Ainda vivemos com estruturas hierarquizadas e diversos tipos de trabalhos manuais e repetitivos no ambiente de trabalho. Com a chegada da internet das coisas, diversas áreas e profissões terão que se adaptar para receber as mudanças que as novas tecnologias já estão trazendo.

“A inteligência artificial vem para mudar o mundo e a forma como trabalhamos hoje. Antes, a máquina ameaçava substituir os apertadores de parafuso das indústrias. Hoje, ameaça todo mundo”, diz Rafael Brazão, gerente de RH da Totvs, durante uma palestra sobre o assunto na Campus Party Brasil 2018, que aconteceu entre 30 de janeiro e 4 de fevereiro.

De acordo com Carl Frey, da Universidade de Oxford, estão em risco 47% dos postos de trabalho nos EUA, 57% nas médias dos países desenvolvidos e o cenário pode ser superior a 80% em países subdesenvolvidos.Segundo o Fórum Econômico Mundial, o planeta perderá milhões de empregos até 2020, em especial os relacionados a funções industriais. No Brasil, quase 16 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, diz a consultoria McKinsey.

Rafael Brazão, durante palestra na Campus Party Brasil 2018

Mas nem só para substituir mãos humanas vem a tecnologia. Um exemplo disso é que hoje, já é comprovado que um diagnóstico assistido por computador podem detectar 52% dos casos de câncer de mama com base em exames de mamografia até um ano antes de as mulheres serem oficialmente diagnosticadas. “A utilização da Inteligência Artificial, associada aos procedimentos médicos, reforça que a tecnologia pode transformar radicalmente – e para melhor – a saúde em todo o mundo”, explica Marco Stefanini, fundador e CEO global da Stefanini.

Ano passado, a empresa Tikal Tech lançou no Brasil o primeiro robô-advogado, inteligência artificial que auxilia na solução de processos dos escritórios. O robô é capaz de entre outras coisas, executar cálculos, formatar petições, realizar relatórios e interpretar decisões judiciais, o que reduz significantemente o trabalho burocrático dos advogados – o que, por outro lado, pode resultar em colaboradores a menos em uma advocacia.

Oportunidades

“Do jornal ao LinkedIn, a forma como buscamos emprego mudou, e isso também gera oportunidades”, diz Rafael. Para ele, a cultura, hoje, é o fator mais importante na hora de escolher uma nova empresa. “Hoje é possível mudar de profissão e migrar de uma área para outra por conta de ferramentas como o LinkedIn, e isso só é possível graças à evolução das tecnologias.”

Mas, para aproveitarmos as novas oportunidades que tendem a aparecer com o advento da indústria 4.0, é preciso se preparar. Rafael acredita que hoje, as relações e a capacidade de compartilhar e absorver conhecimento são essenciais para que um profissional se torne fundamental em seu segmento. “Não estamos mais na era onde um diploma na parede faz a diferença. Hoje, estamos na era do coletivo: do que nós sabemos, compartilhamos, fazemos e evoluímos, e não mais individual. O novo não é tão assustador assim”, diz.

“Se pararmos para pensar, quem imaginava empresas como Netflix, Airbnb e o Bitcoin há poucos anos?”, pergunta. Estas empresas e tecnologias que hoje fazem parte do nosso cotidiano, diz Rafael, mudaram completamente a forma como consumimos produções audiovisuais, nos hospedamos, nos locomovemos e até movimentamos dinheiro. E isto tudo, ele frisa, rompendo o status quo de suas respectivas indústrias.

É de se esperar, portanto, que aconteça naturalmente com todas as outras e, assim, novas oportunidades surjam. A cada minuto, 1.736.111 fotos são curtidas no Instagram; 347,222 usuários compartilham algo no Twitter; 4.310 novos visitantes acessam a Amazon; 77,160 horas de vídeo são assistidas no Netflix e 300 horas de novos vídeos são adicionados no Youtube.

“Hoje, blogueiros e Youtubers são profissões bem remuneradas. São oportunidades que surgiram nos últimos anos, com as tecnologias mudando a forma como nos comunicamos. Outras, como estas, com certeza estão por vir”, completa.