamentos.