* Por Elber Mazaro

Neste artigo vou juntar a continuidade da série que tenho escrito sobre a minha pesquisa de mestrado, defendida no ano passado, sobre a transição de executivos para o mundo empreendedor; com  uma vivência muito especial, que tive esta semana sendo professor  empresário, participante de um curso intensivo de empreendedorismo (40 horas), realizado para alunos da graduação da USP, o qual foi aberto a todas as faculdades.

O tema escolhido que liga a dissertação ao curso dado para a graduação na USP, é a experimentação. Este, como já mencionado nos artigos anteriores e em especial no último que trouxe o modelo completo para a transição dos executivos, é um dos três componentes da fase de execução da transição, conforme contextualizo a seguir.

A transição de executivo para empreendedor pode ser considerada a transição de uma identidade profissional para outra (referências da autora Herminia Ibarra).

O terceiro pilar teórico da dissertação, Execução da Transição, pesquisado na teoria acadêmica e nas entrevistas com executivos que realizaram a transição, se baseou nos estudos sobre Transição de Identidade de Carreira que também forneceu o elemento inicial do modelo proposto, o Autoconhecimento, apresentado como o ponto de partida após o gatilho da transição ser disparado, ou seja,  um fato motivador para a transição ser gerada e, assim, a busca do conhecimento sobre si mesmo. Lembrando que o Autoconhecimento é seguido pelo entendimento e avaliação do que significa ser empreendedor (primeiro pilar) e como realizar um planejamento estratégico pessoal para uma transição bem-sucedida (segundo pilar).

Alguns elementos da Transição de Identidade de Carreira também são mencionados nos outros dois pilares (Avaliação do Perfil Empreendedor e Planejamento Estratégico Pessoal), mas os componentes mais destacados se apresentam durante a jornada e, por isso, foram elencados para a sequência do processo de entendimento, planejamento e preparação. As três partes do processo que concluem o ciclo durante a transição são:

  • a experimentação;
  • a atenção aos Insights, e Momentos de Mudanças e Decisões e
  • a busca por Apoio Pessoal e Empreendedor.

A Experimentação, também chamada, em determinado momento por um dos entrevistados, degustação, é o eixo principal do processo de transição. Ela pode iniciar-se ainda enquanto o executivo trabalha na grande corporação, e, paralelamente, principia o exercício de atividades que o levem a conhecer melhor e experimentar o que significa ser um empreendedor.

Hoje em dia, muitos buscam ser investidores-anjo em startups como uma forma de entrar em contato e conhecer mais a fundo a possível nova identidade profissional.

A Experimentação reforça os outros pilares da pesquisa e na prática representa que a transição pode ter-se iniciado. O executivo vai buscar, até mesmo dentro da empresa onde atua, a possibilidade de exercitar funções e atividades relacionadas com o seu objetivo final para a transição, e assim aprender, validar ideias, conceitos e dinâmicas, que podem confirmar a direção escolhida ou oferecer novas alternativas e possibilidades para serem consideradas.

A prática, como muitas vezes foi chamada a Experimentação, também é elemento-chave de modelos de ensino e aprendizado, reforçando o Capital Intelectual, e por isso adotada amplamente, como aprender fazendo.

Nada melhor que vivenciar as situações, no caso da dissertação, de uma identidade empreendedora, para que esse movimento possa ser satisfatório e trazer o objetivo final ou, então, gerar novos objetivos e ter o destino alterado durante a jornada.

Agora trazendo para a experiência fresquinha desta semana, do curso de empreendedorismo aberto para alunos de todos as faculdades da USP, coordenado e desenvolvido pelo Professor Martinho Isnard Ribeiro de Almeida, quero destacar a Experimentação como forma de gerar aprendizados básicos sobre empreendedorismo.

Tivemos uns 100 alunos da USP, mais a participação de dois professores e nove alunos chilenos, da Universidad de La Frontrera e além de mim, outros sete empresários que também possuem um histórico acadêmico com mestrado ou doutorado.

A filosofia do curso foi a de ensinar com a prática o desenvolvimento de uma startup ou empresa, usando como base a experiência e conhecimento dos empresários professores e um pouco da estrutura do Canvas.

Os alunos foram organizados em grupos de 3 a 5 membros e a cada dia, após verem apresentações em um auditório, sobre a definição de problemas, proposta de valor, os outros elementos do canvas, se dirigiam para várias salas de aula para discutir e construir um projeto de startup/empresa, o qual foi apresentado em um pitch no último dia do curso, primeiro para a escolha do melhor de cada classe e depois em um espécie de competição para eleger o melhor projeto de todos.

Foi Experimentação na veia, tanto para os responsáveis pelo curso, dado pela primeira vez, como para o desenvolvimento dos alunos. Mais uma vez este método prático, que juntou educação / academia e empresas / empreendedores, tão defendido e desenvolvido pelo professor Martinho (já aplicado no Mestrado Profissional em Empreendedorismo da FEA), se mostrou muito eficaz, com a qualidade dos projetos apresentados com tão pouco tempo para desenvolvimento e pela avaliação de todos os envolvidos.

Então, está muito claro que a Experimentação ou degustação, com propósito, objetivo e disciplina pode ser uma ferramenta poderosa, tanto para a prática de uma transição profissional, quanto para o aprendizado de empreendedorismo, onde receitas prontas não costumam funcionar.

O que você está experimentando neste momento da vida?

Você está experimentando o empreendedorismo?

Este é um caminho que vale ser explorado. Boas experimentações!


Elber Mazaro - Espaço do ExecutivoElber Mazaro é assessor/consultor, mentor e professor em Estratégia, Tecnologia, Marketing, Carreiras/Liderança e Inovação/Empreendedorismo. Atua há mais de 25 anos no mercado, liderando negócios no Brasil e na América Latina. Possui mestrado em Empreendedorismo pela FEA-USP, pós-graduação em Marketing e bacharelado em Ciências da Computação.